Um sonhador, como ele próprio se define, com sonhos realizados e outros não, mas que não perdeu a capacidade de continuar sonhar.

Raulindo Heinzelman Naves

Raulindo Heinzelman Naves

Ao contrário do filósofo, para quem uma grande caminhada começa com o primeiro passo, ele tem outro ponto de vista: uma grande caminhada começa com um sonho, e partir daí é que são dados os passos, inclusive o primeiro. “Tudo o que se faz é fruto de um sonho. Nenhum empreendimento é feito por técnica, e sim como resultado de um sonho, para depois vir a técnica, para colocá-lo em prática”, diz. Assim é Raulindo Heinzelman Naves, goianirense, casado, três filhos, advogado por formação que se dedicou, a vida inteira, ao Serviço Público, como gestor competente, que chega aos 65 anos, neste 2006, realimentando novos sonhos. O mais importante deles numa área a que sempre teve ligação, o esporte, e com o qual pretende dar sua contribuição à inclusão social de crianças e adolescentes de famílias de baixa renda.

Não gosta de ser contestado e em função de alguma contrariedade seu humor varia muito, mas quem o conhece releva esses momentos para ter uma convivência agradável e interessante com ele. Raulindo gosta de uma cerveja bem gelada, uma boa conversa na mesa do bar, e de música, tendo uma coleção apreciável, desde os boleros à música popular. O irmão mais velho, José Osório, com quem mais conviveu e por quem tem muita admiração, resume bem o seu perfil: “É um irmão excelente, fiel à irmandade, inteligente, altamente organizado, um administrador à mancheia e com qualidades reconhecidas por administradores que sempre o querem ao seu lado”, disse, para citar três: Orlando de Morais Lobo, Dione Craveiro e René Pompeu de Pina, com quem trabalhou na Cotelgo/Telegoiás, Dentel e Sudeco, respectivamente.

Para ele próprio, a vida tem sido uma seqüência de desafios, em especial para recuperar e reorganizar entidades, enumerando, como exemplo, a então Superintendência das Obras de Pavimentação Asfáltica da Capital (Pavicap), autarquia do Município de Goiânia, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), também da Prefeitura Municipal, a Superintendência do Desenvolvimento da Região Centro-Oeste (Sudeco), em Brasília, a Caixa de Assistência à Saúde dos Empregados da Celg (CelgMed), também de Goiânia e, mais recentemente, o Goiânia Esporte Clube, time de seu coração, que está reestruturando, resolvendo pendências e onde pretende desenvolver o seu projeto social.

Dentre os projetos, um ele dedicou à família e o executou durante 24 meses, a partir de 2003: o “Naves News, jornal no formato A-4, com muitas fotos e pouco texto, sobre o seu segmento familiar (da família do Zé Navinho), que foi um grande sucesso.

INFÂNCIA PRIVILEGIADA

Goiano de Goianira, onde nasceu, quando ainda era distrito de Goiânia, no dia 25 de fevereiro de 1941, seu nome foi uma homenagem do pai, José Rodrigues Naves Júnior, aos dois tios mais velhos: Raulino Rodrigues Naves, por parte do pai, e José Heinzelman da Silva, pela mãe, Maria Luíza, resultando num nome composto, Raulindo Heinzelman, que se torna difícil explicar. Teve uma infância privilegiada, como ele próprio ressalta, de muitas atividades, e estudando em bons colégios. Os 10 primeiros anos de sua vida foram no tranqüilo povoado de São Geraldo, onde os parentes ocupavam algumas das principais casas: ele, que se destacava no futebol, participava do grupo de crianças que gostava de jogar bola e estava sempre reunido para discutir esse esporte. O especial destaque foi para a Copa do Mundo de 1950, que acompanhou pelo rádio e ficará eternamente em sua memória, pelo resultado final. E ainda, como a família era muito ligada à religião católica, como coroinha ajudava na celebração da missa dominical, o grande evento da semana naquele povoado. Em 1951 ele se mudou com a família para o bairro de Campinas, em Goiânia, tendo estudado no Colégio São Francisco, que ficava na Vila Coimbra, continuou ligado às atividades da Igreja, na Matriz, e, por influência da família, atendendo a convite dos padres redentoristas, em 1952 frequentou o Seminário São José, na Vila São José, em Goiânia – por apenas dois dias, não completando o período normal de dois anos que todos os outros alunos cumpriam para ir para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, SP -, e em seguida, já matriculado no seminário, viajou para São Paulo, onde permaneceu por seis anos. Desse período, as boas lembranças quanto à disciplina para o estudo, a intensa atividade esportiva, por serem adolescentes em crescimento, e a parte cultural, de erudição musical, chegando a fazer um ano de piano, de iniciação, logo optando pelo órgão, e atuando também no teatro e no coral.

