Voluntário, o paulista Antônio Naves do Prado é um herói da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo entre os meses de julho e outubro desse ano, como registrou o livro “Cruzes Paulistas”, publicado em 1936 em homenagem a todos que morreram em prol da Constituição. A também chamada Guerra Paulista teve como objetivo a derrubada do Governo Provisório – imposto e instalado em São Paulo por Getúlio Vargas – e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil.

Agora, o blog Família Naves, organizado e coordenado pelo advogado Abilon Naves de Campos Silva, e a Editora Naves, que vai realizar o Festival Cultural Naves Brasil, querem identificar esse herói, para igualmente homenageá-lo no evento. A campanha que lançam é para encontrar informações sobre esse paulista possivelmente de Santos, a data de seu nascimento, o nome de seus pais e demais familiares, a profissão que exerceu e histórias sobre ele. É provável que tenha nascido em 1895. A intenção é localizar e gravar seu nome na árvore genealógica da família.

O nome dele, junto com centenas de outros atiradores voluntários, foi retirado do livro produzido como parte da Campanha Pró Monumento e Mausoléu ao Soldado Paulista de 32. “A todos os que lutaram fica a gratidão de um povo que no futuro viu sua Constituição de verdade, e que a busca pela liberdade valeu a pena”, registraram. São poucas as informações disponíveis, como ter partido para o combate a partir do Tiro Naval (corporação de Santos, SP).

Guerra paulista

A Guerra Paulista foi uma resposta de São Paulo à Revolução de 1930, que acabou com a autonomia dos Estados durante a vigência da Constituição de 1891. Esse movimento impediu a posse do ex-presidente (atualmente denomina-se governador) do estado de São Paulo, Júlio Prestes, na presidência da República, e derrubou do poder o então presidente Washington Luís, colocando fim à República Velha. Como a iniciativa invalidou a Constituição de 1891, instaurou-se o Governo Provisório, chefiado pelo candidato derrotado das eleições de 1930, Getúlio Vargas.

No total, foram 87 dias de combates (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 – sendo os últimos dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de 934 mortos, embora estimativas, não oficiais, reportem até 2.200 mortos. Numerosas cidades do interior paulista sofreram danos devido aos combates.

São Paulo, após a Revolução de 32, voltou a ser governado por paulistas, e, dois anos depois, uma nova Carta Magna foi promulgada, a Constituição de 1934.

Atualmente, o dia 9 de julho, que marca o início da Revolução de 1932, é a data cívica mais importante do Estado de São Paulo e feriado estadual. Os paulistas consideram esse o maior movimento cívico de sua história.

Heróis

O Decreto nº 7.917, de 12.05.1976, autorizou o sepultamento de despojos de heróis de 32 no Monumento-Mausoléu do Soldado Constitucionalista, citando 12 homenageados, dentre os quais o voluntário Antônio Naves do Prado. Na decisão, o então governador Paulo Egydio Martins, considerou que compete ao Estado prestigiar as comemorações cívicas, em especial as relacionadas com as homenagens aos heróis da Revolução Constitucionalista de 1932; que São Paulo, todos os anos, reverencia os vultos heroicos dos que naquele Movimento tombaram no campo da luta, sepultando ali seus despojos; e a representação feita pela Sociedade Veteranos de 32 – M.M.D.C., em relação aos heróis cujos despojos deverão ser ali sepultados.

A Lei nº 2.430, de 20 de junho de 2011, inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (M.M.D.C.), heróis paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, no “Livro dos Heróis da Pátria”. Foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas e o último grande conflito armado ocorrido no Brasil.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.