Na primeira Sala de Redação do Curso de Jornalismo da UFG, o professor Maia Leite com os alunos Reynaldo Rocha, Braz de Pina e Luiz Otávio Soares (Foto de Thomaz Hoag)

Primeiro do Centro-Oeste brasileiro, o Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás foi criado pela Resolução nº 01/66, de 30 de setembro de 1966, e implantado dois anos depois, em 1968, no Instituto de Ciências Humanas e Letras da UFG, que ficava no setor Universitário, em Goiânia. Ao completar 60 anos dessa iniciativa, a instituição decidiu realizar uma série de comemorações, que serão abertas na próxima terça-feira, dia 7, às 9h, no auditório da Faculdade de Informação e Comunicação, no Campus Samambaia. A conferência magna será proferida pela jornalista Olga Curado, que integrou a sexta turma do Curso, ingressando em 1973 e colando grau em 30 de julho de 1977.

A iniciativa de criação foi da Associação Goiana de Imprensa e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás, cujos presidentes, Walter Menezes e José Osório Naves, respectivamente, atuaram de forma conjunta e sensibilizaram o então reitor da UFG, Jerônimo Geraldo de Queiroz. O primeiro vestibular teve 80 candidatos, que disputaram as 30 vagas oferecidas e 18 começaram as aulas no primeiro semestre de 1968, mas o grupo foi definhando e apenas quatro concluíram o curso. No início contou com a participação de profissionais do Rio de Janeiro, do “Jornal do Brasil”, área de Fotojornalismo, e professores do Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília.

Em 1970 foi criado o Departamento de Comunicação Social, ligado ao ICHL/UFG, chefiado pelo professor Modesto Gomes da Silva, do Curso de História e que escrevia em jornais. O professor Antônio Maia Leite foi o responsável pela organização administrativa e acadêmica do Departamento, conseguindo montar, via concurso público, a primeira equipe de professores com formação na área: Hélio Furtado do Amaral, Francisco Eduardo Ponte Pierre, José Carlos da Rocha Carvalho, Valquíria Braga dos Santos, Taylor Oriente e Thomas Roland Hoag.

A outra grande luta foi pelo reconhecimento do curso, que demandava um grande investimento em equipamentos, espaço físico adequado e, do ponto de vista político, apoio da própria UFG, o que nunca foi muito evidente. O Departamento precisava montar sua estrutura laboratorial – fotografia, redação, radiojornalismo, telejornalismo – sem a qual o curso não teria o aval do Ministério da Educação e Cultura. Algumas turmas já estavam atuando no mercado, mas sem diploma. Armou-se uma intensa campanha política pelo reconhecimento, que resultou na aquisição dos equipamentos laboratoriais. O Curso recebeu a autorização no dia de 5 novembro de 1975.

Conferencista

Goianiense, a jornalista Olga Curado ganhou experiência e maturidade no jornalismo impresso nas décadas de 1980 e 1990. Foram passagens marcantes no “Jornal do Brasil”, “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, onde se destacou na direção de equipes. A carreira na televisão começou pela TV Manchete de Brasília, em 1985. Entrou na Globo dois anos depois, convidada pelo então diretor de telejornais, Alberico Souza Cruz. Logo, virou editora de política do ‘Jornal Nacional‘, num período de grandes coberturas: Constituinte de 1988, primeira eleição presidencial direta pós ditadura, em 1989. Olga chegou a ser editora regional do Rio de Janeiro e chefe de redação em Londres. Foi uma das responsáveis pela criação do Globo Comunidade e deixou a emissora em 1999.

Desde o ano 2000 é consultora em gestão de crise e de imagem, preparadora de líderes para a comunicação interpessoal utilizando metodologia própria baseada no Aikido, arte marcial japonesa em que é faixa preta. Criou e desenvolveu a análise de imagem, o iVGR. Fundou e dirige a Curado & Associados.

Filha de um médico e de uma dona de casa, Maria Olga Curado formou-se em Jornalismo na Universidade Federal de Goiás. Começou cursando Direito, já que, naquela época, nas famílias mais tradicionais, só havia três opções: advogado, médico ou engenheiro. Insatisfeita com o Curso de Direito, Olga se transferiu para o Jornalismo, sem comunicar à família. Escondeu o fato até a formatura: “Meu pai levou um susto, pensando que eu estava me formando advogada. Foi um choque para ele”. Duas semanas antes de terminar o curso, em julho de 1977, já estagiava na sucursal de Brasília do “Jornal do Brasil”. Nesse início, contou com a ajuda de jornalistas experientes, mas destaca um, em especial: o lendário colunista político Carlos Castelo Branco, o Castelinho: “Ele foi um modelo para mim”.

https://aredacao.com.br/curso-de-jornalismo-da-ufg-abre-comemoracoes-dos-60-anos-no-dia-7-de-abril/

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