Núcleos familiares criam tradição e se reúnem anualmente em encontros de confraternização

A família Naves brasileira tem mais de 360 anos. Começou com a chegada ao Brasil, provavelmente em 1650, do português João de Almeida Naves, que nasceu em 1624 na vila Fornos de Algodres, distrito da Guarda, região central de Portugal. Ele se casou, em 1655, na capital paulista, com a paulistana Maria da Silva Leite, e o casal, que formou a primeira geração, teve sete filhos, dos quais cinco assinando ‘de Almeida Naves’: José, Izabel, Maria, Joana, Turíbia, Florência da Silva Naves e Úrsula. João conseguiu formar grande fortuna e se fixou em Santana do Parnaíba, SP, de onde seus descendentes se espalharam pelo país.

Dos sete filhos, Florência da Silva Naves, da segunda geração, que nasceu em Santana do Parnaíba, casou-se em 1714 em sua cidade natal com Domingos Lopes da Silva, nascido em Angra dos Reis, RJ, com quem teve apenas um filho, que adotou o nome do avô materno. Eles formaram a grande família Naves brasileira. João de Almeida Naves (neto), da terceira geração, casou-se com a paulista de Taubaté, Luzia Moreira de Afonseca, e tiveram oito filhos: Josefa, Florência Maria, Anna Angélica, João Naves Damasceno, Bartholomeu, Francisco, Rita e Manoel, que se mudaram para Minas Gerais, tendo os filhos nascidos em Carrancas e Lavras.

Desses oito filhos (quarta geração), apenas um deu sequência ao nome da família e de quem todos os Naves conhecidos são descendentes: João Naves Damasceno, nascido em Lavras, MG, casou-se em 1786, em sua cidade natal, com a mineira de Prados, Anna Victoria de São Thomé. Eles tiveram 12 filhos, que formam a quinta geração: Francisco, João, Miguel José, Venâncio José Naves, Joaquim, José Francisco Naves, Prudenciana, Antônio Manoel, Manoel Antônio Naves, Diogo José, Maria Rita Naves e Ana Esméria. Desses, dois vieram para o Triângulo Mineiro, Venâncio José e José Francisco, deram origem a uma lenda, de que teriam vindo de navio para o Brasil e aqui adotaram o nome, o que foi desmentido pelos documentos levantados por dois pesquisadores: Nilson N. Naves, que organizou a árvore genealógica da família, e Maria Helena Cardoso Fernandes, que elaborou o primeiro livro sobre os Naves, centrando seu trabalho nos familiares que nasceram nessa região mineira.

Desses 12 filhos de João Naves Damasceno e Anna Victoria de São Thomé, quatro tiveram uma aproximação maior e seus descendentes acabaram caminhando juntos, formando novos núcleos familiares, que se fixaram no Triângulo Mineiro. Dois desses segmentos, os de Imorvides Naves e de Francisco de Paula Naves, criaram uma tradição de se reunirem anualmente e seus encontros têm se ampliado a cada edição, reafirmando a união entre eles e ressaltando a forma como estreitam seus laços familiares. Coincidentemente, eles se reúnem no próximo final de semana, dias 14 e 15, em seus encontros anuais, um em Goianésia, na 15ª edição, e outro em Uberlândia, MG, na sexta edição.

Imorvides Naves

O núcleo de Imorvides Naves tem sua ascendência em dois filhos de João Naves Damasceno e Anna Victoria de São Thomé, Venâncio José e José Francisco, ambos nascidos em Lavras e que se mudaram de região em busca de novas oportunidades.

Venâncio José, de 1796, casou-se duas vezes; com a primeira, a conterrânea de Bom Sucesso, Gertrudes Maria da Silva, teve oito filhos, que formam a sexta geração: Manoel, Anna Victoria, Maria Cândida, José Venâncio, Joaquina Maria, Venâncio Naves Damasceno, Felizarda Cândida e Francisco. O casal instalou-se na Freguesia de Água Suja da Bagagem, atual município de Bagagem, MG. Ele casou-se pela segunda vez, agora com Geralda Cândida de Oliveira, com quem teve igualmente oito filhos (sexta geração): Maria Rosa, João Venâncio, Antônio Pereira, Joaquim Venâncio, José Pereira, Ana Cândida, Felizarda Cândida e Francisco.

José Francisco, que nasceu em 1802, casou-se duas vezes, a primeira, em 1826, com Anna Rosa de Jesus, sua conterrânea de Bom Sucesso, MG, e eles tiveram 12 filhos (sexta geração): Maria Victória, Manoel Prudêncio, Anna Rosa, Joaquim, José Joaquim, Maria Rita, João, Antônio Joaquim, Moysés, Messias Cândida de Jesus, Fortunato e Maria Rosa.

Messias Cândida de Jesus, que nasceu em Araguari, MG, em 1843, casou-se com Mariano Pereira Cardoso e tiveram cinco filhos (sétima geração): João Messias, Balbina, Maria, Antônia e Ana.

