O jornalista Doracino Naves dos Santos, 68 anos, que faleceu dia 27 de fevereiro, deixou um importante legado. Mineiro de Araguari, onde nasceu em 17 de janeiro de 1949, mudou-se para Goiânia em 1958 e na Capital goiana construiu sua história, como político, empresário e produtor cultural. Vereador de 1988 a 1992, foi autor da Lei nº 7.148, de 4 de dezembro de 1992, que instituiu o Festival Nacional de Cinema da cidade, sancionada pelo então prefeito Nion Albernaz. Elaborou um projeto de lei para que as construtoras de Goiânia colocassem, na fachada dos prédios, esculturas de artistas goianos, que não foi aprovado.

Maçom, iniciado na loja Glória de Goiás em 1974, um dos fundadores da Glória do Ocidente de Goiás, Venerável Mestre de várias lojas, Grão-Mestre estadual de Goiás por 11 anos e Ministro da Educação, Cultura e Comunicação do Grande Oriente Nacional Glória do Ocidente do Brasil, era o Excelentíssimo Zorobabel do Grande Capítulo do Real Arco de Goiás.

Em 1994 foi Secretário de Cultura do Estado e em 2008 Secretário Municipal de Cultura de Goiânia. Recebeu diversas premiações, dentre as quais o Troféu Tiokô, conferido pela Seção de Goiás da União Brasileira de Escritores (UBE), em 2009, e Honra ao Mérito, da Câmara Municipal de Goiânia, em 2012.

Empresas

Empresário, ele reuniu os três filhos e implantaram a Cartório Mais, modelo de intermediação cartorária. A proposta começou a ser idealizada em 1955 pelo pai José Naves Martins que, com o irmão Ezequiel Naves de Almeida, já avistava potencial para a criação de um negócio especializado em assistência cartorária. Os responsáveis por dar vida ao projeto do avô foram o administrador de empresas Marcus Naves e a publicitária Soraya Naves, filhos de Doracino. Montaram em 2008 um laboratório, onde os serviços da empresa foram testados com êxito. A terceira filha, Márcia Fernanda, também participa da empresa.

Teve duas experiências anteriores com empresas: contador, em 1979 abriu a Dadus Serviços Contábeis, à qual dedicou boa parte de sua vida; e em 1986 a Naves Confecções, tocada por sua primeira mulher e mãe de seus três filhos, Cleusa Cleonice de Castro. Em 2011 abriu o Instituto Franchising e Treinamento Zequinha Naves.

Ecologista, desenvolveu dois projetos no município de Piracanjuba, GO: restauração de nascentes e reflorestamento de uma área de 48.400 metros (quatro hectares) no Sítio Vale das Quimeras, onde morava. Em dois anos, replantou mais de duas mil mudas de árvores do Cerrado.

Produção cultural

Com mais de 50 anos de idade, Doracino decidiu voltar aos bancos escolares e se formou na Faculdade de Jornalismo. Editou uma revista sobre carros. Criou em 2007 um programa cultural, “Raízes”, que apresentou aos sábados pela PUC-TV; e editou, com a segunda mulher, escritora Clara Down, a revista 'Raízes Jornalismo Cultural'.

Foi cronista no jornal "Diário da Manhã", caderno 'DM Revista'. Seus escritos revelavam uma prosa poética, contextualizando, muitas vezes, temas como reminiscências da infância em Porto Barreiros e Araguari, MG, e Palmelo, GO; o amor por Goiânia e pela cultura integral; metáforas sobre a morte e dialéticas do existir. Criou o Simão Sem Caráter, "um personagem amoral, cômico e, apesar da falha na personalidade, tratava-se de um ser humano 'bom' por não ser 'mau' e vice-versa", como ressaltava.

Na segunda quinzena de fevereiro, sentindo coceiras pelo corpo, internou-se no Hospital Araújo Jorge, os exames indicaram um câncer de pâncreas e foi operado para retirá-lo. O procedimento cirúrgico durou nove horas. Ficou na UTI. Saiu em 48 horas e passou para o quarto, onde não podia receber visitas para evitar uma infecção pós-operatória. No dia 27, ainda no hospital, teve uma hemorragia e duas paradas cardíacas, perdendo a batalha contra o câncer.

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