Jales Mendonça e Jales Naves entregam diploma à reitora Sandramara, ao lado dos ex-reitores Orlando Amaral, Milca, Angelita e Edward Brasil

 

Em iniciativa histórica, a Universidade Federal de Goiás retornou simbolicamente ao espaço que a acolheu no início dos anos 1960, a Casa Rosada de Goiânia, sede do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, para celebrar os 64 anos de criação do ousado e instigante Centro de Estudos Brasileiros (CEB) e o seu funcionamento, naquele período, no IHGG. E decidiu que vai tornar esse simbolismo em ato oficial, a partir de agora, para retornar anualmente ao Instituto, reafirmando o papel histórico e eternizando a parceria entre as duas instituições. Ao ressaltar esse momento, a reitora Sandramara Matias Chaves anunciou que pretende realizar, em 2027, nessa data, uma reunião de seu Conselho Universitário, órgão máximo de deliberação, planejamento, normas e recursos da instituição, e formado por representantes docentes, técnico-administrativos, estudantes e membros da sociedade.

Para reforçar esse compromisso, compareceram ao evento quatro professores que ocuparam a Reitoria da UFG a partir de 1998: Milca Severino Pereira (1998-2002 / 2002-2006); Edward Madureira Brasil (2006-2010, 2010-2014 e 2018-2022); Orlando Afonso Valle do Amaral (2014-2018); e Angelita Pereira de Lima (2022-2026). Ainda, todos os integrantes da atual gestão da Universidade.

Reitor em três produtivos mandatos, Edward Brasil fez quatro propostas, que vão ampliar essa parceria entre as duas instituições: reativar o CEB, que continua existindo na estrutura da Universidade, é um projeto de extensão e já tem dois professores envolvidos nesse trabalho; ajuda do IHGG para reforçar a solicitação de retorno do casarão da Rua 20, no centro de Goiânia, à UFG, tendo Angelita Lima ampliado essa solicitação, para que seja desocupada toda a área da Justiça Federal, para ali ser instalada a Casa da Memória da Universidade; envidar esforços para publicar os escritos do professor Orlando de Castro Ferreira, um dos pioneiros da instituição e memorialista, falecido em 2021 e que serão uma grande contribuição à história da Universidade; e realizar uma exposição anual sobre a UFG, para resgatar sua contribuição à sociedade, a exemplo da história da construção de Brasília, em cartaz atualmente no IHGG, com grande repercussão.

Com a decisão de retornar anualmente ao Instituto, a Universidade se soma a outras instituições goianas, como a Ordem dos Advogados do Brasil, que foram recepcionadas na Casa Rosada no início de sua trajetória e querem reforçar o papel do Instituto, que é referência no estado e responsável por preservar e difundir cultura, memórias e tradições de Goiás. Durante o evento, as autoridades presentes celebraram essa união.

Na oportunidade, o IHGG entregou à Universidade o Certificado de Reconhecimento, assinado pelo presidente Jales Mendonça e pelo secretário-geral Jales Naves, manifestando gratidão e reconhecimento à reitora Sandramara Matias Chaves pela realização do evento “UFG volta à Casa Rosada”.

Presenças no retorno da UFG ao IHGG

 

 

Encontro com a história

Ao abrir a sessão nesta segunda-feira, dia 22, o presidente Jales Mendonça disse que aquele era um encontro com a história, ao discorrer sobre o painel na parede do auditório, simbolizando o Hino de Goiás, de 1919, com letra do pai do escritor Americano do Brasil, e que ganhou nova versão em 2001, por iniciativa do então presidente do IHGG, escritor José Mendonça Teles, com música do maestro Joaquim Jayme, que evocam cinco momentos da história de Goiás: a pecuária, então a base econômica goiana; a nossa principal conquista, a construção de Brasília em território goiano; a Igreja de Santa Bárbara, da antiga Capital goiana, cidade que vai ganhar uma exposição especial em 2027 no IHGG para lembrar os 300 anos da criação de Vila Boa; a população indígena; e a figura de Anhanguera em sua segunda vinda a Goiás, em 1822.

Lembrou que o Instituto tem sido o espaço escolhido pelas principais instituições goianas, citando o caso da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, que ali celebrou os 190 anos do Parlamento goiano e os 90 anos da Constituição Estadual de 1935, por iniciativa do presidente Bruno Peixoto; e a OAB-Goiás, que ocupou aquele espaço de 1955 a 1959 e realizou no IHGG uma grande festa da Advocacia goiana.

Destacou a presença, na reunião, da sra. Marilda de Castro e Silva Coelho, filha do professor Colemar Natal e Silva, que foi o fundador de todas as entidades culturais goianas, o mais longevo presidente do IHGG, dirigindo-o por 42 anos, e o primeiro reitor da UFG. Lembrou-se ainda que a primogênita de Colemar, professora Moema de Castro e Silva Olival, que, quando criança, acompanhava o pai em suas reuniões no IHGG, se recordava da Casa Rosada como a “Casinha do Papai”.

