Construção de Goiânia marcou um novo momento para Goiás, e teve suporte em Goianira nesse trabalho de edificação da nova Capital

Agenor Alves de Oliveira e Eliza Araújo de Oliveira

Pioneiro na construção de Goiânia e de Goianira, levando em carro de boi madeiras e pedras para aquele imenso canteiro de obras, e também introdutor da citricultura na região, Agenor Alves de Oliveira participou dos primeiros momentos da nova Capital, que conheceu ainda como Campinas.

Consciente da importância de seu papel naquele período, procurou contribuir da melhor forma possível nessa empreitada, e depois continuou a sua vida como fazendeiro. Depois de aposentado, morou na cidade de Goianira, onde desfrutou de uma vida tranqüila, ao lado da mulher, Eliza Araújo de Oliveira, sua companheira desde 1937 e que faleceu no dia 4 de novembro de 2006.

Ele gostava de lembrar daqueles tempos, quando a região ainda era uma grande mata, e acompanhou os movimentos, com as árvores sendo derrubadas para dar lugar aos pastos e à agricultura de subsistência. Na maioria das vezes, as madeiras eram trabalhadas e enviadas para a construção de Goiânia, da estrada de ferro até Anápolis, e para os povoados que foram sendo construídos nessas redondezas.

Ele gosta de lembrar daqueles tempos, quando a região ainda era uma grande mata, e acompanhou os movimentos, com as matas sendo derrubadas para dar lugar aos pastos e à agricultura de subsistência. Na maioria das vezes, as madeiras eram trabalhadas e enviadas para a construção de Goiânia, da estrada de ferro até Anápolis, e para os povoados que foram sendo construídos nessas redondezas.

Agenor Alves de Oliveira nasceu na Fazenda Poções, de seu avô Joaquim Alves de Oliveira, em Abadia dos Dourados (hoje Abadia de Goiás), que na época pertencia ao município de Campinas, perto da divisa com o município de Trindade, no dia 6 de agosto de 1913. Com um ano de idade mudou-se com os pais, Ananias Alves de Carvalho e Narcisa de Oliveira, para uma área da Fazenda Boa Vista, no município de Trindade e posteriormente incorporada ao novo município de Goianira.

Essa área tinha 40 alqueires, uma pequena mata, campo limpo com gabiroba, algumas nascentes do córrego Boa Vista, a bela Serra da Boa Vista, e distava apenas cinco quilômetros da sede do povoado de São Geraldo.

Aos sete anos, acompanhando a família numa viagem a Trindade, para visitar alguns amigos, presenciou quando o pai, de repente, caiu morto, fato que o marcou muito. A partir desse episódio, a mãe o levou para estudar naquela cidade, ficando ali o período de seca e retornando à fazenda, que era cuidada pelo seu avô materno, para ajudar na colheita.

A família cultivava cinco mil pés de café, tinha umas 20 vacas leiteiras e plantava ainda arroz, milho e feijão para as despesas domésticas. Sua mãe, uma mulher tranquila e feliz, casou-se pela segunda vez e teve cinco filhos: Walter Jacinto de Faria – que ganhou o apelido de Abade -, Osterclino, Djalma, Torgamin e Djanira.

Aos 17 anos assumiu o comando das terras. Terminou a casa que o pai deixou e foi tocar roça. A casa era grande: sala, salão, três quartos, cozinha e despensa grande; ao fundo, ficava o monjolo, para socar arroz e café, e a bica, para fazer correr a límpida e gostosa água que abastecia a casa.

Guia de imposto sobre carro de boi

Ficava no alto, ao pé da serra, de onde avistava toda a propriedade. Ele guarda, ainda hoje, duas Guias: nº 840, do dia 30 de junho de 1932, no valor de Rs 16$500 (Desesseis mil e quinhentos reis), pela qual sua mãe pagou, ao coletor Manuel da Silva, da Intendência Municipal de Trindade, o imposto sobre o seu carro de boi; e nº 336, do dia 16 de março de 1933, no valor de Rs 59$400 (cincoenta e nove mil e 400 reis), também ao coletor Manuel da Silva, para pagamento dos seguintes impostos: agrário 7ª classe, 30$000, viação, 15$000, pecuário, 4$000, e taxas, 9$400.

Em 1937, aos 24 anos, então um jovem elegante e atleta, casou-se com Eliza Araújo da Silva, e reconstruiu a casa, para maior conforto da família.

