Os alunos tem participado das atividades do Clube do Livro José Naves, comemora amanhã um ano, lendo uma obra por mês

 

O Clube do Livro do Colégio Estadual José Rodrigues Naves, da cidade de Goianira, comemora nesta sexta-feira, dia 26, o seu primeiro ano de funcionamento, mantendo um importante marco neste semestre: a leitura e discussão de uma obra literária por mês. As atividades começaram em março, com “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, que representa o romantismo; em abril, o romance realista “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; em maio, o romance naturalista “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo; e neste mês, representando a escola literária do pré-modernismo, foi debatido com os alunos a obra “Canaã”, de Graça Aranha. A professora Maria Dolores conduziu com maestria os debates, conseguindo extrair o melhor dos alunos.

No debate do dia 23 deste mês o presidente do Clube do Livro José Naves, professor Marcos Fernandes de Faria, coordenador da biblioteca dessa escola pioneira da cidade de Goianira, agradeceu o apoio do ex-prefeito Carlos Alberto Andrade Oliveira (Carlão da Fox) e do vereador Adriel Godoi, “que muito tem contribuído com nossas iniciativas”.

 

Graça Aranha

Principal romance de Graça Aranha, publicado em 1902, “Canaã” revela o compromisso com os temas e a estética configurados pelo realismo e pelo naturalismo, correntes literárias que começavam a perder sua presença hegemônica nos inícios do século XX. Não obstante pertencer a uma geração anterior à dos autores modernistas, o autor empenhou-se em compreender e refletir a atualidade brasileira não somente nesse livro como nos ensaios reunidos em “A estética da vida” e “O espírito moderno”.

O seu marcante discurso “A emoção estética na arte moderna”, proferido na inauguração da Semana de Arte Moderna de 22, no Theatro Municipal de São Paulo, foi seguido dois anos depois por outro discurso, ainda mais polêmico, “O espírito moderno”, pronunciado na Academia Brasileira de Letras. Ambos evidenciavam a preocupação de Graça Aranha com as transformações estéticas, sociais e filosóficas que movimentavam naquele momento histórico o pensamento e as artes brasileiros. Estruturado em torno dos fatos decorrentes da imigração alemã no Sul do Brasil, construiu em “Canaã” um romance de ideias, ou de tese, como o classificou Olívio Montenegro em seu livro “O romance brasileiro”.

Em 1890, nomeado juiz municipal para Porto do Cachoeiro, no estado do Espírito Santo, Graça Aranha conheceu in loco a região que serviria de cenário e possibilitaria transformar-se em inspiração para a concepção e a realização do seu romance.

Escritor e diplomata pertencente ao movimento pré-modernista no Brasil, José Pereira da Graça Aranha nasceu em 21 de junho de 1868 em São Luís, capital do Maranhão, filho de Temístocles da Silva Maciel Aranha e de Maria da Glória da Graça; e faleceu em 1931. Foi um dos fundadores da ABL em 1897, sendo titular da Cadeira nº 38, cujo patrono foi Tobias Barreto. Ele representa na cultura brasileira o traço de união e, ao mesmo tempo, de ruptura entre duas épocas: aquela já considerada como passadista e influenciada pelas teorias germânicas de Tobias Barreto e Sílvio Romero, e o movimento da vanguarda modernista que eclodiu com a Semana de Arte Moderna, na qual exerceu um papel preponderante.

 

Comentários

De acordo com o presidente do Clube do Livro José Naves, professor Marcos Fernandes de Faria, os alunos comentaram “a desigualdade social retratada na obra; a visão do imigrante alemão sobre o povo brasileiro (o personagem Mikal acredita que a associação das raças trará algo positivo, e o personagem Lentz vê o negro como um fraco e preguiçoso, a ser submetido à raça ariana)”. “As personagens Maria e Mikal buscam alcançar, transpassando vários desafios, a tão sonhada Canaã (a terra prometida bíblica), idealizada por cada um deles”, relataram.

“Acho interessante destacar também como os alunos apontaram que a obra, apesar de ter sido escrita há tempos, apresenta verossimilhança com a realidade atual – preconceito, xenofobia, racismo, machismo”, explicou. Disse que uma aluna destacou que a imagem que o Mikal tinha do Brasil era bastante idealizada e que “a situação vivenciada por Maria promovia uma ruptura na idealização que ele fizera da terra”. Comentaram também que Canaã “não seria um lugar já existente, mas um futuro utópico ou um estado de espírito, uma esperança”.

 

https://aredacao.com.br/clube-do-livro-jose-naves-completa-1-ano-com-leitura-mensal-de-obras/

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