Ao enumerar as realizações do Instituto ressaltou que têm sido possível a partir da contribuição da cooperativa de crédito Sicoob UniCentro Br, ao fazer o maior investimento privado na cultura em Goiás, ajudando na reconstrução da Casa Rosada e do prédio do IHGG, e alugar uma das salas desse espaço para a sua agência melhor localizada em Goiânia. “Isso nos permitiu implantar múltiplas atividades, desde sediar uma moderna agência bancária, salas para mostrar as obras dos autores goianos e que acolhem exposições periódicas muito representativas da cultura goiana, à lanchonete, com espaço para galeria de arte que já apresentou trabalhos de mais de 100 artistas goianos”, disse. “Unimos, num mesmo espaço, cultura, arte, gastronomia, turismo e lazer instrutivo”.

Jales Mendonça destacou que a Casa Rosada foi o primeiro imóvel construído no setor Sul, na então nova Capital, em 1939, por iniciativa do professor Colemar Natal e Silva, e que nesse início abrigou instituições que se tornaram representativas da cultura, educação e da política goiana. Citou ter acolhido o Centro de Estudos Brasileiros, sob a direção de nomes como Gilberto Mendonça Teles e Bernardo Élis, que tinha uma proposta de estudos e reflexões sobre o Brasil. Ressaltou o papel de Colemar e propôs a criação de uma tradição na qual a UFG retorne anualmente ao IHGG para manter vivo esse vínculo histórico.

Em seguida, o ator Mauri de Castro declamou o poema “Histórias do Brasil”, de autoria do poeta paraibano Pompílio Diniz; e a pianista Andreia Teixeira, que é professora da UFG e presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (AFLAG), realizou uma apresentação composta por três peças musicais, acompanhada pelo professor Tonico Cardoso no trompete.

 

Emoção

Milca Severino expressou sua emoção “ao retornar à ‘Casinha de Papai’, como familiares de Colemar se referiam ao Instituto, e enfatizou que a iniciativa é fundamental para que as novas gerações conheçam e valorizem o passado da Universidade”. Orlando do Amaral salientou a importância de preencher as lacunas no registro histórico da UFG e destacou a generosidade de Goiás em acolher gestores de fora – sendo ele um mineiro – e lembrando da trajetória de Juscelino Kubitschek em Goiás, também mineiro e presidente que assinou o decreto de criação da Universidade Federal de Goiás.

Edward Brasil desafiou a atual gestão a avançar em projetos de memória, como a recuperação do acervo de Orlando de Castro, e reforçou a necessidade de união para que o casarão da rua 20 seja devolvido o quanto antes à UFG. Angelita Lima pontuou que o zelo pela memória supera o provincianismo e consolidou a força das instituições goianas, defendendo a presença vibrante da UFG no centro de Goiânia por meio da ocupação de prédios históricos.

Sandramara Chaves encerrou os discursos aceitando o convite para realizar reuniões anuais do Conselho Universitário no IHGG ou uma reunião de diretores por ano. Ela destacou que a recém-criada Secretaria de Arte e Cultura ampliará a integração com a sociedade, garantindo que a Universidade siga sendo, na prática, o “laboratório de cultura” idealizado por Colemar Natal e Silva. Ela afirmou que a UFG faz da memória a sua bússola e que esse reencontro reafirmou o compromisso da instituição com a identidade goiana e a transformação social.

 

Memórias e resistências

A história da UFG se mistura com a do IHGG desde a década de 1960, pouco depois da fundação da Universidade. O Instituto recebeu inicialmente o Centro de Estudos Brasileiros, que abrigava o curso de graduação de Estudos Brasileiros e o curso de extensão de Estudos Goianos. O curso de graduação foi posteriormente descontinuado e criado o Curso de Ciências Sociais, vinculado à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. O CEB teve como diretor o professor Gilberto Mendonça Teles, que simultaneamente era presidente do IHGG à época. O vice-diretor do Centro era Bernardo Élis.

O CEB foi fechado pela ditadura militar, que em outubro de 1964 afastou do cargo o professor Colemar Natal e Silva. “Colemar, primeiro reitor da UFG, é um dos fundadores do IHGG e seu presidente perpétuo, outro ponto de convergência entre as histórias do Instituto e da Universidade. Além de sua contribuição para a preservação histórica e geográfica de Goiás, ele teve um papel central no desenvolvimento cultural e educacional do estado, sendo também um dos fundadores da Academia Goiana de Letras”.

Fundado em 1932, na cidade de Goiás, o IHGG fica na Rua 82 nº 455, no setor Sul, em Goiânia, e é um ponto turístico da cidade, destacando-se pela arquitetura art déco e por sua cor rosa no conjunto de prédios da Praça Cívica. O local é um espaço de guarda e preservação de documentos, publicação de revistas, além de abrir eventos artísticos e culturais.

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