Rua Francisco Sales, em Lavras, MG, 1958. Foto do site sobre a cidade

 

 

 

 

         Integrante da quinta geração dos Naves brasileiros, nascido em Lavras, no ponto de confluência entre o sul e o oeste de Minas Gerais, em 1782, Francisco de Sales Teixeira de Almeida Naves deixou seu nome na história mineira. Coletor de impostos, cargo de relevância naqueles tempos, casou-se com sua conterrânea Ignácia Michelina de Santana Pedrosa, 10 anos mais nova, e eles tiveram oito filhos, que posteriormente se mudaram para uma região próxima e figuram entre os responsáveis pela fundação da cidade mineira de São Sebastião do Paraíso, na divisa com São Paulo. Nesse município tiveram fazendas e trabalharam com café, plantando e comercializando o produto.

Como seus pais, João Naves Damasceno e Anna Vittoria de São Thomé, eram católicos, seu nome foi uma homenagem a Francisco de Sales, declarado santo e doutor da Igreja, famoso por sua profunda fé e pela abordagem gentil aos conflitos religiosos que inflamaram sua Diocese, no Ducado de Saboia, França, durante a reforma protestante. Possivelmente, deve ter nascido no mesmo dia e mês do santo. O sobrenome Teixeira vem de seu avô português materno, Antônio José Teixeira.

Francisco de Sales casou-se com Ignácia, neta de Teresa Maria de Jesus e do capitão Frutuoso Dias de Oliveira, fazendeiro e cidadão de destaque no Brasil colônia. Nascido em São Salvador de Pena Maior, no Bispado do Porto (Portugal), o capitão imigrou para Minas Gerais e estabeleceu sua família na região de Aiuruoca e São João del-Rei no século XVIII. Sua trajetória está em registros históricos e genealógicos: proprietário da Fazenda Macaia, requisitou terras no termo da Vila de São José, o que demonstra sua influência econômica na época; exerceu papel destacado na administração de bens da família, sendo testamenteiro e inventariante nos processos de óbito de seu sogro e, posteriormente, de sua esposa, falecida em 1791. Faleceu em dezembro de 1800, deixando um testamento detalhado que hoje serve como fonte primária essencial para historiadores e genealogistas estudarem a ocupação de Minas Gerais.

 

Família

         Francisco de Sales Teixeira de Almeida Naves e Ignácia Michelina de Santanna Pedrosa, ela de 1792, filha de João Pedroso Ferreira e Antônia Miquelina de Oliveira, casaram-se na Ermida de São Bernardo do Macaia, filial da matriz de São João del Rei, em 05.03.1810, e tiveram oito filhos, sete homens e uma mulher, todos nascidos em Lavras. No Censo de 1831 eles residiam em Bom Sucesso, na Casa 92, com sete filhos e dois escravos.

Batizado em 24.10.1813, o primogênito, Joaquim Maximiano Naves, teve como padrinhos o bisavô João de Almeida Naves e Francisca Maria de Jesus, conforme registrou o boletim “Notícias de Naves”, edição nº 254, de 16.09.2013.  O segundo filho, Bernardo José Naves, era muito próximo de Joaquim, e os dois se mudaram, logo que se casaram, para Jacuí, onde compraram fazendas e atuaram como cafeicultores. Joaquim foi delegado de Polícia em São Sebastião do Paraíso. Levaram com eles a irmã caçula, Bárbara Miquelina Pedrosa Naves, que fora batizada em 15.12.1933, e já estava casada com José Justino, da família Souza.

Todos os filhos de Francisco de Sales Naves e Ignácia se mudaram, em data posterior, para São Sebastião do Paraíso: José, Francisco, Venâncio, Jerônimo e Antônio José. Nos registros familiares, conforme o pesquisador Osvaldo Pereira Coelho Júnior, as viagens dos irmãos Bernardo e José pela região, inclusive Araguari, MG, para comercialização do café, levando o produto ensacado nas costas de burros.

Nas anotações, Ignacia Miquelina Pedrosa de São José faleceu em São Sebastião do Paraíso em 1854 e foi enterrada com hábito da Terceira Ordem do Carmo (Ordem Carmelita Secular). A mãe acompanhou os filhos e era devota de Nossa Senhora do Carmo.

 

https://aredacao.com.br/francisco-naves-da-quinta-geracao-da-familia-destacou-se-em-minas/

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