Beth Caldeira apresentou seu livro no lançamento o IHGG (Foto de Narcisa Cordeiro)
Lançado na manhã desta quarta-feira, dia 6, no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, o “Dicionário Crítico das Vozes Femininas da Literatura em Goiás”, da escritora Elizabeth Abreu Caldeira Brito, que reúne 650 autoras, não resulta apenas de pesquisa. “Procede da convicção de que o protagonismo e pioneirismo femininos precisam ser resgatados, preservados e perenizados”, afirmou. “Ao registrarmos histórias e trajetórias nós imortalizamos legados. Abrimos novos caminhos e preservamos os já existentes”. “E, ao historiarmos as escritoras, estamos ampliando o mapa cartográfico de nossa escrita”, acrescentou.
O livro, conforme a autora, nasceu da inquietude, sensibilidade, sororidade e sentimento de pertencimento à goianidade. Foi inspirado no trabalho de Nelly Novaes Coelho, “Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras”, publicado em 2002 e ao qual dedicou cerca de 20 anos na pesquisa. O livro possui 1.401 verbetes e, desses, apenas 42 são de escritoras de Goiás. Outra inspiração foi o “Dicionário do Escritor Goiano”, de José Mendonça Teles, que em sua quarta edição, de 2011, listou 1.043 verbetes, com apenas 162 de mulheres.
É um trabalho de memória e de futuro. “Imaginem uma jovem leitora goiana, daqui a alguns anos, pesquisando sobre literatura em Goiás. Ao abrir o dicionário ela não terá apenas textos críticos. Encontrará referências e âncoras de pertencimento e sororidade” e “mulheres que transformaram experiências humanas em escrituras. Mulheres que inauguraram espaços, saíram da invisibilidade e provaram que a escrita é sobretudo um espaço de voz, presença e resistência feminina”, esclareceu.
“Não é apenas uma reunião de verbetes”, afirmou. “É um ensaio crítico, um gesto de reconhecimento e uma tentativa de perenidade”. “Busca reverenciar as trajetórias, o pensamento e a escrita de mulheres que, à sua maneira, ajudaram a ampliar o horizonte literário de Goiás e das narrativas que habitam esse universo, quer seja em prosa ou em versos, no romance ou na ficção, no teatro ou no ensaio”.
Equipe e apoios
O projeto foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, instituída pela Lei nº 14.399/2022, via Ministério da Cultura, e operacionalizada pelo Governo de Goiás, sob a gestão da Secretaria de Estado da Cultura. A produção executiva esteve a cargo da Zabeiê Produtora, com orientação da produtora cultural Lidiane Caroline. As pesquisadoras Luana de Araújo Ramos e Ludmila Abreu Brito Vieira localizaram, investigaram, reuniram e organizaram as vozes literárias, cabendo a revisão a Sandra Rosa.
Houve duas apresentações: da obra, pelo professor doutor Bento Alves Araújo Jaime Fleury Curado, que apoiou a pesquisa; e da autora, pelo doutor Nilson Jaime, peça lida pela advogada Maria Luiza Póvoa Cruz. O prefácio coube à escritora Sandra Maria Fontoura Queiroz de Pina; e numerosas indicações para composição do escopo do projeto foram feitas pelo escritor Geraldo Coelho Vaz.
Apoiaram o trabalho o IHGG, que cedeu o auditório, espaço que tem sido palco das maiores celebrações históricas e culturais de Goiás; o Armazém do Livro e seu proprietário Paulo Márcio; e os escritórios Demóstenes Torres Advogados Associados e Maria Luiza Póvoa Cruz e Advogados Associados.
Houve o vernissage da exposição “Traços, cores e gestos femininos”, com a coordenação de Pedro Galvão, presidente da Associação Goiana de Artes Visuais, e curadoria de Bento Cassiano. Estão mostrando seus trabalhos as artistas Alessandra Teles, Andyra Menezes, Carol Borges, Célia Fraia, Cleide Nazareth, Demirane, Dorothy, Elma Carneiro (in memoriam), Helenilce, Ionara Novais, M. Francisca S. B., Margarete Cantares, Mari Sousa, Maryah Bernardes, Nelze, Selvita, Solange Soares, Tainara Caiuá, Vanessa Rocha e Vânia Ferro.
Solenidade
A solenidade de lançamento teve, de início, o duo pianístico Consuelo Quireze e Maria Lúcia Roriz, que nasceu em 1998 na Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, com apresentações nas principais salas de concertos e teatros; e se caracterizou por divulgar a música brasileira para piano em países como a França, Portugal, Estados Unidos e Canadá. em programas de arte e cultura, como a apresentação na homenagem a José Saramago; ambas integram a Academia Nacional de Música e a Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (AFLAG).
Participaram da Mesa Diretora o presidente do IHGG, Jales Guedes Coelho Mendonça; a presidente da Academia Goiana de Letras, Lêda Selma; a representante da AFLAG, Jacira Pires; a presidente da Academia de Letras de Anápolis e da União Literária Anapolina, Natalina Fernandes, representando as Academias de Letras do interior; a escritora Sandra Queiroz de Pina; o presidente do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado, Nilson Jaime; e a presidente da Academia Goianiense de Letras, professora doutora Marislei de Sousa Espíndula Brasileiro.
O presidente do IHGG, Jales Guedes Coelho Mendonça cumprimentou a escritora Beth Caldeira pela iniciativa, ao pesquisar e escrever sobre a presença feminina na literatura em Goiás, resgatando o trabalho que as mulheres realizaram ao longo do tempo, numa importante contribuição à cultura goiana. Lembrou o grande trabalho já realizado por ela, numa dedicação de grande valor, o que lhe permitiu dizer que Beth tem, em seu DNA, “sangue IHGG positivo”. Disse que no livro encontrou referência à ‘Casa Rosada’, embora na época o prédio estivesse mais próximo do bege, e por isso a qualificou de “madrinha da Casa Rosada”.
Discursaram na ocasião a advogada Maria Luiza Póvoa Cruz; a presidente da ULA, Natalina Fernandes; a presidente da Academia Goianiense, Marislei Brasileiro; a representante da AFLAG, Jacira Pires; e a presidente da AGL, Leda Selma.
Encerrando, foram apresentados dois vídeos: o primeiro, sobre os quatro anos de gestão do presidente Jales Mendonça; e o segundo sobre o dicionário, com o lançamento, naquele momento, do pdf. A edição impressa será lançada posteriormente.
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