(62) 99975-4664
jales@editoranaves.com.br

Artigo do escritor Salatiel Correia sobre o livro “A história da família Naves no Brasil”

Editora Naves > Blog do Jales > Artigo do escritor Salatiel Correia sobre o livro “A história da família Naves no Brasil”

Família Naves: uma longa viagem entre Minas Gerais e Goiás. E conheça a história dos irmãos Naves

Em 1937, os irmãos Naves — Sebastião e Joaquim —, acusados de assassinato, foram presos e torturados. Em 1952, o “morto” reapareceu . Era tarde. Joaquim morreu em 1948
Joaquim Naves e Sebastião Naves 1300 por 800Joaquim Naves e Sebastião Naves: os irmãos foram vítimas de um dos maiores erros judiciários da história do Brasil | Foto: Reprodução

Salatiel Soares Correia

Especial para o “Jornal Opção”

A história da família Naves pode ser contada como uma longa viagem pelo interior do Brasil.

Uma viagem iniciada há mais de três séculos, atravessando montanhas, rios, garimpos, lavouras, estradas de terra e cidades que ainda estavam nascendo.

Seus descendentes partiram de São Paulo, alcançaram Minas Gerais e, mais tarde, avançaram para Goiás, Tocantins, Distrito Federal e outras regiões do país. Por onde passaram, trabalharam na mineração, na agricultura, na pecuária, no comércio, no magistério, no Direito, na comunicação e no serviço público.

Alguns integrantes da família Naves permaneceram ligados ao garimpo; outros se tornaram agricultores, pecuaristas e comerciantes. Assim, o sobrenome chegou a Bagagem, atual Estrela do Sul, Indianópolis, Santa Juliana, Uberlândia e Araguari. Depois, Goiás

A linhagem mais documentada começa com João de Almeida Naves, nascido em 1624, em Fornos de Algodres, Portugal. Ele teria chegado ao Brasil por volta de 1650 e, cinco anos depois, casou-se, em São Paulo, com Maria da Silva Leite. O casal fixou-se em Santana de Parnaíba, ponto de partida de uma descendência que se espalharia pelo território colonial.

Entre os primeiros nomes dessa trajetória aparece Florência da Silva Naves, personagem importante na preservação do sobrenome. Seus descendentes seguiram para Minas Gerais e se estabeleceram em regiões como Carrancas e Lavras, acompanhando a expansão da mineração e a formação de novas áreas agrícolas.

Em Lavras, João Naves Damasceno, casado em 1786 com Anna Vitória de São Thomé, formou um dos principais troncos da família. O casal teve numerosos filhos. Entre eles estavam Venâncio José Naves e José Francisco Naves, que seguiram em direção ao Alto Paranaíba e ao Triângulo Mineiro, onde novas terras prometiam oportunidades para quem estivesse disposto a recomeçar.

Família Naves ok 500
Livro conta a história de uma importante família brasileira | Foto: Divulgação

Era um tempo em que as famílias se deslocavam conforme as mudanças da economia.

Quando a mineração perdia força em determinada região, procuravam-se terras férteis, novas lavouras e áreas de criação.

Alguns integrantes da família Naves permaneceram ligados ao garimpo; outros se tornaram agricultores, pecuaristas e comerciantes. Assim, o sobrenome chegou a Bagagem, atual Estrela do Sul, Indianópolis, Santa Juliana, Uberlândia e Araguari.

Foi em Araguari, entretanto, que a família Naves viveu seu episódio mais dramático. A cidade, que poderia ter sido apenas mais uma parada naquela extensa marcha pelo interior, transformou-se no cenário de um dos maiores erros judiciários da história brasileira.

Sem cadáver, sem testemunhas confiáveis e sem provas, a polícia decidiu que os irmãos Sebastião e Joaquim Naves haviam cometido um assassinato. Em lugar de investigação, houve violência. Em lugar de provas, vieram as torturas. Os dois eram inocentes

Em 1937, os irmãos Sebastião José Naves e Joaquim Naves Rosa trabalhavam no comércio de cereais. Levavam uma vida simples, procurando sobreviver com os negócios realizados numa cidade movimentada pela estrada de ferro e pela produção agrícola. Tudo mudou quando Benedito Pereira Caetano, primo e sócio dos irmãos, desapareceu levando uma considerável quantia em dinheiro.

Sem cadáver, sem testemunhas confiáveis e sem provas materiais, a polícia decidiu que Sebastião e Joaquim haviam cometido um assassinato. Era o início do Estado Novo, período em que a força das autoridades frequentemente se colocava acima das garantias individuais. Em lugar de investigação, houve violência. Em lugar de provas, vieram as torturas.

