Frutuoso Agostinho Naves, 1875-1948 (Foto do arquivo de Osvaldo Coelho Pereira Júnior)

 

Mineiros de Ibituruna, na região geográfica imediata de Lavras, primeiro povoado fundado em Minas Gerais pelo bandeirante Fernão Dias Paes Lemes, os irmãos Joaquim Maximiano Naves e Bernardo José Naves decidiram não continuar na região, buscaram novos horizontes e foram se instalar próximo a Jacuí. A cidade ficava a uns 300 km de distância, no sudoeste mineiro, que surgiu na corrida pelo ouro, no século XVII. Os dois, integrantes da sexta geração da família Naves brasileira, chegaram quando a mineração já estava em declínio e começavam a exploração agropecuária, em especial a cafeicultura.

Instalados, tiveram participação importante na criação do município de São Sebastião do Paraíso, que surgiu como distrito em 1855 e foi elevado à categoria de vila em 1870 e a cidade três anos depois. O tenente Joaquim Maximiano Naves ocupou o cargo de Delegado de Polícia, o segundo na hierarquia funcional na localidade, e Bernardo José, que tinha vendido a sua parte na herança dos pais, investiu na agricultura, adquirindo uns 600 alqueires de terras, onde plantou café e foi um dos principais empresários da área nessa região, que se expandiu muito na época.

Eles eram os filhos mais velhos do casal Francisco de Sales Teixeira de Almeida Naves, que era coletor de impostos, e Ignácia Michelina de Santanna Pedrosa, ambos da região de Lavras, integram a quinta geração dos Naves brasileiros, moravam em Bom Sucesso, MG, no Quarteirão 2, 92, e foram citados no Censo de 1831. Nessa coleta de dados aparecem o casal e sete filhos, todos menores: Francisco tinha 41 anos, Ignácia Michelina, 30; Joaquim, 16, Bernardo, 14, José, 12, Francisco, oito, Antônio, quatro, Jerônimo, três e Venâncio, dois. Ainda, dois escravos e Lourianno Gonçalves, 41 anos, viúvo.

 

Índia

Brasileiro que viveu três momentos de transição do país – nasceu quando era colônia de Portugal, viveu na monarquia e chegou ao final de sua vida já na República, Bernardo José Naves faleceu aos 78 anos, em São Sebastião do Paraíso, e casou-se duas vezes. Na primeira, com Francisca Maria do Nascimento, nascida em 1823 e falecida com 40 anos, em 1863, e tiveram nove filhos: Cesário, Hygina, José, Furtuoso, Zeferino, Joaquim, Anna, Francisco e Maria; e na segunda, com Polcina Maria de Jesus, com quem teve quatro: Maria, Antônio, Bernardo e João.

De acordo com histórias daquele período, numa de suas viagens com tropeiros, levando gado, Bernardo teria encontrado uma índia muito bonita, encantou-se por ela, laçou a ‘búlgra’ e a levou para casa, tornando-a a mãe de seus filhos.

 

https://aredacao.com.br/naves-foram-pioneiros-na-criacao-de-sao-sebastiao-do-paraiso/

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