O mercado financeiro tem vivido situações peculiares nos últimos anos e exige, de seus gestores, a permanente atenção na correta análise de suas movimentações e humores e imediata decisão frente aos fatos novos. Qualquer vacilo pode comprometer anos de construção e levar prejuízo a toda a comunidade. Conhecer o sistema, acompanhar suas oscilações e tomar a medida adequada no momento certo pode fazer a diferença.

Ao pesquisar e escrever a história do Cooperativismo de Crédito em Goiás encontrei um episódio especial, resolvido por um goiano, que é representativo. A pronta decisão de seus dirigentes deu a solução para o problema, fortaleceu e consolidou toda a sua estrutura.

O fato aconteceu em 2008 e envolveu o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) e seu Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), então com 10 anos de atuação no mercado.

Presidente também do Sicoob Goiás Central, José Salvino de Menezes assumiu a presidência da Confederação das Cooperativas de Crédito do Sicoob em meio à crise financeira mundial, que arrastou economias e trouxe muitas dificuldades. Ele não titubeou ao se deparar com um problema grave, de erro na precificação de ativos de Fundos de Investimentos, quando Cooperativas receberam mais do que deveriam, em valores altos para o sistema (R$ 105 milhões), diante de um patrimônio líquido do Bancoob de R$ 170 milhões. Esse deslize traria sérios prejuízos ao Cooperativismo de Crédito e ao próprio banco.

“Sempre sereno e tranquilo em suas ações, José Salvino não se abalou e tratou de buscar uma rápida solução. Sua despreocupação era maior porque o Sicoob Goiás Central fora a única instituição a não se beneficiar com esse erro de cálculo. Reuniu sua equipe técnica e passou a analisar as alternativas para costurar uma solução nesse curto prazo”, disse o então superintendente da Confederação, Marco Aurélio Almada, eleito presidente do Bancoob em 2009.

Foi uma engenharia financeira bastante complexa, com intensa pressão, uma negociação dificílima, diante das possíveis complicações e das tratativas com o Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários e as 15 Cooperativas Centrais. A decisão, em novembro daquele ano, de transferir o Departamento de Tecnologia do Bancoob e o seu Sistema de Informática (SisBR) para a Confederação e suas Cooperativas, pelo valor da dívida, com prazo de cinco anos para pagar, atendeu a todos, consolidou o banco e manteve na instituição o seu parque tecnológico.

O resultado foi mais expressivo ainda: a manutenção e posterior expansão dessa área estratégica deu nova dimensão à Confederação e ao seu trabalho pelas Cooperativas.

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