Anezia Naves e Antônio Alves da Silva (Foto do álbum de família)
Caçula de seis filhos do casal Anezia Naves da Silva e Antônio Alves da Silva, já falecidos e que mantiveram uma tradição anual de se reunir em sua casa para comemorar a chegada do ano novo, Gilmar Alves da Silva, 67 anos, empresário e político em Quirinópolis, GO, sua cidade natal, vai manter essa tradição. Convidou seus irmãos, filhos e sobrinhos, que moram em quatro estados brasileiros, para esse momento de confraternização, em sua casa, no sudoeste goiano. Na pauta, lembranças dos tempos passados e conversar, como era na casa de seus pais.
“Minha mãe sempre foi muito família, gostava de falar sobre os Naves, tinha boas recordações e transmitiu para nós essa forma salutar de convivência”, disse, ao anunciar que vai acolher a todos em sua casa, em Quirinópolis, na passagem do ano, dia 31 deste mês para 1º de janeiro. “Vamos estar juntos novamente”.
Antônio e Anezia tiveram seis filhos: Neuza Aparecida, que mora em Cacoal, RO; Neyde Aparecida, residente em Goiânia, GO, e que foi Deputada Federal; Gilberto, que reside na fazenda, em Torixoréu, MT; Nilza Helena, que mora em Uberaba, MG; Nilda Maria, residente em Sorriso, MT; e Gilmar Alves da Silva, morador de Quirinópolis, onde foi Prefeito por três mandatos.
Trajetória
Goiana de Morrinhos, Anezia Naves nasceu no dia 25 de março de 1932, viveu 80 anos e era a quinta dos seis filhos de Messias Brasiliense Naves e Maria José Pereira. Messias, mineiro de Uberlândia e que se dedicou à gambira de gado, foi casado primeiro com a sua conterrânea Purcina Maria de Jesus, com quem teve quatro filhos: as duas primeiras nascidas em Uberlândia, Marcília Rosa e Albertina Rosa Naves; e os dois mais novos em Morrinhos: Belarmino, que morreu em 1943, e Beraldino Brasiliense Naves, que faleceu em 2009, em Itapaci, no Vale do São Patrício, em Goiás, para onde se mudou grande parte dos seus descendentes. Messias e Purcina, com as duas primeiras filhas, vieram para Goiás em 1914, fixando-se no município de Morrinhos.
Anésia perdeu os pais ainda criança: Messias faleceu em janeiro de 1938, aos 55 anos, quando ela tinha seis anos de idade, e a mãe, Maria José, faleceu três anos depois, em 1941. Foram poucas as lembranças, como a do dia em que levou uma surra do pai por uma birra do que não se lembra, quando tinha uns três anos. Como a irmã Belmira, sete anos mais velha, casou-se em 1942, aos 17 anos, e se transferiu para o sudoeste goiano, ela, já com 10 anos, foi morar junto, e ali se criou. Jovem ainda, conheceu Antônio Alves da Silva, filho do Pedro José Alves e que, por isso, tinha o apelido de Antônio Pedro, com o qual era conhecido, e logo se casaram. Ele nasceu em Quirinópolis, em 1926, mas foi, ainda pequeno, para o município de Veríssimo, MG, perto do rio Grande, onde foi criado, e retornou a Quirinópolis em 1948, já moço formado, indo trabalhar a terra.
O casamento aconteceu no dia 25 de janeiro de 1951, quando eles começaram a organizar as suas vidas, pois eram pobres, não tinham nada e foram enfrentar as dificuldades. Ela se casou grávida da primeira filha, Neusa Aparecida, que nasceu em agosto daquele ano, e se recorda da dificuldade que foi ter a criança, pois morava na roça e tinha de ir, a cavalo, para Morrinhos, que era uma cidade maior e distante mais de 150 km. A ligação com a terra, com o meio rural, acabou por permear suas vidas, e não se adaptaram na cidade, incomodando-se com o barulho, o calor, a movimentação e outros problemas em função da agitação urbana. “Na fazenda a vida é boa, mais tranqüila, ar fresco, não tem barulho”, afirmou.
Sempre ao lado do marido, ajudando e fazendo, Anezia lembrava que Antônio Pedro começou plantando, a meia, em fazenda de terceiros, do feijão ao milho e outros produtos. Parte do milho dedicava à engorda de porcos, que vendia para comprar mantimentos, como açúcar, farinha de trigo e bolachas, dentre outros. Ao mesmo tempo, trabalhava e organizava as economias, até conseguir comprar a sua fazenda. Nessa labuta, eles acabaram por se mudar 13 vezes, entre fazendas de Goiás e do Mato Grosso, sempre lidando com a terra, seja no cultivo como no cuidar do gado, e na compra de fazendas, sua formação e posterior venda, ganhando um bom dinheiro, principalmente no Mato Grosso.
De estatura baixa, corpo franzino, muito carismática e dinâmica, ela não ficava quieta, e estava sempre fazendo alguma coisa. As filhas puxaram esse seu lado ativo e igualmente não param, cada uma ajudando numa atividade. Sincera, logo diz suas preferências, inclusive sobre os filhos e netos. É católica, “mas não muito de beirar a igreja”, não indo fácil à missa, que assiste mais pela televisão. Diz que nunca mexeu com política, mas a atividade está em seu sangue, tanto que ela e o marido sempre se empenharam nas campanhas dos filhos, indo de casa em casa, a reuniões e encontros sociais, para lutar por eles, como todos os pais que mantém os seus filhos por perto.
Os bens que conquistaram foram distribuídos aos filhos. Eles mantiveram a casa em Quirinópolis e moravam na Fazenda Rebeka, com 106 alqueires, que ficava próxima da cidade, onde passavam a maior parte do tempo e criavam gado Nelore, branco, com a exceção de uma vaca, preta, da neta Yasmin, que ganhou de presente e mantinha no pasto.
Eles tiveram seis filhos, que lhes deram 15 netos, 30 bisnetos e cinco tataranetos, e a admiração de todos.