Os irmãos foram presos e submetidos a agressões até confessarem um crime que nunca havia acontecido. As violências alcançaram também seus familiares. Ana Rosa Naves, conhecida como Dona Ana, mãe de Sebastião e Joaquim, foi presa, ameaçada e humilhada. Mesmo assim, permaneceu firme. Repetia que os filhos eram inocentes e pedia que eles jamais confessassem aquilo que não haviam feito.

Naquele momento, Dona Ana deixou de ser apenas a mãe de dois acusados. Tornou-se a consciência moral de uma família perseguida. Quando as instituições falharam, foi ela quem sustentou a verdade. Sua resistência contribuiu para que o advogado João Alamy Filho assumisse a defesa dos irmãos e passasse a enfrentar as irregularidades do processo.

sexto encontro da família Naves em Uberlândia 1300 p 866
6º Encontro da Família Naves, em Uberlândia, em outubro de 1917 | Foto: Divulgação

 

Os anos correram lentamente. Joaquim morreu em 1948, carregando a marca de uma condenação injusta. Não viveu o suficiente para presenciar a cena que mudaria definitivamente aquela história. Em 1952, quinze anos depois do desaparecimento, Benedito Pereira Caetano foi encontrado vivo.

A notícia caiu sobre Araguari como uma verdade que já não podia ser escondida. O homem que teria sido assassinado estava diante de todos. Não havia crime, cadáver ou dinheiro roubado pelos irmãos. Existiam apenas dois inocentes destruídos pela violência policial e pela precipitação judicial.

A fundação de Goiânia, em 1933, atraía famílias do interior. Muitos descendentes dos Naves trocaram as propriedades rurais pela cidade em construção. Passaram a atuar na administração pública, no comércio, na educação, no Direito, na medicina e na comunicação

Sebastião ainda lutou pelo reconhecimento da inocência e pela reparação devida à família. O sofrimento dos irmãos atravessou gerações e se transformou em livros, estudos acadêmicos, peças teatrais e cinema. Em 1967, o diretor Luís Sérgio Person levou a história às telas no filme O Caso dos Irmãos Naves, uma das obras mais importantes do cinema político brasileiro.

Em maio de 2026, quase nove décadas depois do início daquela tragédia, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais lançou, em Araguari, o documentário Sob o peso da tortura: o caso dos irmãos Naves. Na cerimônia, representantes do Judiciário reconheceram o erro cometido e homenagearam os descendentes. Era um gesto tardio, incapaz de devolver os anos perdidos, mas necessário para reafirmar que nenhuma condenação pode ser construída sobre torturas, suposições e preconceitos.

Enquanto Araguari guardava essa dolorosa lembrança, outros ramos da família continuavam avançando pelo Brasil. Os Naves se estabeleceram em Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Tocantins e Distrito Federal. Dos casamentos e das novas gerações surgiram ramificações como Naves de Oliveira, Naves de Ávila, Borges Naves, Soares Naves e Naves de Sousa.

No início do século XX, integrantes da família deixaram Minas Gerais e partiram para Goiás em busca de terras e oportunidades. O núcleo Borges Naves estabeleceu-se inicialmente em Buriti Alegre, Morrinhos e Caldas Novas. Entre os pioneiros estava Antônio Romão Naves, natural de Monte Santo de Minas, que encontrou na agropecuária o caminho para reconstruir a vida no território goiano.

A história da família Naves ajuda a compreender a própria formação do interior brasileiro. Em suas ramificações aparecem o declínio da mineração, a expansão agrícola, a ocupação do Triângulo Mineiro, a migração para Goiás e o crescimento de Goiânia

Com o passar dos anos, os descendentes avançaram para Anicuns, Firminópolis e São Luís de Montes Belos. Não havia estradas asfaltadas nem caminhões modernos. A produção rural seguia em carros de bois até os pontos de comércio e as estações ferroviárias. José Naves de Sousa e João Borges Naves ficaram lembrados como carreiros daquele tempo, homens que enfrentavam longas distâncias transportando o resultado das lavouras.

A fundação de Goiânia, em 1933, abriu uma nova etapa. A jovem capital atraía famílias do interior, comerciantes, servidores públicos, estudantes e profissionais liberais. Muitos descendentes dos Naves trocaram as propriedades rurais pela cidade em construção. Passaram a atuar na administração pública, no comércio, na educação, no Direito, na medicina e na comunicação.

Goiânia tornou-se um dos principais centros de encontro e preservação da memória familiar. Nessa tarefa destaca-se o jornalista, escritor e editor Jales Rodrigues Naves, que ajudou a reunir documentos, divulgar pesquisas e aproximar descendentes espalhados por diferentes estados.