Dona Narcisa e os cinco filhos moraram com eles, inicialmente, por oito meses, quando se transferiram para a casa do campo, construída às margens da estrada que fazia a ligação de Goiânia ao novo povoado e dali em direção à antiga Capital, Vila Boa; depois ela se mudou para Goianira, para colocar os filhos na escola e, posteriormente, foi para Goiânia, instalando-se numa casa próxima ao córrego Botafogo.

Nesse período, Agenor foi ampliando a propriedade, com a aquisição de áreas próximas. Em 1944 transferiu a sede para as margens da rodovia e, em 1956, já tendo incorporado mais terras, construiu uma nova sede, próxima da antiga, agora uma casa mais confortável, bem distribuída e em estilo moderno, que primava pela higiene e limpeza.

Nos anos 80, em função dos planos econômicos malsucedidos do Governo, vendeu parte das terras, e, em 1992, vendeu a chácara e se mudou para Goianira, onde morou vários anos, até falecer.

Em 1932 chegam ao povoado as primeiras informações sobre a decisão da mudança da Capital goiana; a região se preparou, em especial o português Manoel Pires da Costa, que arregimentou os fazendeiros, derrubou matas e beneficiou madeiras para as obras.

Agenor foi um deles; nessa época, chegou a fazer várias viagens, com carro-de-boi, levando madeira para a construção de Goiânia, e também para a extensão da estrada de ferro até Anápolis.

Cada carro-de-boi era puxado por 18 a 20 animais e chegava a levar carga de madeira pesando, em média, 1.500 kg, e às vezes mais. A viagem durava de dois a três dias; quando chovia demorava um pouco mais, uns cinco dias.

Nas décadas de 30 e 40 foi derrubando a mata para formar pasto e ampliando a plantação de café, do tipo bourbon/comum, para 12 mil pés. Colhia em torno de 300 sacas do produto, secos, por ano; a média era de 250 sc/ano. Ao mesmo tempo, plantou banana nanica, em torno de três mil covas; vendia para Manoel Gonçalves e depois ia direto a Goiânia, em busca de melhores preços.

Vencido o ciclo do café, já no final dos anos 50, decidiu investir noutra atividade, fazendo a opção pela laranja, quando plantou dois mil pés de Pêra Rio e Baiana, além das mexericas Ponkan e Cravo, que vendiam bem, em relação à paulista.

Foi pioneiro na região, campeão em qualidade, colhendo em torno de quatro caixas de laranja por pé e cinco de mexerica. Esse novo ciclo, de uns oito anos, confirmou a lenda de que os laranjais não duravam muito em Goiás, ao contrário de Minas e São Paulo, que ficavam mais tempo.

O casal não teve filhos, mas criou muitos. Primeiro, adotou os filhos de Benedita Olinda dos Santos, que cuidou das irmãs Eliza e Maria Luiza quando eram menores; ela se casou com Benedito Agostinho e tiveram dois filhos: Adão e Eva.

Depois da morte de Benedita, Adão morou uns tempos com Vó Iza, mas depois, com sua irmã, Eva, ainda criança, foram morar com Agenor e Eliza, onde ficaram até se casar. Depois, eles criaram os irmãos Maria das Graças e Antônio, filhos de Carmelita da Cunha Neto; e Rita Deuzita de Freitas (Deuzinha), filha de Divino de Freitas, que ali ficou até se casar.

Surgimento do povoado

Agenor teve em 1918 o primeiro contato com o povoado que nascia, quando, acompanhando os pais, foi visitar o tio José Alves de Oliveira (Zé Alvim) numa fazenda em Taquaral. Esse irmão de sua mãe morava próximo a eles e havia se mudado fazia um ano e meio.

Na estrada, boiadeira, passavam apenas carro de boi e boiada. Ali tudo era sertão. Na frente, um pouco adiante daquela mata bonita, uma turma de operários, com picareta, abria a estrada de Vianópolis para a então Capital, Vila Boa. A estrada principal, naquela época, cortava onde hoje é o centro de Goianira.

Nesse tempo surgiram os primeiros Fordinhos. De vez em quando passava um, com dificuldades; antigamente os córregos tinham uns pontilhões que exigiam muito cuidado dos motoristas nas travessias.

O lugarejo que surgia às margens do córrego Boa Vista, que dava nome à imensa fazenda que formava grande parte daquela região, tinha apenas alguns casebres, ainda não dando a impressão de que seria uma vila.

