Uma nova dinâmica de trabalho, com foco em resultados e na gestão desses resultados, foi implantada em 2014 na Cooperativa de Crédito de Livre Admissão do Vale do São Patrício Ltda. (Sicoob Coopercred), a primeira criada em Goiás a partir dos anos 1980. A mudança, que deu uma guinada nos seus rumos, começou pela implantação do planejamento estratégico de suas atividades pela primeira vez em sua história, quando definiu as prioridades; e da governança, ao estabelecer metas para as ações, com transparência para os cooperados, em termos de informações e dados, e alçadas para a liberação de empréstimos, em vários níveis, da Diretoria Executiva ao Conselho de Administração. Um terceiro aspecto, e mais representativo, é a maior proximidade do quadro social, com várias iniciativas: recadastramento dos cooperados; visitas; café da manhã, com homenagem aos aniversariantes do mês; reforma da sede da Cooperativa; e novo layout interno, passando o atendimento para a parte da frente, quando o cooperado tem contato direto com a equipe técnica e a própria Diretoria Executiva, no salão de entrada.

Em consonância com o planejamento estratégico, foram definidas várias metas, como o atrelamento do salário (30%) dos dirigentes e da equipe, motivando-os em suas funções; a redução da inadimplência; a captação de novos cooperados; e a venda de produtos, como o Procapcred, financiamento do BNDES para capitalização, a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), sendo a primeira Cooperativa em Goiás a utilizar a LCA via sistema Sisbr; e a Poupança, dentre outros. A construção do primeiro planejamento da Cooperativa para o período de 2014 a 2017, o desenvolvimento de uma gestão voltada para resultados e o aprimoramento da governança culminaram com o melhor índice de eficiência em 2014, “uma conquista memorável para a Cooperativa”, ressalta o presidente Rodrigo Penna de Siqueira.

Rodrigo Penna de Siqueira, presidente do Sicoob Coopercred Goianésia

O Sicoob Coopercred tem investido em seu pessoal, oferecendo treinamentos, para que conheça bem os produtos que vai oferecer aos cooperados, o que melhorou o rendimento e o compromisso de cada um e os resultados que geram, numa integração maior da Cooperativa. Há uma avaliação periódica, com acompanhamento mensal dos indicadores de desempenho da instituição; os Conselhos de Administração e Fiscal estão mais ativos e presentes; e a Diretoria tem reuniões semanais. Há dois diretores com dedicação integral e integrada, um auxiliando o outro: Genilson Nunes Pinheiro, que fez carreira no Banco do Brasil, é o Diretor Geral, cuidando da parte comercial, novos negócios e da área contábil; e Raquel Macarini Pimenta Ferreira, que atuou o Banco Francês e Brasileiro (BFB) e está na Cooperativa há 24 anos, é a Diretora Operacional, lidando com a análise e concessão de empréstimos.

Rodrigo é o segundo presidente do Sicoob Coopercred, que substituiu o seu avô, Otávio Lage, em 2006, e vem, progressivamente, alterando a sistemática de trabalho da Cooperativa, modernizando-a e a tornando mais presente na vida de seus cooperados e da comunidade a que serve, apoiando projetos e ações sociais e econômicas.

Como começou

No início de 1983, depois de se aprofundar no Cooperativismo de Crédito, um tema até então pouco analisado, o empresário Otávio Lage convocou uma Assembleia Geral, com uma proposta detalhada, que aprovou a criação da Cooperativa de Crédito Rural dos Plantadores de Cana do Vale do São Patrício Ltda., com a sigla Coopercred e sede em Goianésia. Ele mesmo cuidou de depositar, no Banco Central, o valor do capital social da nova entidade, que depois dividiu entre os fundadores.

Com a documentação, chamou José Salvino de Menezes, que presidia a Cooperativa Agropecuária de Goianésia Ltda. e tinha trabalhado por oito anos no Bradesco, onde chegou a gerente, para colher mais informações e implantar a Coopercred. Sua primeira iniciativa foi viajar a Ponte Nova, MG, para conhecer o funcionamento da Cooperativa de Crédito Rural dos Plantadores de Cana da Zona da Mata Ltda. (Copercredi), onde passou 15 dias.

A Cooperativa dos canavieiros era pequena, todos os controles feitos manualmente, e pôde acompanhar as atividades, o movimento financeiro dos cooperados e os procedimentos técnicos e administrativos. Com os dados, elaborou um projeto que, com a Ata da Assembleia Geral de Constituição e demais documentos, encaminhou ao Banco Central, que autorizou o seu funcionamento em novembro daquele ano.

Quando foi colocá-la em funcionamento esteve no Banco Nacional de Crédito Cooperativo (BNCC), responsável pela fiscalização, buscando novas orientações. O Manual de Normas e Instruções impunha mais restrições do que permissões, quanto às atividades. Não podia fazer praticamente nada. Ao técnico do BNCC que mais consultava, João Samuel de Araújo, ele se queixou dessas dificuldades legais, quando foi orientado a implantar a Cooperativa, começar a funcionar e deixar acontecer.

Uma grande colaboração que teve, nos dois primeiros anos, foi do cooperado Manoel Braollos Martinez que, mesmo sem cargo, era sempre muito participativo e interessado. Numa das viagens que fizeram, na volta pararam em Anápolis para almoçar, quando Manoel passou mal ao comer um bife; retornando a Goianésia foi ao médico, que diagnosticou o mal que o levou pouco tempo depois: câncer.

