A história da Comunicação em Goiás ganha um novo capítulo na próxima quarta-feira, dia 8, com o lançamento do livro “A Cooperativa de Jornalistas de Goiás (Projornal)”, de autoria da jornalista e pesquisadora Kalyne Menezes. A obra integra a Coleção Expressão Acadêmica, da Editora UFG, junto com mais 15 títulos selecionados para publicação em formato eletrônico (e-book). O lançamento será às 18 h, no auditório da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal de Goiás.

Quem colaborou com a pesquisa foi o jornalista Jales Naves, um dos fundadores da Cooperativa, que a estruturou funcionalmente em sua primeira fase e a presidiu. Ele guardou importantes documentos daquele período, como os estudos e os documentos do início do trabalho e as avaliações feitas, na presidência da jornalista Marli Brasil.

Doutorado

A obra é resultado de pesquisa de doutorado da autora, orientada pela professora Rosana Borges e defendida em 2022 no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFG. Fundada em 1978, período final da ditadura militar, a Cooperativa foi uma alternativa ao cenário do jornalismo em Goiás, marcado pelo desemprego, pela censura e pelas restrições dos veículos de comunicação da época.

As narrativas e memórias contidas no livro mostram essa semente de resistência, contada por meio de documentos da década de 70, de entrevistas com jornalistas que atuaram no projeto e que são referência na comunicação em Goiás, tanto em instituições e veículos de imprensa quanto na formação profissional de jornalistas.

“A Projornal foi ao mesmo tempo uma alternativa de mercado e a materialização de um ideal de jornalistas que desejavam uma produção mais independente, autônoma e coerente com a visão de mundo e prática profissional. O livro mostra como a união de profissionais com pensamentos distintos, em prol de um coletivo, gerou frutos que reverberam até hoje na comunicação em Goiás, e que ainda podem servir de inspiração para jornalistas”, destaca a autora.

Kalyne Menezes complementa que a Projornal foi um projeto alternativo e independente, com atuação motivada não apenas para ocupar um lugar de mercado, mas de uma maneira próxima do que os envolvidos consideravam um “jornalismo de verdade”. A Cooperativa teve projetos ricos em vários âmbitos, desde a comunicação alternativa e comunitária até a organizacional, influenciando também a formação universitária de jornalistas no estado.

A orientadora Rosana Borges destaca que, apesar de sua importância para a história do estado e do país, a trajetória da Cooperativa permanecia em silêncio nos registros acadêmicos até a realização desta pesquisa, que situou a Projornal na história da Comunicação em Goiás. “A Cooperativa acolheu pessoas e abriu mercados quando o horizonte trevoso da ditadura militar imputava censuras, prisões, torturas e fechamento de oportunidades de trabalho para jornalistas que, no olhar dos ditadores, eram considerados subversivos e periculosos à segurança nacional”, afirma.

https://aredacao.com.br/jornalista-kalyne-meneze-lanca-livro-que-resgata-historia-da-cooperativa-de-jornalistas-de-goias/

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