Como vocação não é a vontade externa, como a dos pais, por exemplo, e sim uma missão apostólica, do gosto pelo estudo, dependendo de uma série de questões outras, ele acabou deixando o noviciado, que já havia iniciado, e voltou para Goiânia; esse rigor nos estudos o favoreceu, pois conquistou o primeiro lugar no vestibular para Direito, na Universidade Católica de Goiás, em 1961, segunda turma. O primeiro emprego foi na Rádio Difusora de Goiânia, nas áreas comercial e artística, onde implantou a Equipe de Esportes, comandada por Lisita Júnior e Draulas Vaz, experientes, resultando em sucesso, e uma equipe de futebol, que integrava e disputava partidas em cidades próximas, como Trindade e Palmeiras de Goiás. Trabalhava na rádio durante o dia e, à noite, ia para a Universidade, não sobrando tempo para as atividades estudantis. “Naquela época, a movimentação política era mais na Universidade Federal de Goiás; na Católica, o que sobressaia eram os shows artísticos e musicais, por exemplo, com Nara Leão e Chico Buarque, que eles promoveram.

Raulindo Naves e Ana Eulália de Souza Naves

Raulindo Naves e Ana Eulália de Souza Naves

PRIMEIROS SONHOS

Nessa época começaram os sonhos. Na Rádio Difusora ele tinha um programa, intitulado “Hora Social; ao mesmo tempo, atuou no jornal “Diário do Oeste, com uma página sobre o bairro de Campinas – quando idealizou e lançou uma campanha pela emancipação do bairro, diante de sua grande população e arrecadação de tributos. Reuniu várias lideranças, dentre os quais o alfaiate e radialista Luiz de Oliveira Machado, na época em que era prefeito o médico Hélio de Brito, mas o movimento não prosperou. Participou da revista mensal “Oásis, na qual respondia pela parte social e editorial, inclusive escolhendo a capa, quando estampava o rosto de uma bela jovem, dentre as quais a nossa irmã, Cida. Chegou a fundar um jornal, o “Semanário de Campinas, no qual atuaram o seu irmão José Osório Naves e o amigo João Bosco Siqueira, o Bosquinho.

É nesse período que despontou também a sua grande vocação para a noite, como frequentador dos bares da madrugada e boêmio – “aquela boemia saudável, mais para o lado do seresteiro, bebendo cachaça e passando a noite no bar”, lembra, sorrindo, quando tinha a companhia dos cantores Lindomar Castilho, Fabiano de Castro, Bosquinho, Antônio Preto e outros, com o Lirinho no violão, varando as madrugadas cantando músicas românticas nas janelas das casas de moças bonitas. Para rebater a bebida, a famosa galinhada no Bar do Zezinho, e os caldos no Salerno, no Estádio Antônio Accioli, do Atlético Clube Goianiense.

Foi da janela da Rádio Difusora que viu a bela imagem de uma jovem que o encantou, Ana Eulália de Souza, de quem se aproximou, numa atração recíproca, foi sua primeira namorada e nunca mais se separaram: o namoro e o noivado duraram nove anos, quando se casaram, e tiveram três filhos: Ana Laura, homenageando a sogra, dona Laura de Souza; Ana Luiza, homenageando a mãe, Maria Luiza Naves; e Gustavo José, o caçula, que demorou um pouco mais a chegar.

Ainda na juventude, uma experiência que o marcou: o Clube de Castores, uma agremiação que reunia os jovens para a prestação de serviços sociais, desinteressadamente, a famílias de baixa renda, com visitas para levar conforto e alimentos aos deserdados da sorte. A iniciativa era vinculada ao Lions Clube, e nela se envolveu bastante, sendo o primeiro presidente do Clube de Castores Goiânia-Oeste, com sede no bairro de Campinas e que depois foi presidido, também, pelos dois irmãos mais novos, e chegou ao cargo de Governador do Distrito, que reunia as entidades da região.

OPÇÃO POLÍTICA

Ele, que sempre acompanhou o pai, José Rodrigues Naves Júnior, em suas atividades político-partidárias, pela União Democrática Nacional (UDN), participando de suas campanhas eleitorais, envolveu-se, em 1965, na pré-candidatura de Otávio Lage de Siqueira, então um pouco conhecido prefeito de Goianésia, GO, e que era filho do deputado federal Jalles Machado. Primeiro, participou de toda a movimentação que escolheu o candidato da UDN para a disputa contra o PSD, viajando com Otávio num Fusca por todo o Estado de Goiás e, quando era mais longe, num avião; houve disputa interna, contra o senador Emival Caiado, e Otávio foi o escolhido, a partir de quando passou a coordenar o Comitê de campanha do bairro de Campinas.