Primeiro, porque a opção era pelo alto da serra, na beira da estrada para Vila Boa, onde, quando por ali passou, havia essas casas isoladas, de pau a pique, e uma vendinha com algumas garrafas de pinga no jirau.

Cavaram cisternas e começaram a construção de um cemitério, que nem foi cercado e até chegaram a enterrar alguns corpos. Logo abandonaram o local, pois o lugar não era apropriado, já que a água ficava distante.

Nesse intervalo, mais crescido, ouvia falar em Patrimônio. Já com uns 12 anos, convidou um colega, de sua idade, para irem a pé ao lugarejo, que ficava a uns cinco quilômetros dali. Era um dia de domingo. Onde fica a praça da Matriz, só tinha os buracos para fincarem os esteios da futura igrejinha, que estavam lavrados no chão, pintados.

O povoado começava a ser organizado já na parte de cá, em área doada pelo fazendeiro João Augusto Gonçalves. Eram alguns ranchões na beira da estrada, a Igrejinha – uma pequena casa de adobe, telhas comuns e assoalho de madeira, com duas varandas onde cabiam umas 30 pessoas – e dois ranchos que vendiam pinga, cerveja morna e broa de fubá.

Os fazendeiros construíam a sede de suas propriedades rurais umas próximas das outras, à beira do córrego Boa Vista. A primeira venda de pinga – uma casinha no estilo meia água, na qual o telhado corria para uma banda só – era da Ana Vieira, a Donana, viúva de Antônio Baiano e que se casou de novo, com Josias Januário.

Entre os fazendeiros que participaram do início do vilarejo estavam João de Assis, José Moisés e Felício Eusébio Gonçalves, este com uma chácara próxima da estrada.

A bonita e grande mata, em parte ainda virgem, que compunha a região, era formada por enormes árvores de jatobá, sucupira branca e angico, com seus troncos largos, em torno de um metro de diâmetro. Forneceu muita madeira, vigotas, para os barracos e casas que estavam sendo construídos e para fazer pontes. Primeiro carpinteiro do povoado, João Augusto Gonçalves fabricava carros de boi e roda para fiar algodão.

Vida social

Em suas andanças pelo povoado de São Geraldo conheceu uma jovem que logo chamou sua atenção, Eliza Araújo da Silva, sempre acompanhada de sua irmã mais nova, Maria Luíza, e de uma moça, Benedita Olinda dos Santos, que zelava por elas.

Eliza nasceu em Trindade, no dia 15 de julho de 1919, e era filha do escrivão do Cartório de Órfãos da cidade, Osório Carlos da Silva, que conhecera nos anos 20, quando ali esteve para receber a certidão de partilha de bens, da herança deixada por seu pai.

Eles haviam sido criados meio misturados em Trindade – a mãe de Agenor, Narcisa, era prima da mãe de Eliza, Maria Araújo – mas sem saber uns dos outros; a aproximação mesmo se deu depois que a família dela se transferiu para São Geraldo.

“Eu sempre via ela por lá e a gente prá cá. Lá a gente nunca se misturou. Aqui é que procuramos ter mais conhecimento”, disse. Depois de seis meses de namoro o casamento aconteceu, no dia 25 de setembro de 1937, numa cerimônia na igrejinha, celebrada pelo padre Daniel, muito expansivo e alegre, que ficou muitos minutos tecendo elogios aos noivos. O ato civil foi feito pelo seu futuro concunhado, José Rodrigues Naves Júnior, então escrivão do Cartório do povoado.

Nessa época as lideranças do povoado convidavam as famílias para se reunirem em torno da Igreja, numa grande comemoração, sempre num dia de domingo. As pessoas faziam doces e biscoitos, e iam em carro de boi.

Ali, eles se reuniam para rezar o terço, tomar café e comer doce; ao final do encontro era escalado o grupo para o outro domingo, 15 dias para frente. Num desses dias, que não esquece até hoje, conheceu o doce de abacaxi, que comeu e gostou. Para a reunião vinha gente de fora, a cavalo, para participar.

Morando na chácara e pouco participando da vida do lugarejo que foi crescendo com o tempo, de vez em quando ia a São Geraldo, para saber das novidades. Lembra da Revolução de 30, “quando o povo corria de medo, de pegarem eles para cercar revoltosos, aquele terror no povo”.

