Ginásio Estadual de Iturama em festa

Terceira turma comemorou 50 anos de formatura

Foi um reencontro tranquilo, repleto de emoção e entusiasmo, com muitos abraços, lágrimas furtivas denunciando o estado de espírito de colegas que não se viam há vários anos e o recordar daqueles bons tempos. Na verdade, a repetição de atos de alegria e carinho que todos tinham entre si. Assim se pode resumir a reunião da terceira turma do Ginásio Estadual de Iturama, MG, que estava completando 50 anos da colação de grau, um momento marcante na vida de cada um. O novo encontro aconteceu no dia 3 deste mês nessa cidade do pontal do Triângulo Mineiro, na agora Escola Estadual ‘Antônio Ferreira Barbosa’ e foi coordenado pela diretora, professora Rosimar Oliveira de Queiroz. Repetia idêntica iniciativa que começou há dois anos, quando a primeira turma do ginasial, que ingressou em 1963 e saiu quatro anos depois, em 1966, decidiu comemorar as suas Bodas de Ouro, em 2016.

Jales, Oneida, Heloísa e Sinésio

A terceira turma fez bonito: do total de 30 integrantes, levou 25 dos 28 colegas vivos – dois já faleceram, e os outros três justificaram suas ausências –, e eles reviveram o clima daquele 8 de dezembro de 1968, no Cine Cacique, quando receberam seu diploma de conclusão do curso ginasial, uma conquista que marcou suas vidas. O orador daquele momento, Alceu Alves de Oliveira, que se graduou em Medicina em Uberaba, MG, e se especializou no Rio de Janeiro, emocionou a todos com seu novo discurso, seguindo a mesma temática daqueles tempos.

“Turma irreverente, quase rebelde”, disse o orador, para traçar um quadro daqueles tempos: “As meninas dobravam a cintura da saia, a barra ficava acima dos joelhos; repreendidas, recompunham o visual. No dia seguinte, os joelhos novamente à mostra. Lindas. Os meninos teimavam em usar os cabelos compridos; admoestados, raspavam a cabeça”. “Disputas entre colegas somente pelas melhores notas do bimestre; competição séria entre Maria Áurea, Maria Helena Freitas (de saudosa memória), Jacira, Anady. José Alves e Valdeirê”, recordou-se.

“Fomos exemplo, somos felizes, realizados”, afirmou Alceu, para indicar que caminhavam com passos firmes a “linda jornada, ainda longa”. Como há 50 anos ele procurou transmitir “os nossos anseios juvenis, as nossas expectativas para o futuro”. “A mente a mil construindo castelos, o sangue quase em ebulição provocava arritmia cardíaca, os olhos fulgurantes a visualizar todas as possibilidades, a pele a exalar o mais inebriante dos perfumes, o da juventude – vigorosos fomos desvendar o horizonte”. “Nesta expectativa, misto de ansiedade e confiança, enfrentamos a sublime jornada da vida”, disse, para acrescentar: “Vivemos, amamos, aprendemos. Constituímos família, somos pais, avós, envelhecemos, ou melhor, ficamos experientes, sábios. As vitórias são inumeráveis, fracassos não os tivemos, visto que os pequenos tropeços foram nos degraus da escada da vida, que nos fez subir, subir bem alto, nos tornamos cidadãos honrados”. Salientou um detalhe: a quase totalidade da turma concluiu curso superior, a exemplo das anteriores.

Maria Helena, Marinez, Luísa, Magda e Heloísa

Comissão organizadora do encontro da terceira turma do Curso Ginasial (1965-1968): Altamir Alves de Oliveira, Cristino Urzedo, Jacira Barreto e Perboar Tiago de Queiroz.

Como começou

Tudo começou pelo Facebook, quando duas colegas da primeira turma se reencontraram, depois de algum tempo distantes, fisicamente.

Heloísa Machado Naves reside em Goiânia há quase 50 anos – concluiu o Curso de Biologia pela Universidade Católica de Goiás, tornou-se pesquisadora e professora universitária, profissão na qual se aposentou pela Universidade Federal de Goiás, depois de concluir o Mestrado em Medicina Tropical, casou-se e criou a sua família. Ela sempre manifestou a intenção de voltar à cidade em que viveu sua infância e parte da adolescência. Pelo menos uma vez por ano vai rever os parentes e amigos que ali residem e já pensou no retorno em definitivo à cidade, para se fixar.

Educadora financeira, que fez carreira no Serviço Público e no sistema bancário, Teresinha Cruz Rocha mora em Brasília também há quase 50 anos, onde completou seus estudos, organizou-se profissionalmente, casou-se e criou a sua família.

Nesse reencontro pelas redes sociais conversaram bastante. Dentre os assuntos, uma reunião com os colegas do curso ginasial. Teresinha, concordou com a sugestão e de imediato organizou uma ida à cidade, para as primeiras providências. Antes, com o marido, Dênis Rocha, passou em Goiânia para uma nova conversa com Heloísa e o marido, Jales Naves.

A viagem a Iturama deu certo. Teresinha, experiente na realização de reuniões e conhecendo muita gente na cidade, não precisou de mais do que dois dias para deixar tudo esquematizado. Dali mesmo criou um grupo do WhatsApp e começou a convocar os colegas para a reunião, que foi sucesso: compareceram 18 dos 23 integrantes da primeira turma do Curso Ginasial. Decidiram que cada turma daria uma contribuição ao colégio, assumindo uma obra, seja na construção, reconstrução ou recuperação, e a doação de livros para a biblioteca. Os integrantes da primeira turma fizeram duas doações, conforme indicação dos dirigentes da escola: um púlpito, para abrilhantar as solenidades, e um quadro de avisos, amplo.