Também tiveram papel fundamental as professoras Maria Helena Fernandes Cardoso, conhecida como Dorinha, e Vicentina Naves Fernandes. Durante anos, elas procuraram certidões, inventários, registros paroquiais, fotografias e relatos dos parentes mais velhos. Com a colaboração de Jales Naves, esse trabalho resultou na obra A história da família Naves no Brasil, abrangendo o período de 1655 a 1945.

O pesquisador Nilson N. Naves, por sua vez, identificou pelo menos treze gerações. Suas investigações ajudaram a substituir antigas lendas por documentos. Uma dessas histórias dizia que dois irmãos teriam vindo de Portugal num navio e, por isso, adotado o sobrenome Naves. Os registros indicaram, porém, que eles já haviam nascido em Minas Gerais e pertenciam a uma linhagem formada anteriormente no Brasil.

Ainda existem lacunas que recomendam prudência. O núcleo Borges Naves, por exemplo, apresenta pontos genealógicos que dependem de novas pesquisas, especialmente quanto à identificação dos pais de Maria Vitória Naves, provavelmente nascida por volta de 1820, em Lavras. A genealogia não deve ser construída apenas pela repetição de histórias familiares, mas pelo encontro entre a memória oral e a documentação histórica.

Araguari e Goiânia representam dois momentos marcantes dessa trajetória. Araguari preserva a lembrança da injustiça sofrida pelos irmãos Naves e da coragem de Dona Ana. Goiânia simboliza a continuidade, a reorganização dos descendentes e a transformação de uma família de raízes rurais em presença ativa na vida urbana, profissional e cultural de Goiás.

Entre as duas cidades existe mais do que uma distância geográfica. Há uma história de deslocamentos, recomeços e resistência. Os Naves deixaram os antigos centros mineradores, abriram lavouras, conduziram carros de bois, criaram gado, estabeleceram comércios, formaram profissionais e participaram da construção de novas cidades.

A história dessa família, portanto, não se resume a uma árvore genealógica composta de nomes e datas. Ela ajuda a compreender a própria formação do interior brasileiro. Em suas ramificações aparecem o declínio da mineração, a expansão agrícola, a ocupação do Triângulo Mineiro, a migração para Goiás e o crescimento de Goiânia.

Mas existe uma imagem que parece reunir toda essa caminhada: a de Dona Ana diante dos homens que queriam obrigar seus filhos a confessar um crime inexistente. Ela não possuía poder político nem influência sobre as autoridades. Tinha apenas a convicção de que os filhos eram inocentes. E foi essa convicção que atravessou o tempo.

Talvez esteja justamente aí o maior legado da família Naves: a capacidade de continuar caminhando mesmo depois da injustiça, sem abandonar a memória. Porque preservar a história dos que vieram antes não significa apenas reverenciar o passado. Significa impedir que os mesmos erros voltem a acontecer.

Salatiel Soares Correia, escritor e crítico literário, é colaborador do Jornal Opção.

,,,,,,

         Gratíssimo amigo Euler Belém, diretor e editor-chefe do “Jornal Opção”, pela bela diagramação do excelente artigo do escritor Salatiel Correia sobre o livro “A história da família Naves no Brasil”. das professoras Maria Helena Fernandes Cardoso e Vicentina Naves Fernandes, do qual tive a honra de participar, e pela publicação desse belo texto.

A obra nos remete a um dado importante: a lembrança da presença da família Naves no Brasil, que data de 1650, o que nos torna partícipes do processo de colonização e desenvolvimento do país, desde a época de Colônia de Portugal, e resgata essa contribuição ao longo dos anos.

Afinal, são mais de 370 anos da chegada do pioneiro, o português João de Almeida Naves, que se casou no Brasil com a brasileira Maria da Silva Leite e o casal formou a primeira geração da família no país.

O livro nos permite conhecer alguns Naves que se destacaram por sua participação nas mais diversas atividades e funções, públicas e privadas.

Dentre eles:

Antônio de Souza Netto, gaúcho de Rio Grande, um dos mais importantes nomes do Rio Grande do Sul, da sexta geração dos Naves brasileiros, que participou da reunião que decidiu pela Revolução Farroupilha, como o segundo maior líder revolucionário, era general da Primeira Brigada do Exército Liberal Republicano, proclamou a República Rio Grandense, em 1836, e foi criador de gado.

Abilon de Souza Naves, mineiro de Uberaba, Senador da República, fez sua trajetória política no Paraná. Foi Secretário do Trabalho e Assistência Social, no governo Munhoz da Rocha; Presidente da Caixa Econômica Federal e do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado; e diretor da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil. Estava praticamente eleito Governador do Estado quando faleceu.

