Uma trajetória de vida dedicada à história e a Goiás

Laís Machado

Mineira de nascimento e goiana por opção, aqui realizando sua grande meta pessoal de se tornar professora universitária, à qual agregou uma importante contribuição – o estudo e a divulgação da história de Goiás, Laís Aparecida Machado é um exemplo do que se convencionou chamar de goianidade: a pessoa que chega, passa a conhecer o novo espaço que abraçou, assume a sua causa e dá sua contribuição desinteressada, mas de grande valor, em todos os aspectos. Uma das pioneiras no estudo e na pesquisa da história goiana e na sistematização e disseminação dessas informações, foi uma das responsáveis pela inserção da disciplina ‘História de Goiás’ da quinta à oitava série do I Grau, e participou, e até mesmo coordenou, de projetos e iniciativas que ampliaram o alcance dessa iniciativa. Com isso, possibilitou que o próprio goiano, que pouco conhece de sua história, passasse a dispor de mais dados a respeito e a se interessar mais.

Simples, simpática, inteligente e cativante, conquistou seu espaço e muitas amizades desde que aqui chegou, em 1968, quando não conhecia praticamente ninguém, a não ser o seu tio Elon Carvalho, que, sabendo de seu interesse em prosseguir nos estudos, convidou-a para vir morar em sua casa em Goiânia. Desde então só colecionou amigos e admiradores, em especial os sobrinhos, que tratava como se fossem seus filhos. Líder, serena, foi aglutinadora, esteve sempre presente e preocupada com todos, e procurou somar, com sua presença e com seus conselhos.

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Falecida em novembro de 2008 em acidente de carro, deixou várias obras, dentre as quais, já publicadas, “Formas e tempos da cidade”, de 2007, organizada com o professor Manuel Ferreira Lima Filho e que faz uma abordagem multidisciplinar sobre a cidade de Goiânia; e “De Meia Ponte a Pirenópolis – Cuidando do Patrimônio Cultural”, de 2010, em co-autoria com o professor Jézus Marco de Ataídes, para despertar o interesse e a admiração das pessoas pelo valor do patrimônio cultural. Em junho de 2009 recebeu, “in memorian”, o título de Cidadania Goiana, concedido pela Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, por iniciativa da deputada Mara Naves, do PMDB.

Primeiros estudos

Os planos dos pais, Francisco Machado Neto e Oda Carvalho Machado, que moravam na pequena Iturama, Minas Gerais, cidade na época sem muitos recursos, é que ela nasceria em Bebedouro, São Paulo, onde residiam seus avós paternos, Marianna Bernardes da Silva e Justino Machado de Moraes, cidade maior e de mais recursos, em especial na área de saúde. Mas os planos sofreram alteração de última hora. Seguiram de caminhão, em estrada de chão, dirigido pelo pai – ele foi um dos primeiros condutores de veículos na região, inclusive chegando a ensinar essa atividade a praticamente todos na cidade; motorista profissional, viajava muito, em especial para São Paulo, tendo morado na Capital paulista quando os pais perderam a fazenda em Cajuru, onde nascera, em 11 de novembro de 1904. Mas não viajaram muito: no primeiro dia, pararam uns 50 km de onde saíram, fazendo pouso em São Francisco de Sales, MG, cidade onde moravam os seus avós maternos, Brazilina da Rocha Carvalho e José Porfírio de Carvalho, ele mais conhecido como “Juca Escrivão”, por ser o dono do cartório. E Laís acabou nascendo, no dia 4 de novembro de 1944, nessa cidade, que também não dispunha de muitos recursos – seus tios, Gilberto Alves de Souza e Geralda, tiveram que buscar em Campina Verde, MG, ali próximo, o médico Maurílio; foram no Fordinho, movido a gasogênio, e, na volta, o combustível acabou, tendo que ser providenciado um cavalo para que ele chegasse em tempo. No final, tudo deu certo. Seu nome foi uma homenagem dos pais à simpática tia paterna, Laís Machado Bertholino, que morrera alguns dias antes de seu nascimento, em 20 de outubro.

A infância foi em Iturama. Mas o desejo de estudar a levou a Campinas Verde, cidade maior e então culturalmente muito evoluída, onde passou oito anos na casa dos avós maternos. Fez o curso primário, com brilhantismo, no Grupo Escolar ‘Ana Chaves’, e, por ter sido a primeira da turma, foi a oradora da quarta série; um acesso de tosse, por nervosismo, quase prejudica a sua primeira performance diante de platéias, mas logo se recompôs e leu a sua bela mensagem. O curso ginasial foi no Ginásio do Instituto de Nossa Senhora das Graças, das freiras vicentinas, escola tradicional, que teve uma parte construída pelos escravos e por onde passaram, dentre outros, o autor de “A Moreninha”, Joaquim Marçal de Moura. O ensino era de boa qualidade, destacando que ali aprendeu o Português que sabe.

