Colegas durante os cinco anos na Escola de Engenharia da Universidade Federal de Goiás, eles estreitaram a amizade e a mantiveram, reunindo-se pelo menos uma vez por mês, para conversar, fazer planos e para comemorações, uns sendo padrinhos dos outros nos casamentos e no batismo dos filhos. Todos bem-sucedidos em suas iniciativas, discutiam, num desses encontros, no Clube de Engenharia, o que poderiam realizar pela Engenharia, utilizando o grande potencial que representa, e pela sociedade. Foi quando decidiram retomar uma proposta que tinha sido lançada pelo presidente da entidade, Bruno Miguel Di Carlo, de criar uma Cooperativa de Crédito. Saíram em busca de informações, de mais colegas e empresas da área para formar o capital, e partiram para criar a instituição financeira e colocá-la em funcionamento, o que aconteceu em 2001.

A Cooperativa experimentou um crescimento mais lento no início, que foi se ampliando na medida em que os seus dirigentes passaram a conhecer melhor o sistema cooperativista e seu alcance. Três aspectos são destaques nessa evolução: o bom relacionamento e a credibilidade dos seus fundadores com o mercado; a transparência e o investimento na profissionalização; e a pujança do setor de Engenharia, que demanda muitos recursos. Uma nova guinada ocorreu em 2010, com a livre admissão, que lhe permitiu mesclar a indústria da construção com outros segmentos de negócios, diversificando o quadro social, para crescer mais e reduzir os riscos. O foco continua sendo o apoio a profissionais e empresas de Engenharia, que representam hoje em torno de 70% das aplicações da Carteira de Crédito, que movimenta mensalmente R$ 180 milhões.

É modelo em suas iniciativas, como na Carta de Fiança Bancária, para participar de licitações, que criou e vem sendo copiada por diversas Cooperativas. Em 2015 superou a meta, alcançando R$ 27,6 milhões de resultados e deu retorno de 3,12% na movimentação financeira do cooperado; os depósitos saltaram para R$ 243 milhões; e o Patrimônio Líquido chegou em R$ 133,2 milhões, significando a valorização do capital próprio dos associados, integralizado na Cooperativa. O quadro social fechou o ano com 3.944 cooperados; são ainda 87 colaboradores e cinco estagiários. Conta com três Pontos de Atendimento aos cooperados: em Goiânia ficam na Av. República do Líbano, próximo à Praça Tamandaré, e no Mega Moda Shopping; e na Cidade Empresarial, em Aparecida de Goiânia.

História e movimentação

A proposta de criação de uma Cooperativa de Crédito, a primeira dessa área profissional, surgiu num encontro informal de colegas no Clube de Engenharia de Goiás, no mês de setembro de 1998. Numa conversa com o presidente Bruno Di Carlo, o engenheiro civil Alexandre Carvalho Alzamora, superintendente da Rohr S/A, empresa especializada em escoramento e formas metálicas, de São Paulo, e que prestava serviços a várias construtoras goianas, falou da experiência exitosa do irmão dele como Presidente da Cooperativa de Crédito de Bambui, em Minas Gerais, e sugeriu a criação de uma em Goiânia, reunindo os profissionais e as empresas de Engenharia. Ele gostou da ideia, no dia seguinte pediu mais informações e no mês seguinte começaram os contatos: com o Bancoob, banco cooperativo do Sistema Sicoob, sobre estrutura e funcionamento da instituição; na Organização das Cooperativas de Goiás, em busca de informações e de especialista para explicar o sistema; e já partiram à procura de técnico com conhecimento nas áreas cooperativista e bancária para organizar a nova entidade. Esse pioneirismo do Clube de Engenharia lhe rendeu o marco simbólico de ser titular da conta nº 001 da Cooperativa.

O economista Luiz Alberto Rodrigues Torres, consultor econômico financeiro, com integral apoio do Clube de Engenharia, foi contratado com essa missão: montou todo o processo para viabilização da instituição e fez um trabalho de captação de cooperados. Foi utilizado o nome do clube na divulgação da proposta, servindo como referência no andamento das providências e no diálogo com profissionais e empresas para aderirem. Num primeiro momento, essas articulações não avançaram.

Integrantes da turma de 1984 da faculdade, Daniel Jean Laperche, Luís Alberto Pereira, Antônio Camargo Júnior, Miguel Garcia Filho, Marcelo Alves Ferreira, que presidia o Clube de Engenharia e cedeu espaço para as reuniões, e Paulo de Oliveira Abrão, dentre outros, todos então na faixa dos 40 anos de idade e bem-sucedidos em seus empreendimentos, formam o grupo que se reunia periodicamente. Aproveitaram esse convívio social para ampliar o relacionamento e dar sua contribuição à sociedade e à Engenharia. Sentiam que as empresas e os profissionais da área sempre sofriam com os bancos, diante das taxas elevadas; cada um tinha sua experiência para contar.

