José Osório Naves reivindicou a criação do Curso e lutou pela sua aprovação. (Foto de Taquinho)

 

Principal personagem na luta pela criação do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás, um dos primeiros do Brasil, o jornalista José Osório Naves, 87 anos, que reside em Brasília, participou na manhã desta quinta-feira, dia 11, no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, das comemorações pelos 60 anos de criação do curso. Comunicativo e simpático, contou episódios marcantes daquela época, como os encontros com “o primeiro reitor Colemar Natal e Silva, que colocou empecilhos, e com o seu sucessor, Jerônimo Geraldo de Queiroz, que ficou indignado quando o Conselho Universitário foi contra a proposta, esmurrou a mesa e decidiu criá-lo assim mesmo, sancionando a Resolução nº 01/66, de 30 de setembro de 1966”.

Na época Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás, Naves tinha se aproximado de Jerônimo Queiroz devido ao fato de ter coordenado, em 1965, então com 25 anos de idade, a campanha eleitoral vitoriosa ao Governo do Estado do concunhado dele, Otávio Lage de Siqueira, a partir de quando tiveram oportunidade de longas conversas a respeito. Mostrou-lhe o Decreto nº 53.263, de 13 de dezembro de 1963, assinado pelo presidente João Goulart, que regulamentou o registro de Jornalista Profissional e passou a exigir, em seu Art. 7º, o diploma do Curso de Jornalismo.

Naves explicou que no período existiam três jornais e emissoras de rádio e televisão, com programas de notícias, que o mercado de trabalho e as empresas estavam em expansão e exigiam profissionais com essa formação técnica, para oferecer informações de melhor qualidade à sociedade goiana. “Participei do movimento que criou o Sindicato e ajudei na estruturação da entidade, inclusive sua legalização, e dediquei um grande trabalho ao registro profissional daqueles que, até aquele momento, trabalhavam nas redações. Dessa forma, regularizamos a situação de todos que já atuavam para passar a exigir, nesse registro, a devida formação técnica”, afirmou.

Ele distribuiu exemplares de seu livro “Venturas e desventuras de uma vida profissional”, que lançou em 2025, pela Literando Editora, de São Paulo, que em sua página 33 registra o momento em que o então reitor Jerônimo Geraldo de Queiroz, reunido com o Sindicato dos Jornalistas e a Associação Goiana de Imprensa, anuncia a criação do Curso de Jornalismo da UFG.

Lembrando dos jornais da época, citou o “Diário do Oeste”, do jornalista Waldemar Gomes de Melo, com uma equipe jovem, que revolucionou a imprensa goianiense naquele momento, e um episódio que repercutiu mundialmente. “Hélio Rocha, com uns 23 anos de idade, estava na redação, recebendo os telex que chegavam e de repente viu a notícia do assassinato do presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, em novembro de 1963. Reuniu todo o material e já adiantou, na manchete do dia seguinte, em três palavras, um veredito sobre o evento, se antecipando ao próprio FBI: ‘Johnson matou Kennedy’. Foi um alvoroço no dia seguinte, com a frente da redação recebendo gente e telefonemas de todos os lugares, e os jornais do mundo inteiro falando sobre essa informação”, afirmou.

 

https://aredacao.com.br/naves-conta-luta-pela-criacao-do-curso-de-jornalismo-da-ufg-e-historias-do-periodo/

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