Jales Naves e Heloísa com Sevan e Ana Maria, Eliza e José Osório (Foto de Lays Carvalho)
Ao celebrar na manhã desta terça-feira, 13, o Dia Mundial do Escritor, o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás prestou homenagem a dois de seus mais ilustres sócios titulares e, ao mesmo tempo, à própria família Naves, uma das linhagens mais importantes de Goiás: o médico e pesquisador Waldemar Naves do Amaral que, em equipe, conquistou o Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, da Câmara Brasileira do Livro, com a obra “Do Achado ao Laudo: Estratégias de Diagnóstico por Imagem em Endometriose”; e o jornalista Jales Naves, secretário-geral da atual Diretoria do Instituto, que lançou seu novo livro, “São Geraldo / Goianira – O surgimento do povoado e a trajetória de pioneiros. Documentos registram a construção do distrito e da cidade”, primeira obra sobre sua terra natal e que foi muito aplaudido pelos presentes ao evento.
Embora não possua uma autoria ou histórico institucional único amplamente oficializado, o Dia Mundial do Escritor é adotado no calendário internacional para homenagear os profissionais que transformam ideias e sentimentos em palavras. Os objetivos da data, como destacou o presidente do IHGG, Jales Guedes Coelho Mendonça, comungam com a missão do Instituto: valorizar a importância da literatura, a liberdade de expressão e o papel dos autores na preservação da cultura e na transmissão de conhecimento entre gerações.
A médica radiologista, historiadora e pesquisadora doutora Ana Carolina D’Abreu Carvalho Pires ressaltou o trabalho da equipe do dr. Waldemar Naves, abordando a importância do diagnóstico preciso de uma doença que ainda leva muitas mulheres a anos de espera por respostas e tratamento, e os desafios do diagnóstico de endometriose. De outra parte, sobre o livro de Jales Naves, destacou o significado do resgate da história de famílias pioneiras, muitas vindas de Minas Gerais em carros de bois, que contribuíram para a formação de municípios goianos, e que forneceram materiais e técnicas construtivas para a edificação de Goiânia, considerando o livro de fundamental importância para essa retomada. Para ela, as duas obras são valiosas contribuições à medicina e à preservação da memória histórica de Goiás.
Bem votado nas últimas eleições, quando conquistou mais de 68.200 votos e ficou na suplência de Deputado Federal, o vereador Luiz Fernando Naves Sanches de Siqueira, do Partido Progressista (PP), que adotou o apelido de Sanches, fez questão de elogiar o seu tio, Jales Naves. “O senhor, tímido e agindo de forma introspectiva, se torna um gigante quando assume suas lutas e agradeço muito por sua ajuda em minha campanha eleitoral”. Falou de suas belas realizações, citando o livro que estava lançando, fruto de mais de 10 anos de pesquisas e que recupera a memória de sua cidade natal; de sua liderança na família, recuperando e valorizando a história e a presença de mais de 375 anos no Brasil, e sempre acompanhado de sua esposa, a tia Heloisa; disse de seus projetos como parlamentar, de lutar pela família, pela cultura, pela saúde, pela segurança pública e pelo esporte, e agradeceu o apoio à sua campanha eleitoral, quando tiveram oportunidade de maior convivência e relacionamento. Elogiou o trabalho do presidente do IHGG, Jales Mendonça.

Os médicos Ana Carolina D’Abreu Carvalho Pires e Waldemar Naves do Amaral
Jabuti Acadêmico
O Prêmio Jabuti, principal reconhecimento literário do Brasil, tem sido uma plataforma duradoura para celebrar e destacar talentos nacionais, tornando-se uma referência incontestável no cenário literário ao proporcionar visibilidade a obras que enriquecem a cultura e o conhecimento do País. Frente à vasta e crescente produção acadêmica no Brasil, surgiu a necessidade de criar um prêmio específico. Em janeiro de 2024, com o apoio da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência a CBL lançou o Prêmio Jabuti Acadêmico, uma iniciativa para reconhecer e enaltecer o valor dos livros acadêmicos, científicos, técnicos, profissionais e didáticos nacionais que moldam e impulsionam o avanço do conhecimento.
O Prêmio Jabuti Acadêmico fundamenta-se na crucial importância dessa produção para o progresso cultural e científico. As obras originadas desses campos desempenham um papel fundamental no avanço do conhecimento, no aprimoramento das práticas profissionais e no estímulo à inovação.
Neste ano, na área de Medicina, o primeiro lugar coube ao livro “Do Achado ao Laudo: Estratégias de Diagnóstico por Imagem em Endometriose”, que tem como autores Ana Luiza Santos Marques, Pedro Pires Ferreira Neto, Rui Gilberto Ferreira e Waldemar Naves do Amaral. A obra saiu pela Conexão Editora.
Em seu prefácio científico, o médico Manoel Orlando Gonçalves, pioneiro no Diagnóstico da Endometriose, esclareceu que a Medicina evolui constantemente, mas, em alguns momentos, ocorrem saltos significativos. Isso aconteceu com a endometriose no início dos anos 2000. “Descrita desde o final do século XIX, a doença foi por muito tempo relegada ao ostracismo, seja por não se reconhecer sua prevalência e importância clínica, seja, sem dúvida, por sua complexidade diagnóstica e terapêutica”.
