Estudo científico que realizou alertava, há 30 anos, para alta incidência em Goiânia de mosquitos transmissores de doenças

Heloisa Machado Naves na defesa de sua dissertação de Mestrado pela UFG

O alerta, como parte de um estudo científico, bem escrito e com fundamentação em dados coletados pela própria pesquisadora, foi endereçado à comunidade acadêmica na forma de uma dissertação de Mestrado. Depois de muito pesquisar, num trabalho exaustivo e contínuo, a bióloga e professora universitária Heloísa Machado Naves mostrou um fato que a preocupava: a alta incidência em Goiânia, GO, de mosquitos transmissores de doenças e a possibilidade de surtos epidêmicos na região.

Banca Examinadora da dissertação de Heloísa Machado Naves, professores José Luis, David Neves e José Barata, ao lado da diretora do IPTESP-UFG, Dulcineia Campos

Pesquisadora incansável, com uma vasta e muito rica contribuição ao estudo de insetos, ela já denunciava, há mais de 30 anos, em trabalhos científicos publicados em revistas especializadas, os riscos de uma epidemia de dengue, como aconteceu recentemente. Com dados concretos, chamava a atenção das autoridades sanitárias para o problema, que até hoje preocupa toda a sociedade, diante da sua gravidade.

Plateia presente na defesa da dissertação de Mestrado de Heloísa

Mineira de Ituiutaba, filha de Oda Carvalho e Francisco Machado Netto, ela estudou o primário em Iturama, MG, e o ginásio e o ensino médio em Bebedouro, SP. Veio para Goiânia em 1970, quando começou a lecionar no Externato São José. Fez o Curso de Biologia (História Natural) na Universidade Católica de Goiás, que concluiu em 1974, destacando-se como estudiosa, e no ano seguinte, 1975, foi selecionada para lecionar na instituição, sendo uma das pioneiras na introdução das disciplinas ‘Metodologia do Trabalho Científico’ e ‘Lógica’. Em 1978 foi aprovada em concurso público para a Universidade Federal de Goiás, em seu Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública, destacando-se no ensino e na pesquisa acadêmica, com mais de 100 trabalhos científicos publicados em revistas especializadas. Mesmo antes de concluir o Mestrado em Medicina Tropical, área de concentração em Parasitologia, já lecionava nos cursos de pós-graduação da área médica da UFG.

Aluna brilhante e pesquisadora rigorosa, tirou nota 10 com louvor por unanimidade dos três membros da Banca Examinadora de seu Mestrado – os professores doutores David Pereira Neves, da Universidade Federal de Minas Gerais, e orientador; José Maria Soares Barata, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo; e José Luiz de Barros Araújo, que fora da Universidade Rural do Rio de Janeiro e tinha sido recentemente contratado pela UFG –, com recomendação para fazer o Doutorado, tal o nível de suas pesquisas.

Seu trabalho científico se concentrou em grupos de insetos que necessitam ser estudados continuadamente, em função de sua importância para a sobrevivência humana e animal, como os Culicidae, pois nessa família acham-se os transmissores de malária humana e entre aves. Na época, mostrou que o combate à malária, apesar de esforços de pesquisadores nacionais e internacionais, contava apenas com medidas profiláticas relacionadas aos reservatórios, transmissores e agentes sensíveis, não recebendo ainda cobertura vacinal. Explicou que em vários estados brasileiros a doença vinha ocorrendo em zonas urbanas, inclusive de capitais.

Heloísa Naves alertou nesses estudos científicos, na década de 1990, que a febre amarela urbana, cujos transmissores são Aedes (Stegomyia) albopictus e Aedes (Stegomyia) aegypti, estava sob cobertura vacinal, o que não ocorria com a dengue, fugindo ao controle das autoridades sanitárias, principalmente porque seu transmissor altera seu comportamento, adaptando-se aos mais diversificados habitats.

Essas informações integram a sua dissertação de Mestrado, cuja atualidade nos motiva a publicá-la novamente, agora pela internet, para que seus estudos ganhem novas reflexões e se insiram na agenda das autoridades da área sanitária.

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