A construção da história da família Naves no Brasil tem sido um trabalho em equipe, de ajuda mútua, colaboração entre pesquisadores, dedicação e interesse de parentes situados nas mais diversas regiões do país. Um exemplo importante dessa união se deu com a descoberta, pelo pesquisador Nilson N. Naves – que morava em Londrina, PR – no Museu Regional de São João del Rey, MG, do inventário de João Naves Damasceno; a divulgação desse fato histórico no boletim “Notícias de Naves”, edição nº 86, de 09.10.2007, editado em Goiânia pelo jornalista Jales e enviado pela internet; e a obtenção de uma cópia do documento pelo advogado Abilon Naves de Campos Silva, de Araçatuba, SP.

O boletim, que atingiu 260 edições, foi um dos principais veículos que a Editora Naves criou para aproximação entre os parentes – o primeiro foi a revista “Família Naves”, com nove edições –, e neles foram publicadas as mais diversas descobertas que feitas no período. O documento consta do livro “A história da família Naves no Brasil”, p. 54, das professoras Maria Helena Fernandes Cardoso e Vicentina Naves Fernandes, com a participação do jornalista Jales Naves, publicado pela Editora Naves e já disponível para os interessados.

Informação histórica

“A informação que apresentamos hoje, com exclusividade, pode-se dizer, é histórica, extremamente relevante e talvez seja um dos dados mais importantes já colhidos até agora sobre a família Naves do Brasil. Em especial por considerarmos João Naves Damasceno o parente mais antigo, quando nos referimos àqueles que se estabeleceram no Triângulo Mineiro e se espalharam, posteriormente, para as mais diversas regiões do País”, afirmava o texto do boletim, quando começa a identificação de documentos sobre a família.

Até então havia duas referências: José Francisco Naves, que a prima e grande pesquisadora Maria Helena Fernandes Cardoso (Dorinha), de Uberlândia, considerava o Naves mais antigo dentre os até então conhecidos, e Venâncio José Naves. “Na primeira vez que nos falamos, eu apresentei um esboço de árvore genealógica que meu pai, José Rodrigues Naves Júnior, mantinha guardado entre seus pertences, e que indicava, como bisavô dele Venâncio José Naves. Os dois, Venâncio José e José Francisco, pelo que pudemos notar na época, eram muito amigos, próximos e, talvez, irmãos. Eles estavam sempre próximos, um apadrinhando o outro em batizados e até sendo padrinhos deles mesmos”, explicou Jales Naves, sobre os dados disponíveis naquela época.

Dorinha, que tinha paralisado as pesquisas que realizava, sentiu-se motivada a retomar esse trabalho, deu seqüência ao importante estudo que já realizava, há uns 20 anos, com a irmã Vicentina Naves Cardoso, e saíram a campo, para importantíssimas descobertas, como o inventário de Venâncio José Naves. “E me presenteou com uma cópia de todo o processo, que considerei, na época, um dos grandes presentes que tinha recebido. Lendo o extenso documento, descobri que os pais dele se chamavam João Naves Damasceno e Anna Victória de São Thomé – e não mais tínhamos outras informações, nem o local e data de nascimento de nenhum dos dois”.

São João del Rei

Posteriormente, divulgando esse fato – “como sempre faço, com tudo que me tem chegado, pois são informações que interessam a todos, e não apenas a mim” –, outro grande pesquisador da família, Nilson N. Naves, indica mais dois filhos de João Naves Damasceno, mas sem os dados deles. Era um passo interessante e que se teria que ir atrás. Logo depois, sempre à procura de dados para traçar o tão esperado roteiro dos Naves no Brasil, novamente Nilson informa ter descoberto o inventário de João Naves Damasceno no Museu Regional de São João del Rey. Ele tenta contato com o pessoal daquele centro histórico e nada consegue, “repassando-nos a dificuldade de prosseguir a pesquisa, quando outro grande colaborador, e pesquisador por natureza, resolve encampar a luta, fazendo-a avançar: Abilon Naves”. De posse da informação da dificuldade em obter os dados nessa cidade mineira, ele começa seus contatos, faz suas ligações e anuncia, em mensagem posterior, que tinha localizado uma pesquisadora, que a estava contratando para o levantamento e que ela iria, inclusive, levantar fotos.

