Elma e um de seus quadros (Foto do álbum de família)

 

 

 

 

        

Desde a década de 1980 “em experimentações com materiais, cores, linhas e formas, movida por uma inquietação criativa que nunca a abandonou”, como ressaltou a escritora Maria Abadia Silva, a artista visual Elma Carneiro, 85 anos, que faleceu em abril deste ano, tem 20 de seus quadros em exposição no “Café com Arte na Casa Rosada”, no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A mostra ‘Estados D’Alma’, aberta na quinta-feira, dia 11, é coordenada por sua irmã, Jane Ribeiro Carneiro de Freitas, que vinha organizando essa exibição há meses, foi surpreendida com seu falecimento e manteve esse desejo dela de apresentar seu trabalho. Ficará em cartaz até o final deste mês.

Seu ateliê, que se confundia com o próprio espaço doméstico, “era um território vivo: vidros, pincéis, tintas, papéis, panos, livros e revistas coexistiam entre telas antigas, recentes e outras ainda em processo”, escreveu Maria Abadia. Ela fechou os olhos pela última vez no dia 20 de abril. “Permanece, contudo, o que nunca se cala: sua obra, seu legado, quadros que são também memória, presença e continuidade”.

“Elma habitava entre o gesto e a pausa, entre o visível e o que ainda estava por emergir. Transitou pelo paisagismo e pelo figurativo até afirmar, com convicção, que não pintava por hobby, mas por inteiro, de corpo e alma. Sua trajetória a conduziu ao encontro profundo com o expressionismo abstrato, movimento que dialogava com suas próprias inquietações internas e sua busca por uma linguagem essencial”, completou a escritora.

 

Quem era

Nascida em Cristianópolis, GO, em uma família tradicional de Goiás, cresceu entre vínculos afetivos sólidos e uma formação marcada por instituições igualmente tradicionais. “Casou-se, separou-se, viveu intensamente os laços familiares e de amizade, sempre participando de forma ativa no tecido cultural e artístico”. Estudou no Instituto de Artes da Universidade Federal de Goiás, no Centro de Artes da professora e artista Maria Guilhermina e na Fundação Jaime Câmara, consolidando uma trajetória marcada pela pesquisa e pelo desenvolvimento artístico contínuo.

Ao longo de sua carreira participou de importantes exposições coletivas, mostras, festivais e salões de artes em Goiás, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, recebendo reconhecimento por meio de premiações, seleções e menções honrosas. Participou dos festivais de arte de Inhumas, Semana de Artes Plásticas da AABB, no Levante Centro-Oeste e em exibições promovidas por instituições culturais e universidades.

Além de sua produção artística, teve relevante atuação na gestão cultural, sendo responsável pela implantação da Galeria de Arte Popular Sebastião dos Reis, por meio da Fundação Cultural Pedro Ludovico, exercendo, posteriormente, a função de curadora do espaço entre 1993 e 1994. Realizou exposições individuais em Goiânia e possui obras em coleções particulares no Brasil e no exterior, com trabalhos presentes nos Estados Unidos e na Alemanha.

Terceira das cinco filhas do casal Godofredo Machado Carneiro e Maria Ribeiro Carneiro, Elma é neta, pelo lado paterno, de Isabelina Naves Carneiro.

 

https://aredacao.com.br/quadros-de-elma-carneiro-ficam-em-exposicao-no-ihgg-ate-o-final-do-mes/

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