José Salomão David Amorim, Professor emérito da UnB (Foto de Heloíse Corrêa / Secom UnB)

 

Pro­fes­sor emé­rito da Facul­dade de Comu­ni­ca­ção da Uni­ver­si­dade de Bra­sí­lia (UnB), o jornalista José Salo­mão David Amo­rim mor­reu aos 89 anos na sexta-feira, dia 10, em Capital Federal, onde residia desde os anos 1960. Mes­tre em Comu­ni­ca­ção pela UnB (1968), foi pro­fes­sor da ins­ti­tui­ção de 1970 a 1993; entre suas cola­bo­ra­ções com a Uni­ver­si­dade estão a par­ti­ci­pa­ção na cri­a­ção do jor­nal-labo­ra­tó­rio “Cam­pus”, a ide­a­li­za­ção do Pro­grama de Pós-Gra­du­a­ção em Comu­ni­ca­ção e a cola­bo­ra­ção na pro­posta da Rádio UnB, na década de 1980. Publicou dezenas de artigos em periódicos e capítulos de livros.

Era casado com Sônia Naves, mineira de Belo Horizonte, e eles tem três filhos, todos assinando Naves David Amorim: Cláudia, que também é de Belo Horizonte; Flávia e Márcio, ambos de Brasília; e quatro netos: Matteo e Camilla, ambos nascidos na Alemanha; Elisa e Rafael, brasilienses.

José Salomão participou do convênio entre a UnB e a Universidade Federal de Goiás para implantação do Curso de Jornalismo da UFG no final dos anos 1960, quando supriu, com mais dois professores – Luiz Gonzaga Mota, de ‘Técnicas de Jornalismo‘; e José Antônio D’Arrochela Lobo, da área de TV – a carência de pessoal especializado para as matérias técnicas no início dessa graduação. Ele lecionou “Jornalismo Comparado”, mais tarde ampliada para “Políticas de Comunicação“. Foram muitos elogiados nas disciplinas que assumiram e tiveram participação fundamental na consolidação do Curso.

 

Pensadores

O corpo docente da UnB lamen­tou a morte. “A Uni­ver­si­dade de Bra­sí­lia perde um de seus prin­ci­pais pen­sa­do­res, lide­rança incan­sá­vel na defesa da edu­ca­ção supe­rior pública e da demo­cra­cia”, des­ta­cou a rei­tora Rozana Naves. “O pro­fes­sor é reco­nhe­cido pela con­tri­bui­ção cien­tí­fica na área da comu­ni­ca­ção, em par­ti­cu­lar das polí­ti­cas públi­cas em comu­ni­ca­ção. Deixa um legado ines­ti­má­vel. Lamen­ta­mos muito a sua par­tida”, acres­cen­tou, em matéria publicada pelo jornal “Correio Braziliense”, edição do dia 11, assinada por Luiz Fellipe Alves.

A dire­tora da Facul­dade de Comu­ni­ca­ção da UnB, Dione Moura, afir­mou que “o pro­fes­sor Salo­mão é, e con­ti­nu­ará sendo, uma refe­rên­cia fun­da­dora do pen­sa­mento crí­tico comu­ni­ca­ci­o­nal latino-ame­ri­cano”. Ela enfa­ti­zou que o pen­sa­mento do docente será um norte para uma comu­ni­dade cidadã. “O pen­sa­mento crí­tico gera uma prá­tica ética e, por­tanto, é uma forma de enfren­tar a desin­for­ma­ção. Isso nos ensi­nou o mes­tre Salo­mão Amo­rim”, pon­tuou.

A chefe do Depar­ta­mento de Jor­na­lismo da FAC-UnB, Már­cia Mar­ques, lem­brou da impor­tân­cia de José Salo­mão para a cri­a­ção do bloco de dis­ci­pli­nas que ori­gi­nou o jor­nal-labo­ra­tó­rio da uni­ver­si­dade, em 1970. “Mais do que espaço de prá­tica, o pro­fes­sor enten­deu que ali se encon­trava um espaço peda­gó­gico para a prá­tica, modelo pio­neiro para mui­tas expe­ri­ên­cias que se segui­ram com a obri­ga­to­ri­e­dade de pro­du­ção de jor­nal-labo­ra­tó­rio nos cur­sos de Jor­na­lismo no Bra­sil em 1979”, recor­dou.