Quando tirou o título de eleitor, de nº 334, no dia 20 de agosto de 1934, na 7ª Zona Eleitoral do então Município de Trindade, estava louco para votar em Pedro Ludovico, esclarecendo que os Caiado “faziam um papel muito feio com os chefes lá em Trindade. Eles faziam o que queriam. Se você tinha razão no caso eles tomavam sua razão e davam para quem eles queriam.

Por isso, votei e fiquei satisfeito”. A eleição aconteceu no dia 14 de outubro de 1934. Ele voltou a votar novamente, no dia 1º de dezembro de 1935, para eleger Salvino Vaz da Silva, do Partido Social Republicano, Prefeito de Trindade.

Atividade econômica

A atividade econômica daquela área estava centrada, nos anos 20, na Fazenda Boca da Mata, do português Manoel Pires da Costa, que ficava uns 40 minutos de onde começaram a construir a sede do povoado.

Homem de visão e empreendedor, ele requereu 1.000 alqueires de terras devolutas ao Estado, onde instalou a única serraria da região, possante, movida a água do rio do Peixe, e máquinas de beneficiar café e arroz, além de criar e engordar, em média, 90 porcos, a cada três/quatro meses, para consumo, inclusive para o fornecimento de banha para o preparo da comida.

Mantinha uma mercearia, que fornecia gêneros de primeira necessidade, remédios e tecidos para os empregados – muitos eram portugueses que ele trouxera para ali trabalhar – e mesmo para as pessoas, autônomas, que prestavam serviços, como no transporte de madeiras para a construção de Goiânia.

Ele comprava, beneficiava e vendia arroz, e mantinha outras atividades, para sustento da fazenda, como a criação de gado, galinhas e o canavial para manutenção do gado, em especial dos animais para os carros-de-boi, pois na seca os pastos acabavam.

Empregava desde o pessoal para cortar e picar a cana para os animais aos tocadores de roças de arroz e feijão para sustento da fazenda e de milho para criar e engordar porcos ao tirador de toras nas matas.

Tinha dois caminhões, com capacidade para 1.500 kg, e chegou a construir estradas e pontes – como sobre o Rio Meia Ponte, na direção de Brazabrantes -, com recursos próprios, para facilitar o escoamento de sua produção.

Fazendeiro e industrial, comprava e beneficiava café para exportação, comercializava arroz em Leopoldo de Bulhões, que guardava num grande depósito na fazenda, e extraía madeira na região, que igualmente beneficiava e mandava para a estrada de ferro que estava sendo construída para chegar a Anápolis e para a Capital que surgia ali perto, na área que abrigava o então município de Campinas.

Montou, já em Goiânia, o Depósito Boca da Mata, na Praça do Bandeirante, inicialmente para vender madeira serrada e arroz limpo, e que depois diversificou, mantendo-o ali por muitos anos.

A Boca da Mata ficava num local muito bonito. No início a sede da fazenda era pequena, de madeira; depois, construiu ao pé da serra o sobrado para morar, no estilo português. Tinha a parte de cima, de onde se via a serra, o ribeirão Serra Abaixo, a represa no fundo da casa, bonita e grande, onde dava para andar de canoa. A terra era fértil, e o pasto com o capim jaraguá; havia muita plantação de Bacuri, e os coqueiros rasteiros e baixos criavam uma paisagem muito bonita.

A enorme mata, que deu nome à fazenda, era bonita. Próximo à casa ficavam as máquinas e uma mata, como reserva, em apoio ao chiqueiro. Os porcos se alimentavam de restos de comida e de mangas da própria fazenda.

Se antes Manoel pegara dinheiro emprestado, em Trindade, para montar as suas várias atividades econômicas, mais tarde era ele mesmo quem ajudava os fazendeiros, emprestando dinheiro para eles tocarem suas lavouras, muitas vezes recebendo o valor correspondente em mercadoria. Aos poucos, foi vendendo as terras para outras famílias que chegavam, em especial os paulistas, e o movimento econômico ali perdurou até os anos 60.

Outros estrangeiros foram chegando: duas famílias de turcos/sírios montaram lojas de tecidos, uma das quais a Casa Sant’Anna, de Jorge Abrahão Sus, que vendia fazendas/tecidos, armarinho, ferragens e artigos de armazém, e os italianos formaram a sua Colônia, para conduzir o projeto de instalação de uma usina de cana de açúcar, na Fazenda Mumbuca, que não deu certo, segundo alguns, devido à falta de capital. Muitas plantações de cana começaram nessa época.

