Solange apresentou o Projeto Memória (Foto de Cida Almeida)

A Universidade Federal de Goiás antecipou para a manhã de terça-feira, dia 7, para coincidir com o Dia do Jornalista, a abertura das comemorações dos 60 anos de criação do seu Curso de Jornalismo, no auditório da Faculdade de Informação e Comunicação, que estava lotado. Durante a cerimônia, os presentes ouviram dirigentes da instituição, professores, egressos e convidados discorrerem sobre sua experiência com a FIC e a importância dela na formação acadêmica dos novos profissionais e no desenvolvimento da comunicação nesse período, em cursos, seminários, palestras e projetos realizados.

A coordenadora do Curso e do evento, professora Solange Franco, apresentou o projeto, que será desenvolvido neste ano e em 2027, para resgatar e analisar a memória cultural e histórica do Curso de Jornalismo da UFG, sua importância e o impacto social nos aspectos de formação acadêmica, profissionalização e contribuição para o desenvolvimento dos meios de comunicação em Goiás. Na iniciativa, quer a colaboração de professores, estudantes, egressos, ex-professores, servidores, entidades representativas e veículos de comunicação.

“Esse é o grande diferencial das comemorações, pois poucos cursos têm um levantamento desse nível. O inventário, por exemplo, irá revelar importantes indicadores do curso em diversos aspectos, crescimento de vagas, retenção, número de ingressantes e de concluintes, entre outros dados”, afirmou. “Acredito que nosso projeto, quando finalizado com a consistência que estamos propondo, pode servir de referência e quem sabe de projeto piloto para a universidade. Aproveito a oportunidade para pedir aos egressos, ex-professores, técnicos administrativos e estudantes que nos ajudem neste projeto, enviando documentos, fotografias e dados sobre o período que estiveram no curso. Qualquer ajuda será muito bem-vinda”.

Jales Naves e Laurenice Noleto (Foto de Cida Almeida)

Boas lembranças

Presentes à solenidade, os jornalistas Jales Naves e Laurenice Noleto, que integram a segunda turma do Curso de Jornalismo da UFG (1969/1972), lembraram da comemoração dos 45 anos de sua formatura, em 2017, que foi no mesmo local, com o mesmo roteiro e idêntica dimensão e repercussão. “Foi uma boa lembrança, igualmente rica em propostas. Fizemos uma homenagem aos pioneiros na criação do curso, lançamos a segunda edição do livro “Contribuição à História da Imprensa Goiana”, de José Lobo, de 1949, e promovemos um oportuno debate sobre as novas tendências da comunicação naquele momento – as mudanças estruturais no Jornalismo e sua relação com as redes sociais, proferida pela professora doutora Nélia Del Bianco, da UFG. Mostra que a Universidade precisa se aproximar mais da sociedade, daqueles que ali estudaram e que reconhecem o valor da instituição. Realizar mais eventos dessa natureza”, disseram.

Os mestres de cerimônia, que enriqueceram aquele ato, são formados no Curso de Jornalismo da UFG: a jornalista Bárbara Falcão é de 2016 e o jornalista Paulo Henrique Santos, de 2008.

Inicialmente houve a apresentação de choro do Regional Ponta de Lança da Escola de Música da UFG, grupo formado por Breno Frezarin na flauta, Leandro Mourão no violão, Leandro Teixeira no pandeiro e Ítalo Sousa no bandolim.

Olga Curado  (Foto de Rafaela Fonseca, estudante de Jornalismo)

Alerta aos jovens

Integrante da sexta turma do Curso, que ingressou em 1973 e colou grau em 1977, com especialização pelo World Press Institute, dos Estados Unidos, a jornalista Olga Curado falou do curso, da carreira e de sua vida como jornalista. Começou cedo, em jornais, e sempre em veículos de expressão, como o “Jornal do Brasil”, “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, em sucursais e nas redações; depois migrou para a televisão, que estava se estruturando para as grandes coberturas e surgiram grandes eventos, quando dedicou mais de 25 anos. Escritora, publicou 21 livros nas áreas da comunicação, história, infantil, poesias e sobre relacionamentos.

Em função de sua forma de trabalhar, contrariando colegas e empresários, deixou os veículos e desde 2000 é consultora em gestão de crise e de imagem, preparadora de líderes para a comunicação interpessoal utilizando metodologia própria baseada no Aikido, arte marcial japonesa em que é faixa preta.

Ilustrou sua palestra com fotos dos últimos 50 anos, quando esteve presente nos principais acontecimentos do período, como jornalista, dando cobertura e orientando equipes, em jornais e emissoras de TV. Entrou muito jovem nas redações, aprendeu rápido e logo comandava os colegas, seja na elaboração de pautas ou editando material. Defendeu que os repórteres têm que estudar, ler, pesquisar e dispor de informações seguras antes de começar a elaborar seu material. Não se ater a declarações, e ter cuidado para não ser utilizado por pessoas inescrupulosas, que podem induzi-los ao erro.

Em suas análises não deixa de utilizar a bagagem conquistada ao longo dos últimos anos – seja como jornalista, consultora ou assessora. Usa sua experiência para ler o cenário e olhar o que está acontecendo. “É muito rico ter ficado de todos os lados. Isso te dá um olhar um pouco maior de como as coisas funcionam”.

Para ela, jornalismo é retaguarda social, não cria modelo, vai atrás dos que têm holofotes. E faz um alerta aos jovens repórteres, para serem mais cuidadosos em suas reportagens, pois nem sempre os fatos são como aparentam, ler e pesquisar antes de publicar suas matérias.

Presenças

Presentes ao evento a reitora da UFG, professora Sandramara Matias Chaves; a ex-reitora (2022/2025) Angelita Pereira de Lima, que dirigiu a FIC; o secretário de Comunicação da Prefeitura de Goiânia, Jarbas Rodrigues Júnior; o diretor de Telerradiodifusão, Imprensa Oficial e Site da Agência Brasil Central, do Governo do Estado, Mardem Matos da Costa Júnior; o presidente da Associação Goiana de Imprensa, Valterli Leite Guedes; o auditor fiscal da Receita Federal, Jorge Francisco Martins, supervisor do Imposto de Renda Pessoa Física, que tem ajudado o Curso com doações de material e equipamentos de comunicação; a vereadora Kátia Maria dos Santos, do Partido dos Trabalhadores de Goiânia; o diretor da Faculdade de Informação e Comunicação, Daniel Christino; dirigentes atuais da UFG, ex-dirigentes e assessores, professores, alunos, egressos e representantes de entidades.

A jornalista Cida Almeida, que integra a comissão de egressos que cuida das comemorações, elogiou o evento. “Foi lindo e significativo. Um marco na história não só da FIC como da própria UFG. Solange conseguiu aglutinar e fazer transbordar esse sentimento de fraternidade e construção”.  “Show a palestra da Olga. Muito motivadora e balizadora. Acredito que cada um de nós se viu representado um pouco na história dela, pautados por essa coragem de construir não apenas uma carreira profissional, mas uma trajetória de vida ética e digna. E orgulho danado de ver tudo isso acontecendo por suas mãos, também filha da casa e uma profissional que admiramos tanto. As comemorações dos 60 anos do Curso de Jornalismo da UFG representam uma virada de chave, porque traz resgate histórico e memória documental para fundamentar novas construções e impulsionar avanços. Honrada em compartilhar com você esse momento. Meus agradecimentos também a amiga Ione Chagas”, afirmou.

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