 

Tra­je­tó­ria

Natu­ral do município mineiro de Cláu­dio, José Salo­mão era bacha­rel em Direito pela Uni­ver­si­dade Fede­ral de Minas Gerais (1962) e desen­vol­veu uma extensa car­reira como jor­na­lista em Minas Gerais e em São Paulo. Trabalhou nos jornais “Última Hora”, “Diário da Tarde”, “Revista Alterosa”, “Correio de Minas” e “Diário de Minas”, nestes dois últimos sob a liderança do jornalista Gui de Almeida, um dos mitos da imprensa mineira. No período militar perdeu o emprego e conseguiu um bolsa de estudos da Associação Interamericana de Imprensa, para os Estados Unidos. Na volta, trabalhou em São Paulo, no “Jornal da Tarde”, do Grupo Estadão, e participou da criação da revista “Veja”, onde atuou como subeditor de Educação, de 1968 a 1970. No DF, foi um dos cri­a­do­res e coor­de­na­do­res dos cur­sos de Comu­ni­ca­ção do Ins­ti­tuto de Edu­ca­ção Supe­rior de Bra­sí­lia (Iesb) e da Uni­ver­si­dade Cató­lica de Bra­sí­lia (UCB).

Sua atu­a­ção foi mar­cada pela defesa da demo­cra­cia e do for­ta­le­ci­mento da comu­ni­ca­ção como campo de pes­qui­sas cien­tí­fi­cas. Ele foi um dos cri­a­do­res da Asso­ci­a­ção Bra­si­leira de Esco­las de Comu­ni­ca­ção (Abe­pec) e da Asso­ci­a­ção Latino-ame­ri­cana de Inves­ti­ga­do­res da Comu­ni­ca­ção (Alaic).

 

Cooperação

Em nota con­junta, a FAC-UnB, o Depar­ta­mento de Jor­na­lismo da FAC-UnB, a Fede­ra­ção Bra­si­leira de Asso­ci­a­ções Cien­tí­fi­cas e Aca­dê­mi­cas da Comu­ni­ca­ção (Soci­com) e a Alaic lamen­ta­ram a morte do pro­fes­sor.

“A tra­je­tó­ria do pro­fes­sor José Salo­mão David Amo­rim se con­funde com a pró­pria his­tó­ria da con­so­li­da­ção do ensino, da pes­quisa e da exten­são em Comu­ni­ca­ção no Bra­sil e na Amé­rica Latina. […] A visão do mes­tre Salo­mão Amo­rim sobre uma uni­ver­si­dade pau­tada pelo com­pro­misso público, pela coo­pe­ra­ção aca­dê­mica e pela inte­gra­ção latino-ame­ri­cana, con­ti­nu­ará ins­pi­rando gera­ções e gera­ções de pes­qui­sa­do­res, docen­tes e estu­dan­tes”, diz a nota, soli­da­ri­zando-se com a esposa do pro­fes­sor, Sônia Naves David Amo­rim, seus três filhos, qua­tro netos, demais fami­li­a­res, ami­gos, cole­gas e ex-alu­nos.

“Que a memó­ria, a tra­je­tó­ria e as con­tri­bui­ções do pro­fes­sor José Salo­mão David Amo­rim per­ma­ne­çam como patri­mô­nio do ensino, da pes­quisa e da exten­são em Comu­ni­ca­ção e como ins­pi­ra­ção para as futu­ras gera­ções”, diz a men­sa­gem assi­nada por Már­cia Mar­ques, chefe do Depar­ta­mento de Jor­na­lismo da FAC-UnB; Fer­nando Oli­veira Pau­lino, pre­si­dente da Alaic; Ander­son dos San­tos, pre­si­dente da Soci­com; e Dione Oli­veira Moura, dire­tora da FAC-UnB.

 

https://aredacao.com.br/morre-em-brasilia-o-professor-david-amorim-que-ajudou-a-implantar-o-curso-de-jornalismo-da-ufg/

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