Primeiras atividades

O magistério estava traçado em sua vida. Concluído o ginasial, mudou-se para Bebedouro, indo morar com os tios Maria Machado Baptista e Arlindo Dias Baptista, que não tinham filhos. Fez o Curso Normal no Instituto de Educação ‘dr. Paraíso Cavalcante’, que era escola pública. Retornando a Iturama, ali ficou cinco anos, começando as suas atividades profissionais como professora no Grupo Escolar Nossa Senhora de Lourdes e no Ginásio Estadual, inicialmente organizado de forma cooperativa e depois assumido pelo Governo do Estado; ali, foi secretária. De início, dava aulas de duas disciplinas que sempre estiveram presentes em sua vida: ‘História’ e ‘Matemática’.

Em 1968 mudou-se para Goiânia. Chegou em janeiro, em seguida prestou vestibular na Universidade Federal de Goiás (UFG) e tirou o primeiro lugar para o Curso de História. Ao mesmo tempo, procurou emprego e o primeiro foi na Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), do professor Venerando de Freitas Borges, próximo de onde morava e ali ficou até o fechamento da escola; os salários saíam sempre com atraso, mas logo ficou amiga do proprietário, de quem guarda boas lembranças. Lecionava três disciplinas: ‘História’, ‘Geografia’ e ‘Educação Moral e Cívica’. Em seguida, lecionou ‘História’ e ‘Geografia’ no Externato São José, onde foi coordenadora da área de História; na escola da professora Vanir Stival – que tinha convênio com o Governo do Estado e ficou sendo o seu primeiro emprego público em Goiânia –, e, à noite, na Escola de Contabilidade ‘dom Marcos de Noronha’, do professor Nion Albernaz.

Tão logo se formou, em 1971, foi selecionada, em 1972, para o primeiro Mestrado em História da UFG, em convênio com a Universidade de São Paulo (USP). Foi orientada pela professora doutora Laine Mescravis, da USP. Como trabalhava muito, esse excesso de atividades acabou atrasando na defesa da dissertação, o que foi possível depois que conseguiu licença remunerada no Estado para concluir o Mestrado. Seus estudos se concentraram na análise do período regencial em Goiás, o que exigiu uma longa pesquisa – como a bibliografia, nessa época, era muito restrita, foi ao Rio de Janeiro fazer levantamentos na Biblioteca Nacional e no Arquivo Nacional, sendo que nos 15 dias que ali passou conseguiu mais material do que o obtido nas demais fontes de pesquisa, em mais de um ano, e fez cópia de muitos documentos importantes, como os Relatórios dos Presidentes da Província. Esteve também na cidade de Goiás, em várias oportunidades, no Congresso Nacional, em Brasília, e no Arquivo Histórico do Estado, em Goiânia; e buscou autores goianos, como Sizenando Jayme, e pessoas, como Luiz do Couto, que dispunham de material histórico, como os originais do primeiro jornal goiano, “Matutina Meiapontense”, cuja coleção ainda não havia sido reimpressa pelo Governo do Estado em parceria com a então Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). Esse jornal forneceu material importante para a elaboração de sua dissertação, intitulada “A administração provincial em Goiás durante o período regencial e seus antecedentes coloniais”, que foi aprovada pela banca, que tinha, além da orientadora, as professoras doutoras Janaína Amado e Maria Augusta Santana de Moraes, ambas da UFG. Como ficou muito tempo em arquivos, pesquisando, acabou fazendo um curso de Paleografia, oferecido pelo Centro de Estudos Brasil África, que havia sido criado na UCG e depois transformado em Centro de Estudos e Extensão Afro-Brasileiro.

Professora universitária

O passo seguinte já concretizava a meta pessoal que tinha fixado: ser professora universitária. Havia deixado o Externato São José e, em junho de 1975, indicada por sua irmã, Heloísa Aparecida Machado Naves, que já lecionava as disciplinas ‘Lógica’ e ‘Metodologia Científica’, que faziam parte do I Ciclo de Estudos Gerais da instituição, entrou na Universidade Católica de Goiás (UCG) para ministrar as duas matérias, que exigiram prévia preparação, pois fugiam de sua área de atuação. Abraçou com entusiasmo a chance e ali se firmou. A transferência para sua área na UCG se deu em 1979, por meio de concurso público, e ali fez toda uma rica trajetória.