Edson Arantes do Nascimento, mineiro de Três Corações, neto de Maria Naves Arantes, mundialmente famoso como o craque Pelé, chegou a parar uma guerra para se apresentar em país africano. É o maior jogador da história do futebol. Recebeu o título de ‘Atleta do Século’ de todos os esportes em 1981, eleito pelo jornal francês “L’Equipe”; e a FIFA igualmente o elegeu, em 2000, como o ‘Jogador de Futebol do Século XX’.

Francisco de Aquino Correia, dom Aquino Correia, mato-grossense de Cuiabá, de 1885, sacerdote, Arcebispo de Cuiabá, poeta, foi Governador do Mato Grosso e integrou a Academia Brasileira de Letras. Estudou em Roma na Universidade Gregoriana e na Academia São Tomás de Aquino, doutorando-se em Teologia, em 1908.

Iris Rezende Machado, goiano de Cristianópolis, advogado, neto de Isabelina Naves Carneiro, foi Vereador e Prefeito de Goiânia, em quatro mandatos, Deputado Estadual, Governador de Goiás, em dois mandatos, Senador da República e ocupou três Ministérios: da Agricultura, de Minas e Energia e da Justiça. Cassado em 1969, atuou no Tribunal do Júri com grande destaque.

Ivaldo Vicente Naves, mineiro de Araguari, empresário, fundou a Rodoban Segurança e Transportadora de Valores, que após 49 anos vendeu à norte-americana Brinks. Trabalhou na Prefeitura de Uberlândia e foi da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia. Filho de Sebastião Naves, do caso dos irmãos Naves.

João Braz Naves, paulista de Altinópolis, de origem simples e família numerosa, sem estudos, aprendeu desde cedo a se virar sozinho: criou, com seu trabalho e dedicação, a Rodonaves, empresa especializada no transporte de carga fracionada, em sistema de parceria, que se tornou líder na área. Seus negócios se expandiram para áreas afins. É exemplo para os cursos de Administração.

João Naves de Ávila, mineiro de Santa Juliana, foi empresário e empreendedor, com atuação em diversas áreas, de frigoríficos e fazendas a bancos e veículos de comunicação em Uberlândia, MG, cidade que deu seu nome a uma de suas principais avenidas.

Luciana Ansanelli Naves, goianiense, graduada em Medicina pela Universidade de Brasília, tem Doutorado em Ciências da Saúde pela UnB, residência médica em Clínica Médica e Endocrinologia no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, Mestrado e Diplome d’Etudes Approffondies en Endocrinologie pela Université Claude Bernard Lyon I, França.

Maria Aparecida Elvira Naves, advogada, fez Mestrado em Administração Pública pela FGV, RJ. Nasceu em Goianira. Foi Secretária Municipal de Goiânia em duas áreas: Educação e Administração e Recursos Humanos; Superintendente Executiva da Secretaria de Cidadania do Estado; e Diretora de Planejamento do Ministério de Ação Social.

Maria Helena Fernandes Cardoso (Dorinha), mineira de Monte Carmelo, filha de Anéia Naves, escreveu o primeiro livro sobre a família Naves brasileira, em parceria com a irmã caçula Vicentina Naves Fernandes. Professora aposentada da Universidade Federal de Uberlândia, fez Mestrado na Unicamp.

Nilson Vital Naves, mineiro de Lavras, foi ministro do Superior Tribunal de Justiça, graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, pela qual é doutor em Direito Penal; foi promotor de Justiça. Presidiu o STJ e o Conselho da Justiça Federal. Reside em Brasília, onde mantém escritório de advocacia.

Rozana Reigota Naves, mineira de Araguari, formada em Letras, com mestrado e doutorado em Linguística pela Universidade de Brasília, exerceu a direção do Instituto de Letras e o Decanato de Administração da UnB, onde coordenou o Programa de Pós-graduação em Linguística e é Reitora.

Thássia Naves, mineira de Uberlândia, formada em Publicidade e Propaganda, é uma das principais influenciadoras de moda no Brasil e uma das maiores influencer digital da internet. Foi eleita uma das mulheres mais influentes do mundo pela revista “Glamour Espanha”, em 2016.

Waldemar Naves do Amaral, goiano de Porangatu, médico formado pela Universidade Federal de Goiás, é oficial médico do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da PM Goiás (Major PM). Foi um dos fundadores da Clínica Fértile, para realização do bebê de proveta no Centro-Oeste, um trabalho pioneiro na época. É mestre e doutor pelo Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da UFG.

São numerosos exemplos que nos honram e nos motivou nessa empreitada de resgatar essa contribuição da família ao Brasil, e por isso o nosso agradecimento pela gentileza de publicação do excelente artigo.

Grande abraço,

 

Jales Naves

Jornalista e escritor

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.