Completando esse verdadeiro trabalho em equipe de pesquisa, de muitas mãos, “que começou há pelo menos uns 50 anos e que estava guardado entre os documentos de meu falecido pai”, surgem fatos excepcionais, que dão uma nova direção ao levantamento. Descobriu-se, finalmente, dados concretos de João Naves Damasceno e de Anna Victória de São Thomé: por exemplo, que tiveram não um ou dois filhos, mas 11, e a relação, com essas informações, tinha acabado de chegar.

“O trabalho iniciado pelo meu pai e pelo irmão dele, e meu tio, Sebastião Naves, aprofundou mais e chegamos – graças ao trabalho da Dorinha, da Vicentina (que faleceu recentemente, sem poder concluir o trabalho que iniciou), do Nilson e do Abilon, em especial – aos meus (e de quase todos os que conhecemos) tetravós, o que nos permite avançar ainda mais na pesquisa, pois as descobertas estão apenas começando. E são documentos, que lastreiam o trabalho e dão cientificidade aos relatos”, foi relatado no boletim.

Transcrição dos inventários

O advogado Abilon Naves contratou a pesquisadora Edriana Aparecida Nolasco, que fez o trabalho de transcrição dos inventários de João Naves Damasceno (Anna Vittoria de São Thomé, inventariante) e de Manoel de Almeida Naves (Francisco de Almeida Naves, seu irmão, herdeiro e inventariante).

“No inventário de João Naves Damasceno algumas folhas dos autos do processo estão seriamente comprometidas pelo desgaste e obliteração de partes, outras tantas encontram-se razoáveis, entretanto, em sua grande parte, encontram-se em plena condição de sua integral transcrição”, afirmou Abilon. “Iniciamos, também, a abordagem do relatório fotográfico (99 slides) que requer um trabalho de aperfeiçoamento de imagem (fotoshop) para melhor visualização, conforme se pode constatar por algumas, anexo”.

Também enviou cópia da transcrição do condensado do inventário.

Dados

João Naves Damasceno faleceu em 30 de maio de 1831, no Arraial do Bom Sucesso, Termo da Vila de São José de Minas e Comarca do Rio das Mortes (hoje, Comarca de São João del Rey) e foi casado uma única vez com a Inventariante (Anna Vittória de São Thomé):

Transcrição: Edriana Aparecida Nolasco, a pedido de Abilon Naves

TIPO DE DOCUMENTO_ Inventário
ANO_ 1832 CAIXA 563
INVENTARIADO_ João Naves Damasceno
INVENTARIANTE_ Ana Vitória de São Thomé
LOCAL_ Arraial do Bom Sucesso, Termo da Vila de São José
 
Fl 01 Inventário dos bens que ficaram por falecimento de João Naves Damasceno de quem ficou viúva e inventariante dona Ana Vitória de São Thomé
DATA_ 05 de julho de 1832
LOCAL_ Arraial do Bom Sucesso, Termo da Vila de São José Minas e Comarca do Rio das Mortes
 
Fl 02 V DECLARAÇÃO
  Declarou a Inventariante que seu falecido marido Inventariado faleceu aos trinta de maio do ano próximo passado, sem testamento e que fora casado uma única vez com ela Inventariante (…)
 
Fl 03 FILHOS
01_ Francisco de Sales Naves Idade de 50
02_ João Brás dos Reis Naves 48
03_ Miguel José Naves 38
04_ Venâncio José Naves 36
05_ Joaquim Dias de Oliveira Naves 34
06_ José Francisco Naves 32
07_ Antônio Manoel Naves 30
08_ Manoel Antônio Naves 28
09_ Diogo José naves 26
10_ Dona Maria, casada com Alexandre Esmayel de Assis
11_ Dona Ana Esméria Miquelina 16
 
Fl 04 V BENS DE RAIZ
  Uma sorte de terras sitas no Porto Velho do Macaia que se compõem de doze alqueires de planta de ( Fl 05) capoeira 192$000
  No logrador da sociedade 10$000
  Três quartas e meia de capoeira sita no do Mato Dentro em sociedade com os herdeiros de João Veloso 14$000
 
Fl 09 PROCURAÇÃO
DATA_ 05 de julho de 1832
LOCAL_ Arraial do Bom Sucesso, Termo da Vila de São José. Comarca do Rio das Mortes
QUE FAZ_ Alexandre Esmael de Assis por cabeça de sua mulher
PROCURADORES NOMEADOS_ Rufino Lopes da Silva e José Joaquim de Santa Ana
FINS_ Assinar Termo de Tutela da órfã sua irmã
 
MONTE MOR _ 2: 769$430
(transcrevendo) OBJETOS
(transcrevendo) ANIMAIS
(transcrevendo) ESCRAVOS

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