Em 1986 foi eleita, para mandato de dois anos, para dirigir o Departamento de História, Geografia e Ciências Sociais da UCG (HGS), na gestão do reitor Pedro Wilson Guimarães. No período, houve a reestruturação do Curso de Ciências Sociais e a separação dos cursos de História e Geografia, que eram juntos, decidida em Congregação; foram realizados seminários e vários projetos de pesquisa. Depois, foi se especializando em Didática, Prática de Ensino, Metodologia e Orientação de Monografias. Criou o Centro de Pesquisa Histórica (CPH) no HGS, que depois coordenou, responsável por vários projetos, incluindo textos, apresentação de peças teatrais (projeto didático-pedagógico) – sob a direção do aluno Danilo Alencar foram três: “Libertè uai”, sobre a revolução francesa, “Sob o sol de Canudos” e “Zumbi dos Palmares”, com textos elaborados em conjunto com a professora Sônia Márquez, que também coordenava o CPH – e a realização de dois concursos de monografias, com premiações estimulantes, como passagens aéreas a Paris, oferecida pela Aliança Francesa como parte dos atos comemorativos do aniversário da Revolução Francesa, e a Lisboa, dentro das comemorações dos 500 anos do descobrimento da América, além de bolsas de estudo.

Em 1989, a convite do então superintendente da Organização das Cooperativas do Estado de Goiás (OCG), Jales Naves, participou do primeiro Curso de especialização em Administração de Cooperativas, estruturado pela OCG com apoio pedagógico da UCG, quando ministrou, em conjunto com os professores Éber Vaz e Luiz Alberto Gomes de Oliveira, a disciplina ‘História da Formação Econômica de Goiás’, já na linha que sempre defendeu, de incentivar o estudo da história de Goiás em todas as áreas de atividades. Assumiu coordenadorias de área e, depois que deixou a direção do HGS e foi para o Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA), contribuiu na elaboração de projetos de contrato, de controle e salvamento e de patrimônio histórico-cultural, dentre os quais se sobressaem os da usina do rio Corumbá, em Caldas Novas, do Metrô de Goiânia e de alguns municípios goianos.

Em 1998, por indicação da Congregação, incluindo a representação estudantil, voltou à direção do HGS e ficou no cargo de setembro daquele ano a fevereiro de 2002. No período, criou o Curso de Relações Internacionais, exigindo a mudança da sigla do Departamento para HGSR; reformulou o currículo do Curso de História; e elaborou dois projetos preliminares: do Mestrado em História da UCG e do Curso de graduação em Patrimônio Cultural, sendo que este não foi adiante. Ainda, equipou o Departamento (móveis etc.).

Em seguida retornou ao IGPA, quando participou de várias iniciativas, que deram projeção à Universidade, pelo alcance e dimensão de cada uma, incluindo a série sobre os municípios goianos, com quatro trabalhos encaminhados: o primeiro, pronto e editado, é um livreto intitulado “Cuidando do Patrimônio Cultural”, em co-autoria; o segundo, “Cidade de Goiás”, que elaborou, sozinha, o texto, editado, e o vídeo; o terceiro, sobre Pirenópolis, trabalhado em conjunto com o professor mestre Jézus Marco de Ataíde; e o quarto, sobre Jaraguá. Foram trabalhos que exigiram muito e remuneraram pouco.

Na UFG lecionou por apenas seis meses, substituindo professores.

História de Goiás

Continuou no Estado, e ao mesmo tempo estudou na Aliança Francesa de Goiânia, durante quatro anos, chegando a se preparar para os exames de Nanci.

Quando sua amiga, Laudelina Lane Naves, assumiu a direção do Colégio Estadual ‘Presidente Costa e Silva’ (Colu), foi convidada e aceitou ser Coordenadora Pedagógica; depois, reduziu a sua carga horária. Em 1981, através de concurso, foi aprovada e passou a lecionar ‘História’ no Colégio Estadual ‘Hugo de Carvalho Ramos’, que o então governador Ary Valadão criara como “escola de líderes”, num ousado projeto de formação de lideranças, e ali ocupou a Coordenação da área de História. A partir de 1982, quando Íris Rezende Machado assumiu o Governo do Estado, foi trabalhar na Superintendência de Ensino Fundamental e Médio da Secretaria de Estado da Educação, a convite da superintendente Maria Divina Silva Melo, onde desenvolveu importantes projetos.

Em 1988 e pelo período de quatro anos coordenou, na Secretaria da Educação, um trabalho de grande significado para os goianos: a reforma do currículo da área de História das escolas públicas, permitindo a inserção, para as turmas da quinta à oitava série, do estudo de História de Goiás, até então limitado ao ensino fundamental – nesta progressão: na primeira série se passou a estudar o bairro; na segunda, o município; na terceira; o estado; e, na quarta, a Nação. Essa proposição havia sido motivo de chacotas da parte de colegas, que a questionavam, argumentando que se em São Paulo não se estudava a História daquele Estado, o que também não ocorria em Minas Gerais, qual a razão de se fazê-lo em Goiás. Em grande parte o material produzido era feito por mineiros, cariocas etc. Ainda assim, persistiu nessa discussão, que levou a várias regiões, em treinamentos nas 15 Delegacias Regionais de Ensino. Quem fazia Magistério já a estudava.