Em relação à ultrassonografia, “o artigo de Bazot, de 2003, e o nosso, de 2007, abriram novas perspectivas para o diagnóstico e estadiamento por imagem, demonstrando que o exame transvaginal, principalmente com preparo intestinal, pode ser uma ferramenta fundamental no planejamento terapêutico, seja clínico ou cirúrgico”.
A partir de então houve uma evolução constante dos métodos de imagem e da videolaparoscopia, com uma troca incessante de informações entre as equipes cirúrgicas e os imaginologistas, culminando, recentemente, na comprovação, baseada em evidências, de que não há sentido em realizar videolaparoscopia diagnóstica onde existem serviços especializados em imagem para endometriose.
Após cerca de 20 anos do início dessa jornada, “é uma honra prefaciar esta obra, que, por iniciativa da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, reúne grande parte dos maiores especialistas brasileiros – e, consequentemente, mundiais – no diagnóstico da endometriose por ultrassom, apresentando um compêndio completo e prático sobre como investigar essa doença complexa e multifacetada”, afirmou o dr. Manoel Orlando.

Presenças na homenagem no IHGG
Momento importante
Para Jales, o lançamento era “um momento importante para o autor, quando tem a oportunidade de apresentar, à sociedade, mais uma de suas obras, fruto de seu trabalho e de sua dedicação”. Como explicou, “foram momentos de estudos, pesquisas e de reflexões, para criar um roteiro, complementar as informações e avançar, definir uma direção e organizar todo um conjunto de dados. São momentos em que o autor se isola, para criar, elaborar, direcionar e rever, ajustando ideias e propostas”.
Esclareceu que assim foi desde quando quis conhecer a história de sua cidade natal e não encontrou o que desejava. Apenas uma apostila, com informações simples, incompletas e poucos documentos. Jornalista, tomou a decisão de buscar esses registros. Saiu a campo e pôde verificar as dificuldades que o pesquisador encontra nessa caminhada, pois mesmo sendo recentes os fatos, não obteve sucesso em muitos casos.
Precisava de datas e de registros, e não encontrou os documentos que procurou, como o decreto criando, em 1935, o distrito de São Geraldo, até então um povoado.
Quis mostrar a participação da região na construção de nova capital, Goiânia, e igualmente não conseguiu. A ideia era saber o que foi extraído de madeira da região conhecida como Boca da Mata para as obras. Tinha conversado com uma pessoa próxima, seu tio Agenor Alves de Oliveira, que contou ter feito diversas viagens, em carros de bois, com madeiras, e era um entre muitos. Queria dados sobre o quantitativo extraído, o que representava em recursos, como foi feito o pagamento, quantas pessoas trabalhavam etc.
Idêntica preocupação foi quanto aos paralelepípedos para delimitar as ruas e em calçamentos, feitos de granito cortado e lapidado, geralmente de forma artesanal ou manual. A quantidade, o local de extração, pessoal empregado, lapidação e remessa para Goiânia são questões que, “provavelmente, ficarão sem respostas, pois não há onde pesquisar”. Não encontrou um arquivo municipal organizado, um centro de documentação ou os registros do período, e mesmo em nível estadual, com informações mais detalhadas.
Outro item era quanto à alimentação produzida para fornecer aos trabalhadores nas obras de construção da nova capital. “Parece que não houve a preocupação em guardar documentos e mesmo em criar estruturas para oferecer, ao pesquisador, os dados que busca”.
Seguiu em frente e juntou o que foi possível.
Obra concluída há 10 anos, sua publicação seguiu roteiro muito semelhante à grande maioria dos autores, que luta para ter condições para o exercício dessa atividade e nem sempre consegue apoio, diante dos muitos problemas e dificuldades que enfrenta. “São batalhas diversas, na superação dos obstáculos”.
Ao entregar o livro “São Geraldo / Goianira – O surgimento do povoado e a trajetória de pioneiros. Documentos registram a construção do distrito e da cidade”, colocou-o como mais uma contribuição à história de Goiás e da sua cidade natal, aos estudiosos, com a preocupação em oferecer cópia dos documentos localizados, e aos estudantes, permitindo que tenham material de qualidade para suas leituras e reflexões. “Aprendi muito no período e continuo a aprender a cada novo momento, pela oportunidade que os registros me oferecem”, completou.
Pronunciamentos
O jornalista Jales Naves ficou agradecido com os pronunciamentos, enaltecendo o trabalho que realiza, a seriedade como conduz seus projetos e suas realizações, como pesquisador, como elogiou o jornalista Euler Belém, editor-chefe do “Jornal Opção”.
Falaram também o auditor Almir Ferraz de Oliveira, citando terem trabalhado juntos na Organização das Cooperativas do Estado de Goiás; os escritores Geraldo Coelho Vaz e Carlos Magno de Melo e o jornalista José Osório Naves.
https://aredacao.com.br/ihgg-homenageia-familia-naves-que-ganha-premio-e-lanca-livro/