Num desses momentos a proposta de criar uma Cooperativa de Crédito reapareceu, retomaram as conversas e, aceita, começaram a exercitar a cooperação: cotizaram para pagar os custos com elaboração do projeto, organização dos documentos etc. Luís Alberto Pereira, que já tinha sua empresa de construção e trabalhava na Secretaria da Fazenda do Estado, onde chegou a Superintendente do Tesouro Estadual, era uma espécie de tesoureiro informal, que coletava o dinheiro com os colegas para pagar as contas que surgiam desse projeto.

Um terceiro momento nessa movimentação aconteceu em Goianésia. Um grupo tinha marcado uma reunião com o Presidente da Central em Goiânia, para falar sobre o assunto, mas não foi possível na data combinada. Depois, telefonaram se desculpando e pedindo um novo horário, quando José Salvino sugeriu que se reunissem em sua casa, o grupo concordou e viajou ao Vale do São Patrício.

“Posso dizer que a Cooperativa de Crédito dos Engenheiros nasceu em minha casa”, disse o Presidente da Central, explicando que passaram o dia inteiro conversando sobre o assunto, e tomaram a decisão favorável ao retornarem a Goiânia.

A Cooperativa de Crédito Mútuo dos Engenheiros e Arquitetos das Micro-Regiões de Goiânia e Anápolis Ltda., com a sigla Engecred, foi constituída no dia 24 de abril de 2000, com a aprovação do estatuto social e, em seguida, eleição dos integrantes do Conselho de Administração, para mandato até 2003: presidente, André Luiz Baptista Lins Rocha; 1º vice-presidente, Daniel Jean Laperche; 2º vice-pesidente, Luís Alberto Pereira; e, conselheiros, Antonio Camargo Júnior, Manoel Garcia Filho, Marcelo Alves Ferreira, Marcelo Sardinha de Vasconcelos, Carlos Alberto de Paula Moura Júnior e José Ilídio Barbosa Fidalgo. Foram eleitos para o Conselho Fiscal, mandato de um ano: Gerson de Almeida Taguatinga, Paulo de Oliveira Abrão e Antônio Carlos Rezende da Silva, como efetivos, e Jadir Matsuy, Gentil Vanderlei de Aquino Júnior e Bruno Miguel Di Carlo, suplentes, com a posse se dando após a homologação dos nomes pelo Banco Central. Os eleitos abriram mão, no primeiro período de sua gestão, de honorários, ‘pro labore‘ ou cédula de presença nas reuniões, para liberar a nova entidade desses custos na sua implantação. Foi aprovada a sua filiação na Cooperativa Central, para participar do Sistema de Crédito Cooperativo de Goiás (Credigoiás). Os 38 fundadores, com cota individual de dois mil reais, integralizaram o capital social de R$ 76 mil, 50% a vista.

Foram fundadores também: Agostinho Alcântara Neto, Alexandre Augusto Ferreira de Oliveira, André Eugene Laperche, Antônio Carlos da Cunha, Carmerindo Rodrigues Rabelo, Dalton da Cunha Matos, Eduardo Muller, Fernando Eurípedes de Souza, Gabriel José Benedito de Oliveira, Helder Fausto de Souza, Hudson Pinheiro Chaves, Marcel Garcia de Souza, Odair Yoshiaki Fukuya, Omar de Oliveira Abrão, Paulo Afonso Ferreira, Raul Oliveira Nunes, Ricardo Maciel, Suzana dos Santos Mendes, Valdivino Dias de Oliveira e Wásceles Alves Ferreira Júnior.

O início das atividades aconteceu mais de um ano depois, em 5 de setembro de 2001. Até então eles faziam reuniões e mantinham contatos para conseguir mais adesões e capital e começar a funcionar. A Diretoria tinha boa penetração e se reuniu com dirigentes do Crea-GO, Sinduscon-GO, Ademi e AGE, empresas e com profissionais, procurando sensibilizá-los para a iniciativa. Instalaram a Cooperativa numa pequena sala alugada na Rua João de Abreu, no Setor Oeste, e contrataram como gerente o bancário Pedro Omar, que tinha se aposentado no Banco do Brasil. A arquiteta Tania Moraes criou e doou a logomarca, substituída quando o Sicoob criou nova marca e padronizou a sua simbologia.

O apoio do Clube de Engenharia foi importante, ao abrir espaço para os debates, no apoio financeiro para as iniciativas necessárias e, inclusive, cedendo a primeira sede, uma salinha, e ainda como primeiro cooperado, fazendo as suas movimentações financeiras via Cooperativa de Crédito.