Venâncio Naves Damasceno casou-se, em 1861, em Indianópolis, MG, com sua prima Maria Rosa, filha dos seus tios José Francisco Naves e Anna Rosa, e tiveram sete filhos (sétima geração): José Antônio, Maria Custódia Naves (Samarica), Anna Custódia, Izaura Custódia, Delmira Rosa, Geralda Cândida e Geraldo.

Mineiros de Nova Ponte, do século anterior, os primos João Messias Naves e Maria Custódia Naves casaram-se naquela cidade do Triângulo Mineiro, possivelmente em 1886, e tiveram oito filhos (oitava geração): Alice, Clisséria, Haidê, Imorvides, Adélia, Amélia, Odilon e Diná.

Integrante da oitava geração dos Naves brasileiros, Imorvides, mineiro de Nova Ponte, fixou-se em Corumbaíba, GO, onde se casou três vezes, mudou-se para Goianésia, GO, com seu núcleo familiar e formou uma grande família, unida, que se reúne anualmente há 15 anos.

Francisco de Paula Naves

A história do núcleo de Francisco de Paula Naves, que nasceu em Monte Alegre de Minas, em 1896, e depois se mudou para Goiás, tem igualmente o envolvimento de dois filhos de João Naves Damasceno e Anna Victoria de São Thomé: Manoel Antônio Naves e Maria Rita Naves, da quinta geração de Naves do Brasil.

Mineira de Lavras, onde nasceu em 1809, Maria Rita casou-se com Alexandre Esmayel de Assis (o nome é grafado também como Alexandre Antônio de Carvalho), e tiveram oito filhos (sexta geração): Anna, Maria, Prudenciana, José Joaquim, Messias, Francisco de Paula Naves, João e Rita.

Francisco de Paula Naves, que nasceu em Lavras, em 1933, casou-se com sua prima Umbelina Rosa Naves, filha de Manoel Antônio Naves e Anna Rosa Sampaio da Silva, com quem teve sete filhos (sétima geração): Zulmira, Evaristo, Américo, Nemésio, Francisco, Lindolfo e Orocíbio.

Américo Brasiliense Naves, também mineiro de Lavras, casou-se com Maria Januária, que tinha o apelido de Mariquinha, e tiveram seis filhos, formando a oitava geração: Messias Brasiliense, Francisco de Paula, José Américo, Belmira Cândida, Américo de Paula e Maria Cândida.

Francisco de Paula Naves casou-se com Maria Jesuína de Campos, sua contemporânea, nove anos mais nova, e tiveram 14 filhos: João Sebastião, Jerônimo de Paula, Maria Aparecida, América, José de Paula, Francisca, Umbelina, Osvalda, os gêmeos Sebastiana e Sebastião, Filomena, Eurípedes, Divino de Paula e Waldemar de Paula.

São Geraldo

Sevan Naves

Um terceiro núcleo familiar, com a mesma ascendência, vai se reunir também no sábado, dia 14. O empresário Sevan Naves, que nasceu no então distrito goianiense de São Geraldo, hoje Goianira, criou a tradição de promover anualmente, em outubro, em sua fazenda no município de Arenópolis, no oeste de Goiás, uma homenagem ao seu santo padroeiro, com missa e festa. Ele fez um trabalho pioneiro, de instalação de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) naquela região, no rio Caiapó.

É igualmente descendente de João Naves Damasceno e Anna Victoria de São Thomé, mais especificamente de dois filhos, Venâncio José e José Francisco. Venâncio era pai de José Pereira Naves (sexta geração), em seu segundo casamento, com Geralda Cândida de Oliveira. José Pereira Naves, mineiro de Nova Ponte, onde nasceu em 1854, casou-se com Maria Cândida Rodrigues da Cunha, mineira de Araguari, filha de José Rodrigues da Cunha e Maria Thereza de Godoy, e eles tiveram dois filhos (sétima geração): José Rodrigues Naves e Joaquim.

José Rodrigues Naves, mineiro de Nova Ponte e que depois se mudou para Goiás, casou-se com sua prima Elvira Rosa Naves, filha dos tios Antônio Joaquim Naves e Anna Rosa Naves de Oliveira, e tiveram nove filhos (oitava geração): Raulino, Raul, Antônio, Joaquim, Maria Cândida, Manoel, Sebastião, João e José.

Caçula, nascido em Araguari, em 1915, José Rodrigues Naves Júnior mudou-se aos 20 anos para a nova capital goiana que estava surgindo e comprou o Cartório de Registro de Pessoas do distrito de São Geraldo. Ali se instalou, participou da criação da União Democrática Nacional (UDN), foi vereador por quatro mandatos consecutivos em Goiânia, quando emancipou Goianira, em 1959, onde foi vereador por mais dois mandatos e Prefeito da cidade. Casou-se com a trindadense Maria Luíza e eles tiveram nove filhos: José Osório, Raulindo Heinzelman, Maria Aparecida, Elvira Luíza, Sevan Naves, Jales, Fátima Rosa, Regina Cândida e Eliza Mônica.