Heloísa fez questões de fazer uma primeira doação, de 17 livros de sua coleção pessoal e de sua irmã Laís Aparecida Machado, já falecida e que foi professora e secretária dessa escola.

Ao participar, em 2017, da reunião da segunda turma do Curso Ginasial, Heloísa levou nova contribuição pessoal àquele estabelecimento de ensino público: mais de 260 títulos para a biblioteca da escola, entre obras literárias, livros e apostilas do ensino médio (Português, Matemática. História, Geografia, Biologia, Química, Física, Ciências, Estudos Sociais, Educação Física, Meio Ambiente, Arte, Informática, e de línguas: Francês, Espanhol e Inglês), revistas de informações, como “Veja” e “IstoÉ”, técnicas e de instituições de ensino, jornais, gibis (“Almanaque Disney”, “Pato Donald”, “Zé Carioca”, “Mickey” e “Asterix”) e textos diversos, como o Estatuto do Idoso, o Regimento interno do Senado Federal, em dois volumes, e os guias de estudantes da Universidade de Brasília e da Universidade Federal de Goiás.

Discurso de Alceu

Dr. Alceu Alves, orador em 1968 e em 2018

Orador em 1968, Dr. Alceu Alves falou novamente neste 2018, na comemoração dos 50 anos de formatura da terceira turma do Ginásio Estadual de Iturama.

Seu discurso:

Digníssima Diretora da Escola Estadual‘Antônio Ferreira Barbosa’, Professora Rosimar Oliveira de Queiroz.
Professores presentes.

Colegas da turma de 1968. Vocês são estrelas douradas, terceira turma que saiu do Colégio Estadual ‘Antônio Ferreira Barbosa’, de Iturama, MG.

Meninas e meninos presentes, colegas ausentes por impedimentos próprios, colegas de saudosa memória, rogamos a Deus que os mantenha sob sua Infinita Misericórdia.

Falemos da turma de 1968 da qual faço parte e tenho a maior honra em representar, sem dúvidas a melhor da escola naquele período; período jocoso e fértil.

Turma irreverente, quase rebelde. As meninas dobravam a cintura da saia, a barra ficava acima dos joelhos; repreendidas, recompunham o visual. No dia seguinte, os joelhos novamente à mostra. Lindas. Os meninos teimavam em usar os cabelos compridos; admoestados, raspavam a cabeça. Disputas entre colegas, somente pelas melhores notas do bimestre, competição séria entre Maria Áurea, Maria Helena Freitas (de saudosa memória), Jacira, Anady, José Alves e Valdeirê. Outras situações ou atitudes comportamentais do convívio da turma pertencem ao sigilo individual.

Continuemos no passado: quais foram as minhas (as nossas) palavras, conteúdo do discurso daquele ido e memorável 08.12.1968? Quando éramos diplomados, no Cine Cacique, lembram-se?

Peço-lhes mil desculpas, eu não tive o cuidado de preservá-las. Mas certamente transmitiam os nossos anseios juvenis, as nossas expectativas para o futuro; a mente a mil construindo castelos, o sangue quase em ebulição provocava arritmia cardíaca, os olhos fulgurantes a visualizar todas as possibilidades, a pele a exalar o mais inebriante dos perfumes, o da juventude – vigorosos fomos desvendar o horizonte.

Nesta expectativa, misto de ansiedade e confiança, enfrentamos a sublime jornada da vida, da vida de cada um de nós; vivemos, amamos, aprendemos, constituímos família, somos pais, avós, envelhecemos, ou melhor, ficamos experientes, sábios; as vitórias são inumeráveis, fracassos não os tivemos, visto que os pequenos tropeços foram nos degraus da escada da vida, que nos fez subir, subir bem alto, nos tornamos cidadãos honrados. Salientemos, a quase totalidade da turma concluiu curso superior, a exemplo das anteriores.

São passados 50 (cincoenta) anos, meio século; fomos exemplo, somos felizes, realizados; caminhemos com passos firmes esta linda jornada, ainda longa.

Neste momento de confraternização rendo graças a Deus por nos conceder a existência.

Aos nossos genitores, provedores incondicionais, dispensamos penhorados e eternos agradecimentos.

À instituição Escola Estadual ‘Antonio Ferreira Barbosa’ e seu renomado corpo docente, dotado de missão sacerdotal, aqui representado pela estimada professora Rosimar Oliveira de Queiroz, aceite senhora, os nossos mais sinceros agradecimentos, por terem sido parte ativa da nossa formação.

Aos colegas de outras turmas, principalmente às meninas, agradecemos pelas lindas mensagens, pelo incentivo, pela colaboração na promoção deste congraçamento que fortalece nossos laços de amizade.

Aos colegas de turma residentes em outras cidades, sabemos quão difícil foi o ajuste das vossas rotinas para estarem aqui nesta data, confortando-nos com calorosos abraços, recebam os nossos sinceros agradecimentos.

Aos incansáveis colegas Jacira, Altamir, Cristino e Perboar, que com dedicação e amor à turma tudo fizeram para que este encontro acontecesse, recebam o nosso mais efusivo abraço de reconhecimento, e assim desejamos-lhes muita saúde e paz.

Saudade! Sim, ainda temos muita saudade dos ausentes, e que ficam intimados a comparecerem aqui nos próximos eventos.

Meus queridos colegas, familiares e ilustres convidados, vossas presenças abrilhantam o nosso evento, fazendo dele um momento único nas nossas vidas; celebremos e eternizemos esta fraternidade.

Por favor, todos de pé, braços abertos, repitam comigo: “Você faz parte da minha vida, Eu Te Amo“.

Iturama, MG, 3 de novembro de 2018.

Alceu Alves de Oliveira

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