Em 2003, já funcionando, num ritmo lento, ganhou dinâmica a partir de estudo feito pelo cooperado Fabrício Modesto César, com a experiência de ter trabalhado na Cooperativa Central de Crédito de Goiás e no Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), e que estava na Faculdade Cambury. Ele mostrou que o capital era fundamental nesse início, para poder emprestar, fazer girar os recursos e movimentar a Cooperativa, conseguindo mais adesões. Foi quando definiram por uma nova chamada de capital, no valor de R$ 10 mil para cada um, e o volume de recursos aumentou. Destacou ainda que seria importante não só os já cooperados movimentarem seus recursos financeiros na Cooperativa, mas também suas empresas do ramo de engenharia. O próprio Fabrício foi convidado a assumir a gestão executiva, inicialmente num sistema terceirizado e depois como contratado. A partir daí a Cooperativa passou a cumprir melhor sua função, de atender os profissionais e empresas com recursos em melhores condições.

Um dos fundadores e mostrando-se cooperativista na essência, o cooperado Manoel Garcia Filho abraçou a causa desde o início e foi pioneiro também no suporte financeiro às atividades iniciais. As suas duas empresas, Construtora Biapó e Porto Belo Engenharia, bem capitalizadas, foram as primeiras a abrir conta corrente, a fazer depósitos, a movimentar os pagamentos e a manter bom saldo na Cooperativa, favorecendo, com a atitude, o desenvolvimento das transações financeiras. “Emprestávamos no limite. Não podíamos ficar a descoberto”, lembra o presidente Luís Alberto.

Cumprindo seus objetivos, o Sicoob Engecred-GO procura atender os cooperados em suas demandas, como no financiamento da primeira etapa de construção de um edifício, quando o empreendedor tem que aplicar 30% do valor da obra para pleitear recursos mais baratos para dar sequência e concluir o empreendimento. Diversos projetos habitacionais já contaram com essa participação da Cooperativa. “É o pontapé inicial para o trabalho deslanchar”, lembra o presidente do Conselho de Administração, Luís Alberto Pereira, para explicar que a instituição ainda não tem recursos para financiar a construção de um prédio inteiro.

Diferentes atividades visando o desenvolvimento socioeconômico das comunidades em que os cooperados estão inseridos são realizadas pelo Sicoob Engecred-GO. Cada projeto corresponde a uma resposta do Conselho e diretorias, sempre atentos em ouvir o mercado, interpretá-lo e oferecer soluções financeiras compatíveis com suas necessidades, pautadas em solidez e segurança. Uma dessas ações, de partilhar informações de interesse comum para a geração de parcerias e construir soluções em conjunto, é o Seletto, quando os seus dirigentes recebem representantes de empresas de variados segmentos do mercado. Em 2015 os encontros foram mensais, no horário do almoço, com executivos do Grupo Cereal e Caramuru, Rizzo Imobiliária, Sebrae Goiás, Grupo Masut, Grupo Partner, Porto Belo, Opus Incorporadora, Grupo Hospfar e Adão Imóveis.

O Projeto Boas Práticas em Cooperativismo de Crédito, parceria entre o Sicoob Engecred-GO e o Sebrae Goiás, iniciado em 2013, continua rendendo frutos para aproximar a instituição dos miroempresários. Missão técnica realizada em Santa Catarina em outubro de 2015 com a participação do diretor de Suporte Organizacional, Ricardo Elias Wandscheer, trouxe novas ideias para a Cooperativa atender o segmento, que reúne, em Goiás, 184 mil empresas, conforme dados do ‘Anuário Sebrae 2013’. “Sempre operamos com pequenas e médias empresas. Está em nosso DNA trabalhar com Pessoa Jurídica desde o nascimento da Cooperativa. No entanto, a partir dessa parceria aumentamos o foco. Estamos incrementando nossas estratégias de olho nesses microempresários”, afirmou o diretor.

Instituto Engecred

Uma importante iniciativa, o Instituto Engecred, criado para devolver à sociedade um pouco dos ganhos advindos das oportunidades oferecidas pela Cooperativa, estruturou-se para desenvolver novos projetos, como a criação da moeda social, para regiões com baixo IDH, de forma a estimular as atividades comunitárias e as trocas no local. “Um dos caminhos para materializar a solidariedade e cooperação para o desenvolvimento humano das pessoas em seu ambiente de atuação é assumir a responsabilidade social”, destacou o presidente do Instituto, Manoel Garcia Filho. Como exemplo, em parceria com o Sicoob Engecred-GO, Sebrae Goiás e Mega Moda Shopping, o Instituto realizou no Hotel Soft Inn, para cooperados e lojistas desse centro de compras, a Oficina sobre Modelo de Excelência em Gestão (MEG); incluiu fundamentos em planejamento financeiro, qualidade de produção e diagnóstico para devolutiva, analisando indicadores para construção de um plano de melhoria para cada empresa.