“Como em 1932 começou o barulho para a construção de Goiânia, além da madeira outra atividade foi despertando interesse econômico: a retirada de pedras e britas, na pedreira que ficava no Lajeado, região próxima a Caturaí. As pedras eram utilizadas na construção de meio-fio e no calçamento. Essas atividades foram atraindo mais pessoas para o povoado”, lembra.

A primeira farmácia surgiu em 1935, com Antônio Bueno, que morava em Bela Vista, e chegou com o propósito de “curar dor de barriga”.

Instalação oficial

Agenor lembra que, no início dos anos 30, Osório Carlos da Silva foi encarregado pelo então prefeito de Campinas, Licardino de Oliveira Ney, de instalar o distrito de São Geraldo. Ele morava em Trindade e se mudou com a família para o povoado. “Ele não era formado mas era homem inteligente, prático.

Entre as obras que deixou no povoado estava o cemitério, já que o anterior, pequeno, não era cercado, e os corpos enterrados acabavam servindo como comida para os tatus. O cemitério que construiu, com muro, é o atual, que foi aumentado com o tempo”, disse. Depois, o primeiro Prefeito de Goiânia, Venerando de Freitas Borges, chamou-o para Secretário da Prefeitura da Capital e ele foi embora.

“Ele era muito trabalhador, tinha muito prestígio e conseguia tudo que queria, inclusive elevar o Distrito a Município e Comarca.

Quando começou a frequentar o Distrito a primeira escola de que teve conhecimento, que durou uns três anos, era particular, do José Passos, que lecionava para os meninos. Depois inauguraram em 1948 o Grupo Escolar, que se chamou inicialmente “José Rodrigues Naves”, em homenagem a um dos primeiros Sub-Prefeitos do povoado, e depois, devido a ingerências políticas, teve o nome mudado para “São Geraldo”.

Explica que a chegada de Pedro Ludovico ao Poder ajudou muito no progresso de São Geraldo. “Quando implantou Goiânia, Goianira evoluiu”. Lembra que o seu compadre, José Rodrigues Naves Júnior, mais conhecido por Zé Navinho, tinha sido Sub-Prefeito, era vereador pela UDN em Goiânia e ali trabalhava na política contrário ao PSD, que estava no Governo.

“Ele era muito trabalhador, tinha muito prestígio e conseguia tudo que queria, inclusive elevar o Distrito a Município e Comarca. Quando começou a campanha para emancipar o Distrito, a oposição ao Navinho não deixava, queria pertencer a Goiânia toda vida, morar em Goiânia. Mas ele foi persistente, lutador e conseguiu convencer a maioria da importância da elevação a Comarca, de ter vida própria e construir o seu próprio destino”, completou.

Sua cunhada, Maria Luíza Naves, também foi Sub Prefeita, “pelo curto prazo de três meses e não teve chance de fazer muita coisa, pois dependia do Prefeito e da Câmara, que funcionavam em Goiânia. Mais tarde, como Prefeito de Goianira, Zé Navinho fez muito, como a construção do ginásio, do fórum, de escolas rurais e de estradas. Antes, trabalhara muito pela eleição do primeiro Prefeito da cidade, que foi o João Brasil, da UDN, em 1960”, conforme relatou em matéria no jornal “O Popular”.

Brigas políticas

Lembra o relato de uma viagem do coronel Licardino de Oliveira Ney, então prefeito de Campinas, e do senador Morais Filho à antiga Capital, para discutirem sobre a escolha do local para construção de Goiânia.

Estavam informados que a comissão encarregada dos estudos, alegando falta de água, queria outro lugar – na verdade, quando integrante da comissão queria levá-la para a sua região –, quando sensibilizaram o dr. Pedro Ludovico a vir conhecer Campinas, que lhe agradou muito, influenciando a sua decisão. As brigas políticas em Goianira foram muitas.

Certa vez, lembra que puseram um delegado, Josias, “que perseguiu muito o pessoal da UDN, não dava sossego. Um moço, coletor, implicou com ele. Um dia eu vinha tocando o carro de boi, pela estrada, e lá em baixo encontrei uns soldados que passaram correndo, a pé. Perguntei e disseram que estavam correndo atrás do coletor, Omar Magalhães, um moço empolado, todo prosa. Implicou com ele, judiou com ele”.

Matéria publicada no jornal “O Popular”, edição de 24.08.2000, p. 20

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