No início tudo era muito simples, a começar do espaço físico, dois cômodos, ao pessoal, apenas José Salvino, uma secretária e o contador, Wiliam D’Abadia Costa; depois, contratou mais um escriturário. Ele mesmo fazia os contratos de crédito, utilizando uma velha máquina de escrever. De atividades, o capital empréstimo. Não tinha talão de cheques, nem recebia depósitos. Apenas emprestava o capital.

Ao mesmo tempo em que implantava a Coopercred criou também a Associação dos Plantadores de Cana do Vale do São Patrício (Assovale), que reunia agricultores da metade do Estado, a partir de Goiânia até o Norte. Dentre os objetivos da Assovale, prestar assistência social aos trabalhadores rurais (consultas médicas e fornecimento de medicamentos). Os recursos vinham igualmente da Lei Canavieira, repassados pelo IAA.

As atividades e os recursos financeiros da Associação cresceram rapidamente, permitindo a construção da sede própria, com ambulatório médico e outros espaços, que totalizaram 3.000m². Ainda, a aquisição de um veículo, diante da ampla área de atuação, com longas distâncias. Em certo momento, teve que alugar um avião para poder dar conta das visitas às filiadas. Existiam usinas, dentre outros municípios, em Inhumas, Itapuranga, Itapaci, Formosa e Alto Paraíso. Posteriormente, o prédio foi vendido à Usina Jalles Machado, que manteve os serviços de assistência social aos trabalhadores rurais.

Um andar foi cedido em comodato à Coopercred

A Coopercred logo passou a atuar em todas as áreas. Um convênio com o BNCC permitiu avançar na prestação de serviços, a partir da aquisição de um computador, e a utilização da sua rede de agências para compensação de cheques com o número do banco. Em seguida, passou a trabalhar com Crédito Rural, utilizando recursos próprios e, logo após, com repasse de recursos do BNCC. A relação das operações realizadas, com o movimento do dia, era enviada ao banco por telex. A Organização das Cooperativas do Estado de Goiás (OCG), que intermediou esse convênio, conseguiu recursos para comprar a sua primeira sede própria, na Rua 3, Centro, e também a aquisição de computadores pelas demais Cooperativas, trabalho coordenado pelo presidente da Comigo, Paulo Roberto Cunha.

A chegada do primeiro computador representou uma pequena revolução nos serviços, deixando de lado as antigas e barulhentas máquinas Olivetti, com seus longos papéis. A nova tecnologia permitiu, de imediato, o lançamento da conta corrente, ferramenta desenvolvida pela Cooperativa Central de Crédito Rural do Rio Grande do Sul (Cocecrer-RS). José Salvino passou um mês em Porto Alegre conhecendo a Central, o sistema que implantou, a relação com o BNCC e os diversos novos procedimentos técnicos e administrativos.

Na época, os cursos de informática eram recentes e os formados se colocavam num patamar alto, com muitas exigências, tornando-os pouco acessíveis. Isso exigiu que as Cooperativas investissem em pessoal para poder se adequar melhor ao mercado. Isso porque, com a tecnologia, o que era feito em uma semana passava a ser realizado em uma hora, eliminando as fichas, o sistema manual, controles de conta corrente etc.

A Cooperativa cresceu, ampliou serviços, implantou a centralização financeira, formou equipe técnica e ganhou agilidade e dinâmica. E adquiriu a sua sede própria, no Centro da cidade.

A alta inflação do período contribuiu para capitalizar a Cooperativa, que soube aplicar, no devido tempo e com os investimentos em recursos e tecnologia, os recursos disponíveis, com importantes ganhos financeiros. Em especial as aplicações de mercado aberto, conhecidas como open market, que geravam maior liquidez aos títulos negociados; e de over night que tinham remuneração diária segundo índices que as operações de compra e venda de títulos públicos e privados no mercado financeiro viessem a obter, independente da inflação ocorrida.

Em 2007 a Coopercred conquistou mais uma vitória: a sua transformação em Cooperativa de Livre Admissão, deixando de ser segmentada para se abrir à participação de toda a sociedade de Goianésia, como um novo banco à disposição dos mais diversos segmentos.

Em 2014, depois de 30 anos de serviços, José Salvino deixou a direção da Coopercred.

Os dois últimos anos, após a implantação da nova forma de gestão e das diretrizes constantes do planejamento estratégico, foram de grandes conquistas: a Cooperativa começou a oferecer produtos e linhas de crédito com os quais até então não trabalhava, como a LCA, Procapcred, FCO e Finame. A base de cartões de crédito, que abrangia somente 15% dos cooperados, saltou para 60%. Em 2014 o resultado, antes da remuneração ao capital social e outras destinações das sobras, atingiu R$ 11,6 milhões, 30% superior ao ano anterior; o retorno sobre o capital médio da Cooperativa saiu de 120,65% para 154,21% em relação ao CDI; em 2015 o resultado atingiu 12,4 milhões, correspondendo a 133,70% do CDI, um saldo expressivo tendo em vista um cenário desfavorável no País. O quadro social teve um crescimento de 44% com relação a 2013, fechando 2015 com 767 associados. O capital foi reduzido, no início de 2014, devido à sugestão feita pelo Banco Central de diminuir a concentração em relação ao seu capital, depósitos e empréstimos, e acabou, no final do exercício, remunerando melhor o capital que ficou na Cooperativa. Como destacou o presidente Rodrigo Penna, “fizemos mais com menos”.

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