O Instituto Engecred também fomentou as atividades lúdicas e de recreação do Grupo Fraterno Paulo de Tarso, doando a aparelhagem de som com uma mesa, duas caixas e dois microfones; o som é utilizado nas apresentações, confraternizações e jantares beneficentes realizados durante o ano. Com isso, não terá mais custos de locação desse material e poderá aplicar o dinheiro em outras finalidades. O Grupo Fraterno atende 40 crianças, em projeto social de acolhimento e reforço escolar.

Outras duas atividades sociais:

  1. Voluntários do Sicoob Engecred-GO e do Instituto Engecred distribuíram frutas, sanduíches e sucos para as crianças e familiares que participaram, no Parque Mutirama, no Dia de Cooperar. A ação, promovida pela Organização das Cooperativas Brasileiras em Goiás, contou com o apoio de várias Cooperativas goianas e o atendimento de aproximadamente 1.000 pessoas.
  2. Campanha Natal Solidário, do sistema Sicoob, que incentivou os cooperados e colaboradores a conhecerem a realidade dos asilos e a se lembrarem dos ‘esquecidos’ nessa época do ano, levando aos idosos carinho e atenção. Foram arrecadadas aproximadamente sete mil fraldas geriátricas, em dezembro de 2015, entregues ao Abrigo São Vicente de Paula, que cuida de 72 idosos. O Instituto e o Sicoob Engecred-GO ainda fizeram um lanche, com música e entretenimento, para todos os idosos, no dia 29.

Em 2013 o Instituto Engecred colaborou para a implantação do programa Novo Futuro, do Lyceu de Goiânia, um dos mais tradicionais colégios da Capital. O trabalho consistiu no ensino de tempo integral para estudantes do nível médio; foram doados nove computadores e 200 livros para a Bilbioteca do Conselho Escolar do colégio.

O trabalho de apoio ao Lyceu de Goiânia continuou em 2014, com o desenvolvimento de três projetos:

  1. doou mais nove computadores, no objetivo de melhorar o serviço de informática e proporcionar aos alunos, professores e dirigentes maior agilidade na pesquisa e desenvolvimento de atividades educacionais. O colégio ganhou, também, mais livros para a sua biblioteca, para melhorar e aumentar o acervo de conhecimentos e pesquisa dos alunos, numa parceria com a Editora da Universidade Federal de Goiás.
  2. acompanhou e consolidou o projeto Escola de Ensino Médio Integral, atendendo 400 alunos e contribuindo para engrandecer a educação e melhorar a colocação no Ideb e aprovação no Enem e Vestibular.
  3. visita de 80 alunos do terceiro ano do ensino médio do colégio à Estação Ciência de Goiânia, como estímulo à arte e à cultura, mostrando a importância de aprender ciência.

Depoimentos:
Bruno Miguel Di Carlo, fundador do Sicoob Engecred-GO e presidente do Clube de Engenharia de Goiás;
Fabrício Modesto Cesar, diretor geral do Sicoob Engecred-GO;
Luís Alberto Pereira, fundador e presidente do Conselho de Administração do Sicoob Engecred-GO;
Ricardo Elias Sandri Wandscheer, diretor de Suporte Organizacional do Sicoob Engecred-GO.

Documentos:

  • Anuário Sebrae 2013. Serviço Brasileiro das Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Goiânia, 2013.
  • Ata da Assembleia Geral de Constituição da Cooperativa de Crédito Mútuo dos Engenheiros e Arquitetos das Micro-Regiões de Goiânia e Anápolis, Ltda. (Engecred-GO), realizada no dia 24 de abril de 2000, na sede do Clube de Engenharia de Goiás, em Goiânia, GO.
  • Clube de Notícias, revista mensal do Clube de Engenharia de Goiás. Goiânia, edição nº 271, dezembro de 2008.
  • Relatório Anual 2012 da Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Goiânia e Região Ltda. (Sicoob Engecred-GO), Goiânia, fevereiro de 2013.
  • Relatório Anual 2013 do Sicoob Engecred-GO, Goiânia, fev/2014.
  • Relatório Anual 2014 do Sicoob Engecred-GO, Goiânia, fev/2015.
  • Relatório Anual 2015 do Sicoob Engecred-GO, Goiânia, fev/2016.
  • Somar, publicação do Sicoob Engecred-GO, edição nº 35, out-nov-dez 2015, p. 16.

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