Dorinha

 

Acolhedora. A palavra sintetiza a personalidade e a trajetória da professora Maria Helena Fernandes Cardoso, a querida Dorinha, autora da história da família Naves no Brasil, que faleceu aos 90 anos, de infarto, nesta sexta-feira, dia 22, em Uberlândia, MG. O velório será na Funerária Ângelo Cunha, Sala Lavanda (Rua Professor Pedro Bernardo, 252, centro), das 8h às 13h; e o sepultamento às 13h30, no Cemitério Campo do Bom Pastor.

O livro sobre os Naves brasileiros, lançado informalmente em 2012, durante o II Encontro Nacional da família Naves, em Araguari, MG, foi editado agora para resgatar os 375 anos da presença dos Naves no Brasil, a partir da chegada do pioneiro João de Almeida Naves, provavelmente em 1650. Nesse trabalho, contou com a colaboração de familiares de todo o país, em especial de sua irmã Vicentina Naves Fernandes e do jornalista Jales Naves.

Dorinha não se casou e nem teve filhos, e criou muitos, sobrinhos e primos, que recebeu em sua casa, em todo esse período. Foi uma mãe, que acolheu centenas de parentes que a procuravam, para estudar, em busca de tratamento médico ou mesmo em visita à cidade, e não deixou ninguém ficar de fora.

.         Ela e a irmã caçula, Vicentina Naves Fernandes, dedicaram boa parte de suas vidas no levantamento de informações e na elaboração do texto final que construiu, organizando a história da família, rica em detalhes. É uma das mais importantes obras sobre uma família já escrita no Brasil, mostrando como viviam os brasileiros naquele início da construção de uma Nação e como foi a participação de cada um nesse processo.

Trajetória

         Tranqüila e atenciosa, Dorinha, que morava em Uberlândia, sempre foi o referencial nesse trabalho de levantamento de dados e informações sobre a família Naves. Criteriosa e determinada, obteve documentos da maior importância no resgate histórico, inclusive o inventário de Venâncio José Naves, até aquele momento o parente mais distante já identificado.

Dorinha não assinava Naves, mas era uma legítima representante da família, que conhecia como poucos, tendo convivido com alguns familiares mais antigos, como os bisavós maternos Manoel Cardoso Naves (Pai Neca) e Anna Rosa Naves, e os avós maternos José Naves de Oliveira (Zé Rosa) e Luiza Cardoso Naves, que eram primos.

Mineira de Estrela do Sul, filha de Anéia Naves, natural de Irai de Minas, e Vicente Fernandes da Silva, era a filha do meio de três irmãos, e contou com o apoio, na pesquisa, da irmã caçula, Vicentina Naves Fernandes, falecida em 2007. O primogênito da família, Sebastião Cardoso, 95 anos, reside em Belo Horizonte, casado com Marlene Soares e eles têm cinco filhos, todos assinando Soares Cardoso Naves: Túlio, Marcelo, Vicente, Lyzia e Hermes, e pelo menos oito netos.

Ela começou suas atividades no magistério como professora e orientadora do ensino fundamental, médio e superior. Depois, foi coordenadora pedagógica em escola polivalente (Programa de Expansão e Melhoria do Ensino – Premen/MG) e professora do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia.

Professora aposentada da Universidade Federal de Uberlândia, ela fez graduação em Administração Escolar, Pedagogia e Supervisão Escolar (Premen/MG), em Belo Horizonte, na UFMG. O Mestrado em Educação foi na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), SP, área de concentração em Administração Escolar, além dos créditos para o Doutorado também na Unicamp, que não chegou a completar, faltando fazer a defesa da tese.

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