A vitória de Otávio Lage, naquele ano, levou-o em definitivo ao Serviço Público, de onde não saiu mais. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito da Universidade Católica de Goiás em 1965, foi nomeado consultor jurídico da Companhia de Telecomunicações de Goiás (Cotelgo), sucessora do Departamento de Telecomunicações de Goiás (Detelgo) e hoje Telecomunicações de Goiás (Telegoiás), empresa do grupo Telebrás, tendo exercido, de fevereiro de 1966 a setembro de 1974, as seguintes funções: Chefia de Gabinete do então Detelgo, de 1966 a 68; assistente da Presidência da Cotelgo, de 1968 a 71; e assessor de Organização e Métodos da Cotelgo, em 1971, todas em Goiânia, GO; assessor-chefe do Gabinete do Diretor-Geral do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel), do Ministério das Comunicações, no Rio de Janeiro, RJ, em 1971; diretor da Divisão de Administração do Dentel, em Brasília, DF, em 1972; e diretor financeiro da Cotelgo, em Goiânia, 1973/74, respondendo pela Presidência nas ausências e impedimentos do titular. No dia 6 de abril de 1977 foi contratado como Advogado Senior da empresa Centrais Elétricas de Goiás (Celg).

Ainda no Setor Público foi diretor administrativo e financeiro da Pavicap, em Goiânia, de 1975 a 78; diretor presidente e presidente do Conselho de Administração da Comurg, também em Goiânia, em 1978 e 79; superintendente da Superintendência Adjunta Administrativa da Sudeco, do Ministério do Interior, em Brasília, de 1979 a 85, respondendo, no período, pela Superintendência nas ausências do titular; assessor da Secretaria de Controle Interno do Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário (Ciset/Mirad) e diretor geral substituto do Departamento Geral de Administração do Mirad, em Brasília, de 1985 a 89, tendo respondido pelo Departamento, como Diretor-Geral, em 1987/89; coordenador-geral da Coordenadoria da Administração e Patrimônio do Estado, da Secretaria da Fazenda do Estado do Tocantins, 1989/90; chefe de Gabinete da Secretaria Nacional da Promoção Social do Ministério da Ação Social, em Brasília, em 1992; e, a partir de 1993, passou a exercer função na Assessoria da Secretaria de Minas e Energia de Goiás e na Celg em Brasília, junto a órgãos do Governo Federal. No período de agosto de 1996 a janeiro de 1998, prestou serviços como assessor da Diretoria Administrativa da Celg, em Goiânia. Em 1998 foi colocado à disposição da Secretaria de Minas e Energia, posteriormente Secretaria de Infra-Estrutura do Estado de Goiás (Seinfra), em Goiânia, onde exerceu a chefia do Departamento de Contratos e Convênios e a presidência da Comissão Permanente de Licitações da Seinfra. Em 4 de abril de 2003 foi designado para exercer o cargo de Presidente da Celgmed, que deixou em fevereiro de 2005, retornando à Seinfra, para a assessoria da Superintendência Executiva da Secretaria.

Raulindo Naves, presidente do Goiânia Esporte Clube, quando da conquista do Campeonato Goiano de 2006

Raulindo Naves, presidente do Goiânia Esporte Clube, quando da conquista do Campeonato Goiano de 2006

SONHOS

Dos muitos sonhos, o maior: criar uma rede de emissoras de rádio e televisão em Goiás que fosse dele, em parceria com o irmão, Sevan Naves. A luta foi grande, do sonho à elaboração dos projetos, a sua aprovação pelo Ministério das Comunicações e a liberação das rádios e TVs, mas a falta de recursos o impediu de implantar a rede – que teve de vender e se tornou realidade, mais tarde, na TV Serra Dourada e em emissoras de rádio AM e FM em Goiânia e Anápolis.

O sonho: transformar o Goiânia Esporte Clube num clube voltado para o esporte olímpico e para a inclusão social, de combate aos desequilíbrios. A partir do acolhimento de meninos de rua pretendia lhes oportunizar a prática de esportes em diversas modalidades, como vôlei, basquete, futebol de salão e natação, além de sua formação básica, do ensino fundamental à profissionalização, já pensando em convênio com Universidades. Cuidou da conceituação filosófica do projeto, a partir de quando sinalizaria as condições para implantar os equipamentos na área de esportes.

Fonte: Boletim “Notícias de Naves”, de Goiânia, GO, edição nº 207, de 05.05.2011.

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