12 thoughts on “Família Naves brasileira

  1. Estou a procura da família de Deusdete Manoelino Naves.
    Meu pai é registrado no nome dele, porém minha avó tirou o direito de conhecê-lo.
    Sabemos que ele faleceu há mtos anos,mas meu pai tem uma vontade enorme de saber se tem irmãos por parte de pai.
    Obrigada

    1. Bom dia, Rafaela. Tudo bem. Só agora estou vendo seu comentário.
      Gostaria que você me fornecesse o nome completo, com local (cidade) e data (dia, mês e ano) de nascimento de seus avós, os nomes dos pais dele e dos filhos que tiveram, para fazermos uma pesquisa em nossos arquivos. Qual é o nome completo de seu pai, em que cidade nasceu e em que data? Quantos irmãos teve e o nome completo deles, com cidade e data de nascimento. E dos filhos que teve. Como se chama sua mãe? Qual o nome dos pais dela? Em que cidade nasceu e em que data? São indicativos para se ir atrás de mais informações.
      Temos interesse em ajudar.
      Um abraço,

      Jales Naves

  2. Meu nome é Ademir Nunes Naves sou filho de Afrânio ferreira Naves. Sou neto de Epaminondas Teodoro Naves,e Luiza Ferreira Naves, tenho muito orgulho de ser um Naves, mais sei muito pouco da minha família. Gostaria de saber mais,se alguém puder me ajudar fico muito grato, ZAP 64-98432.4850

    1. Sou João Victor Reis Naves, filho de Maria Emília Damasceno Naves, neto de Eurípedes Sebastião Naves, moro em governador valadares.

  3. Boa tarde! Minha mãe perdeu sua família materna. Sua mãe Laura Naves, faleceu quando ela tinha quatro anos de idade. Nunca mais ela soube da família da mãe.
    Os pais da Laura Naves eram Nho Naves e a mãe dela era Isabel Naves. Os irmãos da Laura, eram luzia, Conceição, Zeca, Terezinha, Benedito, Estevam, Rubens. Essas são suas lembranças. Minha mãe só teve um irmão de sangue que já faleceu. Meu avô casou se depois de anos e teve outros filhos com outra esposa. Mas com a Laura Naves, somente minha mãe Geni, e seu irmão. Ela lembra da cidade de Rio do Peixe.

  4. Desde criança eu escuto a história da minha tataravó Mariana Naves, sempre me contaram que ela era filha de um fazendeiro muito rico de Minas Gerais e que foi deserdada pelo pai por ter se apaixonado por um negro. Sabemos pouco dela e de seu pai.. mas sempre quis saber nossa origem e entender o que realmente pode ter acontecido pra ela ter sido deserdada. Se vocês souberem de alguma história de familia que seja antiga a esse ponto, que fale de um fazendeiro que deserdou sua filha Mariana Naves eu gostaria de saber.. meu email é leticia2.jorge@gmail.com

  5. Meu sobrenome é Naves, mas o nosso “Naves” é de origem hispânica. Minha avó se chamava Clement Naves e se fixou no Paraguai, antes de vir para o Brasil. Depois conheceu meu avô Urias Tavares de Oliveira. Eles se conheceram em Goiania e se mudaram para Araguari.

  6. Naves é um apelido de origem judaica, e que existe em Portugal deste a independência. Os Naves eram predominantemente comerciantes e abastados. Desde a Idade Média que a população judaica era olhada com alguma desconfiança, tanto em Espanha como em Portugal. E isso tinha uma causa: os judeus trabalhavam para o rei na cobrança das rendas e na organização da contabilidade pública. Os ocasionais ataques a judiarias tinham quase sempre esta motivação. Mas mantinha-se a tolerância quanto à religião. Faz este ano 525 anos que D. Manuel I assinou o édito de expulsão dos judeus, uma condição imposta por Espanha para que casasse com D. Isabel, em que milhares judeus tiveram de escolher entre a expulsão ou a conversão a cristãos novos (muitos mudaram o apelido para Neves). Os que fugiram para a Holanda (ou foram aniquilados durante a 2ª guerra pelos nazis ou fugiram de novo para os EUA), os mais abastados fugiram para o Brasil, e os que cá ficaram refugiaram-se na Raia (fronteira Portugal-Espanha) nas zonas das Beiras e do Alentejo (menos povoadas) e em locais como Belmonte, Almeida, e Flor da Rosa, Portalegre (de onde é originária a minha família). Ainda hoje Belmonte é um local de predominância judaica, com a sua sinagoga e cultos próprio. Acontece actualmente que os governos da Espanha e de Portugal aprovaram leis de restituição para oferecer cidadania aos descendentes daqueles expulsos pelas inquisições espanhola e portuguesa no final do século 15 e início do século 16. Essa é a razão por que judeus estão voltando a Portugal séculos após antepassados serem expulsos e massacrados. Penso que todos os Naves serão bem-vindos, pois em Portugal somos menos de dez famílias com cerca de 50 cidadãos.

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