Esse debate se ampliou a partir da criação do Mestrado em História da UFG, cujos alunos trabalharam, em suas dissertações, a história de Goiás, nos mais diversos aspectos, numa extensa e expressiva produção intelectual, abrindo espaço para esse estudo. A primeira turma, de 1972, deu início a esse levantamento de dados e à apresentação de estudos mais pormenorizados dessa história. Mesmo assim, a maioria dos trabalhos não chegou a ser publicada, ficando alguns poucos exemplares restritos às bibliotecas das Universidades e interessando a um público muito restrito, por serem extensos para pessoas que buscavam informações simples.

Paralelamente a esse trabalho, assessorou a Prefeitura de Goiânia na área de educação.

Reunindo a família em Goiânia

Mais goiana do que mineira, passou dois terços de sua vida em Goiás, e daqui não saiu. Trouxe para Goiânia toda a sua família: primeiro veio a irmã, Heloísa, em 1970, também para estudar, tendo se graduado em Biologia pela UFG, e juntas construíram duas belas carreiras docentes; depois, a irmã caçula, Gláucia; e, com a morte do pai, em 1975, vieram a mãe e o irmão, Heli. Como o tio logo se mudou de Goiânia, ela e Heloísa foram morar, em 1970, no Pensionato das irmãs do Sagrado Coração de Jesus, no Setor Universitário, por dois anos; com a chegada da irmã caçula, mudaram para uma ‘república’ na Alameda do Botafogo, e, em 1976, Laís e Heloísa compraram, em conjunto, uma casa no bairro Nova Suíça. Uma tia, Madalena, que veio estudar Odontologia em Goiânia, morou com elas um período, antes de conseguir a sua transferência para Uberaba.

Desde que chegou e optou por cursar História, como não sabia nada sobre Goiás, passou a estudar para conhecer melhor a terra e o povo que a acolheram. Leu de tudo, desde geografia, história e literatura, em especial os escritores goianos, e levou esse exemplo às salas de aula, para mostrar aos seus alunos a importância de conhecerem o Estado de Goiás e seus principais autores.

Adorava cálculo e quando já era professora da Universidade Católica de Goiás chegou a começar o Curso de Engenharia Civil na instituição, como aluna extraordinária, fazendo várias disciplinas, mas não pôde prosseguir, pois na época não foi aprovada a sua admissão como aluna regular, o que depois tornou-se possível, e com isso teve que desistir. Um segundo fator era a falta de tempo, pois dava muitas aulas e havia choque de horários.

Dedicou toda uma vida à Universidade Católica de Goiás, onde construiu a sua carreira. Quando aluna, foi monitora em sua área e abraçou com toda força a primeira oportunidade de se tornar docente do ensino superior.

Em sua carreira, privilegiou as viagens, buscando conhecer os países também a partir de sua história, como nas viagens feitas à Colômbia, ao México e à Europa.

Solteira, sem filhos, esteve sempre voltada para família, promovendo encontros de confraternização, para ter a todos ao seu redor, e reuniões sociais para os muitos amigos que angariou nesse período e que estavam sempre próximos, solidários.

Numa viagem às origens, em julho de 2003, conseguiu duas certidões de batismo: em São Sebastião do Paraíso, MG, de seu avô, Justino Machado de Moraes, nascido em 12 de dezembro de 1878, e em Cajuru, SP, de sua avó, Marianna Bernardes da Silva, que ali nasceu em 17 de agosto de 1884, além da certidão de seu pai, registrando seu nascimento em 13 de novembro de 1904. Em Cajuru obteve, ainda, uma informação adicional, importante para compor a árvore genealógica: o parentesco, próximo, do ex-Presidente da República, Arthur Bernardes.

2 thoughts on “Laís Aparecida Machado

  1. Com a emoção de quem conviveu com a Lais, em Iturama, e tem um histórico escolar do curso ginasial, preenchido com muito capricho e assinado por ela, li atentamente o relato de sua trajetória em Goiás. Estou sem palavras para expressar meu elogio, mas nada surpresa. Desde jovenzinha,seguindo os passos da mãe, minha professora do 2º ano primário, Lais era uma promessa de grande educadora. Cumpriu com amor e dignidade sua missão. Parabéns Jales por cuidar da história da nossa querida historiadora.

  2. Encantada com a trajetória da Laís! Que rica contribuição para Goiás! Grata mesmo.

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